Brasil bate recorde de 5,3 milhões de barris por dia e sobe no ranking mundial de petróleo

O Brasil bateu recorde de produção petróleo com 5,304 milhões de barris equivalentes por dia em fevereiro de 2026, com 80% vindo do pré-sal
Por Douglas Avila
Em fevereiro de 2026, a produção de petróleo do Brasil alcançou um patamar histórico. Segundo dados oficiais divulgados pela Agência Nacional de Petróleo e Gás Natural (ANP), em 1.º de abril, o país extraiu 5,304 milhões de barris de óleo equivalente por dia, superando o recorde anterior de outubro de 2025, quando a marca havia chegado a 5,255 milhões. Considerando apenas petróleo, foram 4,061 milhões de barris diários — uma alta de 16,4% em relação a fevereiro de 2025.
Esses números ganham ainda mais peso quando se considera o contexto global. Com a produção do Irã severamente comprometida pela instabilidade no Oriente Médio, o Brasil sobe silenciosamente no ranking dos maiores produtores do planeta. Dessa forma, o país se consolida como peça central na segurança energética mundial, produzindo mais do que muitas nações tradicionalmente associadas ao petróleo.
O protagonista indiscutível desse recorde é o pré-sal. Em fevereiro de 2026, os campos do pré-sal geraram 4,243 milhões de barris equivalentes por dia, representando 80,2% de toda a produção brasileira. Foram 3,264 milhões de barris de petróleo e 155,56 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia, operados por 181 poços. O crescimento impressiona. Comparado a fevereiro de 2025, o pré-sal avançou 20,1%. Além disso, o campo de Tupi, na Bacia de Santos, liderou com 865,98 mil barris de petróleo e 42,87 milhões de metros cúbicos de gás por dia. Portanto, um único campo brasileiro produz mais que países inteiros.

● Pré-sal total: 4,243 milhões boe/d (80,2% da produção nacional)
● Petróleo pré-sal: 3,264 milhões bbl/d
● Gás pré-sal: 155,56 milhões m³/d
● Poços operando: 181 no pré-sal
● Campo líder (Tupi): 865,98 mil bbl/d de petróleo
● Crescimento anual: +20,1% vs fevereiro de 2025
A Agência Brasil confirmou que a Petrobras foi responsável por 89,46% da produção total em fevereiro, operando sozinha ou em consórcio. Em janeiro, a estatal produziu 2,41 milhões de barris por dia de petróleo, equivalentes a 61%% do total nacional — uma alta de 14,8%% em relação a janeiro de 2025. A Shell aparece como segunda maior produtora no Brasil com 407,5 mil barris por dia, seguida pela TotalEnergies com 166,2 mil barris por dia. Contudo, a distância entre a Petrobras e qualquer outra operadora no país é abismal, refletindo décadas de investimento no pré-sal e conhecimento técnico acumulado em águas ultraprofundas. Essa dominância operacional da Petrobras se conecta diretamente com a lei que obriga petroleiras a investir bilhões em tecnologia, que já rendeu avanços significativos em automação e eficiência operacional no pré-sal.
Brasil lidera expansão na América do Sul que está ultrapassando a Venezuela

A produção petróleo Brasil recorde faz parte de um movimento maior na América do Sul. Segundo estimativas da Rystad Energy, Brasil, Guiana e Argentina juntos adicionam mais de 700 mil barris por dia à produção regional em 2026, superando a Venezuela. Dessa maneira, a governança regulatória estável do Brasil contrasta com a instabilidade de outros produtores e atrai investimentos de longo prazo.
A estrutura de produção brasileira também impressiona pela escala. São 6.079 poços no total — 582 marítimos e 5.497 terrestres. Contudo, os poços marítimos respondem por 98% de todo o petróleo e 87,8% do gás extraído no país. Assim, o trabalho offshore continua sendo a espinha dorsal da indústria brasileira de petróleo.
Apesar do momento excepcional, a produção petróleo Brasil recorde enfrenta desafios à frente. A transição energética global e o crescimento dos veículos elétricos podem reduzir a demanda por combustíveis fósseis nas próximas décadas. Além disso, os dados consolidados da ANP para fevereiro ainda são preliminares até a divulgação final.
Contudo, no curto e médio prazo, a combinação de instabilidade no Oriente Médio, demanda asiática em alta e capacidade técnica comprovada no pré-sal coloca o Brasil numa posição privilegiada. Ainda assim, manter esse ritmo exige investimento contínuo em exploração, tecnologia e capital humano — fatores que não se improvável do dia para a noite, mas que o país tem demonstrado capacidade de entregar.
Fonte: Click Petróleo e Gás






