Paleo & Arqueologia

Estrutura misteriosa emerge no Delta do Rio Nilo

Descoberta com auxílio de tecnologia avançada, construção de mais de 2.500 anos no Nilo pode ser templo ou tumba

Por Felipe Sales Gomes

Uma descoberta recente no Delta do Nilo, no Egito, está chamando a atenção da comunidade científica internacional. Pesquisadores que investigavam métodos tecnológicos de mapeamento arqueológico acabaram identificando uma grande estrutura subterrânea até então desconhecida — possivelmente um templo secundário ou uma tumba monumental datada de cerca de 2.600 anos.
O achado ocorreu no sítio arqueológico de Buto (Tell el-Fara’in), uma região historicamente complexa, marcada por múltiplas camadas de ocupação ao longo de milênios. Localizado no fértil Delta do Nilo — área onde o rio se divide antes de desaguar no Mediterrâneo — o local sempre representou um desafio para escavações, devido à presença constante de água e sedimentos acumulados ao longo do tempo.
Para contornar essas dificuldades, a equipe formada por cientistas do Egito e da Alemanha adotou uma abordagem inovadora. O trabalho combinou imagens de satélite com uma técnica chamada tomografia de resistividade elétrica, que permite “enxergar” o subsolo por meio de correntes elétricas, criando uma espécie de mapa tridimensional do que está enterrado. O estudo resultante da descoberta foi publicado na revista Applied Geophysics.

Foi assim que os pesquisadores localizaram a estrutura, com aproximadamente 20 por 24 metros. Escavações direcionadas revelaram paredes robustas assentadas sobre uma base de areia, além de uma grande quantidade de artefatos religiosos. Entre os objetos encontrados estão amuletos com representações de divindades como Ísis, Hórus, Hathor Bes, além de uma peça particularmente rara: um escaravelho com o nome do faraó Tutmés III, considerado um dos itens mais significativos do conjunto. Outro detalhe que chamou a atenção dos especialistas foi a presença de um amuleto com uma criatura híbrida — combinando características de babuíno, falcão e uma divindade anã — o que sugere uma rica simbologia religiosa associada ao local. Também foram identificados objetos de uso ritual, como bacias de oferenda e relevos esculpidos.
Além da própria estrutura, o estudo trouxe novos vislumbres sobre a organização urbana do período. Evidências indicam que o terreno foi artificialmente nivelado antes da construção, o que aponta para um planejamento sofisticado durante a chamada 26ª dinastia egípcia (período saíta). Essa intervenção no ambiente teria sido essencial para garantir a estabilidade das edificações em uma região naturalmente instável. Os pesquisadores também identificaram um hiato de aproximadamente 1.500 anos na ocupação da área, possivelmente causado por mudanças no curso das águas do Nilo. Posteriormente, a população teria se deslocado para áreas vizinhas, onde novas estruturas foram erguidas.

Fonte: Aventuras na História

Luzimara Fernandes

Jornalista MTB 2358-ES

Related Posts

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *