Maias usavam pedras preciosas como “obturações” em dentes

Novas análises mostram que incrustações de jade e outros minerais podem ter tido funções terapêuticas nos dentes dos maias
Muito antes da odontologia moderna, a Civilização Maia já desenvolvia técnicas surpreendentes para modificar os dentes — incluindo o uso de pedras preciosas como preenchimento dentário. Um novo estudo reforça que essas práticas, frequentemente vistas como meramente decorativas, também podem ter tido funções práticas e até medicinais. Arqueólogos já conheciam a tradição maia de perfurar dentes e inserir materiais como jade, turquesa ou obsidiana. O que a pesquisa recente destaca é o nível de sofisticação envolvido nesse processo. As cavidades eram feitas com ferramentas de pedra, com precisão suficiente para evitar danos graves à estrutura dentária — algo notável considerando a ausência de instrumentos metálicos avançados.
Após a perfuração, as pedras eram fixadas com uma espécie de cimento natural, composto por resinas vegetais e outras substâncias orgânicas. Análises químicas desse material identificaram compostos com propriedades antibacterianas e anti-inflamatórias, o que levanta a hipótese de que o procedimento poderia ajudar a prevenir infecções ou reduzir problemas bucais.
Isso sugere que a prática não se limitava à estética. Embora o aspecto visual — um sorriso adornado com pedras — tivesse importância cultural e simbólica, os materiais utilizados indicam um conhecimento empírico sobre higiene e tratamento dental. Outro ponto relevante é que essas modificações não eram restritas à elite. Evidências arqueológicas mostram que pessoas de diferentes camadas sociais utilizavam esse tipo de intervenção, o que aponta para uma prática relativamente difundida dentro da sociedade maia.
Além das incrustações, os maias também realizavam outros tipos de alterações nos dentes, como lixamento para criar formatos específicos. Essas intervenções estavam ligadas tanto à identidade cultural quanto a possíveis rituais — uma combinação comum em várias sociedades antigas. O estudo contribui para uma revisão da imagem frequentemente simplificada dessas práticas. Em vez de “excentricidades” do passado, elas passam a ser vistas como parte de um sistema mais amplo de conhecimento, que combinava técnica, simbolismo e observação prática do corpo humano.
Fonte: Aventuras na História




