Estupro coletivo aditivado pelo elemento confiança afetiva

Os comportamentos de perversidade que têm acontecido são de tal ordem primitivos, que diria, mesmo, são anteriores ao processo de humanização, e operam a coisificação continuada
Mais um estupro coletivo praticado por adolescentes. Mais um de status midiático. Quantos anônimos vêm ocorrendo, não sabemos. O roteiro da barbárie é do tipo “copia e cola”. Um menino que estava se relacionando com uma menina, monta a armadilha com mais colegas, para levá-la até o alçapão.
A menina e o menino têm 12 anos, e estavam de namorinho. Ele a chama para ir até a casa dele, não sabemos a oferta feita, ou uma tarefa que ele precisasse. Chegando lá, havia mais sete meninos, com idades entre 12 e 16 anos. Eles a dominam, batem, violentam, humilham. Comemoram ruidosamente e gravam tudo em vídeo, para lançá-los nas redes sociais. Talvez devêssemos mudar esse nome porque nem são “redes”, muito menos “sociais”. A estupidez é o combustível.
Os comportamentos de perversidade que têm acontecido são de tal ordem primitivos, que diria, mesmo, são anteriores ao processo de humanização, e operam a coisificação continuada. A perversidade não permite espaço para a emoção nem para o sentimento. Portanto, não há processo de aquisição da série: compaixão, solidariedade, empatia. Pode até parecer que está se importando com o outro em sofrimento, mas seu propósito é tornar coisas todos à volta. É como se a finalidade deles fosse desidratar os afetos, as emoções, as pessoas. Um motivo de matar o que é humano nos humanos. E nessa rota, também os animais humanizados são alvo de torturas impensáveis.
Aliás, aqui existe um ponto de perplexidade. Órgãos Públicos Investigativos declararam que um cachorro que teria sido torturado por um grupo de adolescentes, a ponto de precisar ser submetido à eutanásia, foi uma ilusão coletiva. Sim, o Brasil todo que foi às ruas por justiça por Orelha, estava todo contaminado por um delírio coletivo. Foi uma alucinação de milhões de pessoas. Um fenômeno inexplicável. A Investigação oficial concluiu que Orelha não tinha recebido nenhum tapinha. Teria piorado, do dia para a noite, de um câncer ósseo. Como acomodar a sensação de revolta, de indignação, que foi sentida por compaixão à dor do cachorro “supostamente” machucado. Parecida com a sensação diante das estripulias realizadas pela IA, que inventa o que não aconteceu com tamanha perfeição que somos levados pela falsificação, esse fato talvez tenha sido montado por IA. Teve que ser sacrificado porque teve uma “piora” súbita de um câncer lento, mostrando assim, que a verdade pode ser editada até em seu contrário. Deliramos em coletivo numeroso.

Talvez possamos começar a refletir sobre essa avalanche de estupros coletivos, de bullyings lacradores, de cegueiras judiciais que estão empurrando crianças para a Ideação Suicida, com passagem ao Ato, para Vicaricídios chocantes, planejados para matar, sadicamente, a conta-gotas, a mãe das crianças assassinadas pelo genitor.
Mas o que não quer calar é o fato de que, especificamente, os estupros coletivos de meninas e de meninos, são planejados contando com o elemento confiança afetiva. Temos vários exemplos de estupro coletivo de meninas que foram resultado de planejamento encabeçado pelo ex-namoradinho, pelo ex-ficante, que também é colega de escola ou de classe. No caso dos meninos, são primos, conhecidos, que oferecem um lugar mais “legal” para jogar futebol. O convite feito a elas ou eles, vem de alguém que confiam, que até nutrem ou já nutriram uma emoção boa. Por que atacar não só a menina ou menino conhecido, detonando-os, mas bombardear esse afeto pequeno ou médio de que recebiam. Eles eram gostados.
Essa inversão, extremamente, perversa é ingrediente essencial nos estupros incestuosos. O genitor tem certeza do amor que o filho ou filha tem por ele. E afirmo que este é um combustível que alimenta o gozo do Poder, o verdadeiro prazer buscado. Fugaz. Por isso necessita de repetição frenética. Porém, essencial à mente petrificada pela ausência da capacidade de amar. Matar a confiança, exterminar o afeto de qualquer tamanho, que já foram conquistados para servir de aditivo da perversidade. Isso não é doença. Isso é desvio da falta de caráter.



