Cultura

O peste do político

Década de 90, lá pelas bandas de Pedro Canário-ES. Eu ainda dava os meus primeiros passos como advogado criminalista e mal tinha fincado os pés na cidade. Foi quando a rádio local anunciou o “passamento” de um importante político da região. O povo ficou num assombro danado e numa revolta sem tamanho. O sujeito era detestado por dez entre dez trabalhadores: usava o dinheiro público para benefício próprio enquanto a cidade passava necessidade. O crime causou um misto de espanto e de alívio silencioso nas ruas. 📻🚨
O clamor foi grande e a Polícia caiu em campo com força, espalhando homens por tudo que era canto no encalço do facínora. Foi nesse alvoroço que uma equipe, numa viatura descaracterizada, rumou para o município. Mal chegando à altura de Braço do Rio, os tiras avistaram um matuto à beira da BR, pedindo carona com o dedo esticado. 🚗💨
Um dos agentes teve a ideia e cantou a pedra pro parceiro.
— Aí, vamos dar uma carona pra esse capiau e puxar assunto. Vai que a gente descobre alguma coisa!
Pararam o carro e deram o grito pro Geraldo “Boca de Tramela”.
— Boa tarde, chefe! Entra aí — puxou conversa o policial.
— Tarde, moço — retrucou Tramela, se acomodando no banco. 🤠
Não demorou muito e o policial resolveu jogar o verde.
— Rapaz, e essa história aí… Parece que mataram um político na cidade…
— Mataram nada! — arrematou Geraldo, batendo no peito com orgulho. — Eu que mandei despachar aquele infeliz pro quinto dos infernos! 😱🔥
Os policiais se entreolharam com os olhos arregalados.
— Mas como assim, rapaz? Por quê?!
— Aquilo não valia o prato que comia! Roubava até a merenda das crianças, enganava o povo trabalhador e vivia esbanjando com rabo de saia. Aquele carrasco não merecia mais o ar que respirava!
Ouvindo aquilo, o motorista da viatura não pensou duas vezes: meteu o pé no freio e deu um cavalo de pau no meio da pista! 🛞💥 Saltaram todos de arma em punho, já berrando.
— Polícia, vagabundo! Mão na cabeça! “Teje” preso em nome da lei! 👮‍♂️🚓
Já iam passando a revista e grampeando o sujeito nas algemas, quando Tramela, amarelo de susto e com as mãos pro alto, murmurou:
— Ô, meu senhor polícia… Carece de me prender não! Não quero decepcionar os homens da lei, mas é que eu sou o Geraldo Boca de Tramela… O maior mentiroso dessas redondezas! 😅🤡

Mário Vieira

Capixaba, casado, autor e advogado

Related Posts

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *