Fóssil revela espécie de ave pré-histórica com penas enormes na cauda

O “dragão emplumado de Banko” (Plumadraco bankoorum) viveu há 121 milhões de anos, ao lado dos dinossauros, e possivelmente tinha penas longas para atrair fêmeas
Por Éric Moreira
Uma nova espécie de ave que viveu há cerca de 121 milhões de anos foi identificada por pesquisadores a partir de um fóssil excepcionalmente preservado que revelou penas caudais gigantes. Batizada de Plumadraco bankoorum, expressão que significa “dragão emplumado de Banko”, a espécie oferece novas evidências de que estruturas ornamentais extravagantes já desempenhavam papel importante na vida das aves durante a era dos dinossauros.
A descoberta foi descrita em 27 de maio na revista científica PLOS ONE e se baseia em fósseis pertencentes ao grupo das enantiornitinas, aves primitivas que prosperaram durante o Período Cretáceo, mas desapareceram junto com os dinossauros não avianos no evento de extinção em massa ocorrido milhões de anos depois. O aspecto que mais chamou a atenção dos pesquisadores foi o tamanho desproporcional das penas da cauda do animal. Embora tivesse dimensões semelhantes às de um tordo-americano moderno, o Plumadraco possuía penas que alcançavam aproximadamente 30 centímetros de comprimento.
O Plumadraco tinha o tamanho de um tordo-americano, mas suas penas da cauda tinham cerca de 30 centímetros de comprimento, o dobro do comprimento do seu corpo”, conta em comunicado o principal autor do estudo, Alex Clark, doutorando no Field Museum e na Universidade de Chicago, nos Estados Unidos. “Elas estão entre as penas da cauda proporcionalmente mais longas já encontradas em um fóssil de ave”.
O fóssil foi identificado durante uma visita de pesquisa ao Museu Tianyu de Shandong, na China. Clark analisava centenas de espécimes de aves ao lado de sua orientadora, Jingmai O’Connor, curadora do Field Museum, quando encontrou o exemplar que mais tarde seria reconhecido como uma espécie inédita para a ciência.
Eu vi esse passarinho e fiquei surpreso ao ver as penas da cauda”, lembra o especialista. “Tenho muito interesse em como os pássaros fazem exibições para atrair parceiros, e pensei que essas penas da cauda eram tão incríveis que deviam servir para algo assim”.
A comparação do material com outros fósseis de aves enantiornitinas levou os pesquisadores à conclusão de que estavam diante de uma espécie ainda não descrita. O nome escolhido homenageia Winston e Paul Banko, pai e filho que dedicaram décadas ao estudo e à conservação de aves.
Característica de acasalamento
Segundo os autores, os fósseis analisados pertenciam a indivíduos machos. Embora a anatomia da cauda limitasse seus movimentos laterais, os animais provavelmente conseguiam erguer e abaixar as penas durante exibições visuais. Esse comportamento encontra paralelo em diversas espécies atuais, nas quais os machos utilizam estruturas ornamentais para atrair parceiras durante o período reprodutivo.
Há muitos exemplos de aves modernas, tanto machos quanto fêmeas, com penas longas e vistosas, mas parece haver um certo limite a partir do qual, se as penas atingem um determinado comprimento proporcional, essa tende a ser uma característica desenvolvida pelos machos para atrair as fêmeas”, afirma o pesquisador.
Os cientistas observaram ainda que as penas possuíam espinhos rígidos em sua estrutura central e terminavam em pontas afiladas. Essas características sugerem que os machos podiam eriçar a cauda e realizar movimentos de vibração ou tremulação durante exibições. A coloração das penas também pôde ser investigada graças ao uso de um espectrômetro de massa portátil, equipamento capaz de analisar a composição química de fósseis. Os resultados indicaram que as penas apresentavam tonalidades marrom-escuras ou pretas, com extremidades iridescentes ou azuladas, repercute a Revista Galileu. Para os pesquisadores, a descoberta reforça a ideia de que a seleção sexual já influenciava fortemente a aparência das aves muito antes do surgimento das espécies modernas.
Com base nesses fósseis, a escolha da fêmea na seleção de machos ornamentados tem desempenhado um papel fundamental na aparência e no comportamento das aves por mais de 120 milhões de anos”, concluiu Clark.
Fonte: Aventuras na História







