Ortega escancara ditadura ao anunciar fim das eleições na Nicarágua

O ditador da Nicarágua, Daniel Ortega, permanece no poder desde 2017
O líder da Nicarágua, Daniel Ortega, escancarou sua ditadura ao anunciar, nesta segunda-feira (20), que não permitirá novos processos eleitorais que ameacem o controle do partido governista. “Aqui (na Nicarágua) não haverá mais eleições para que eles (a oposição) não tentem tomar o governo, tomar o poder”, declarou o ditador em um discurso durante um comício em massa em comemoração ao 47.º aniversário da revolução sandinista, realizado em Manágua.
A Nicarágua está sob o poder de Ortega, um ex-guerrilheiro sandinista de 80 anos, desde 2007. No ano passado, sua esposa, Rosario Murillo, que era vice-regente do país desde 2017 foi designada “copresidente” por meio de uma reforma constitucional. No evento, o líder sandinista afirmou que a oposição no exílio está “à espreita nas sombras” e a acusou de querer vencer as eleições para se enriquecer. “Mas que se esqueçam: não haverá mais eleições aqui para que tentem tomar o governo, tomar o poder”, destacou.
Ortega anunciou que contaria com o auxílio da Assembleia Nacional (Parlamento), subordinada ao seu regime, “e com as organizações correspondentes para criar leis que ergam um muro, um bloqueio, contra os golpistas, os traidores, e que não importa quanto dinheiro os ianques (EUA) lhes deem, eles não terão sucesso”.
Em meados de fevereiro de 2025, a Nicarágua implementou uma profunda reforma da Constituição Política, que transformou o Estado, eliminou o equilíbrio de poderes e concedeu poder absoluto a Ortega e Murillo. Essa reforma foi duramente criticada pela ONU, pela Organização dos Estados Americanos (OEA), pelos EUA, pelo Parlamento Europeu e por membros da oposição nicaraguense.
A emenda estendeu o mandato presidencial de cinco para seis anos, estabeleceu a figura de um “copresidente”, determinou que o Executivo “coordene” os demais “órgãos” do Estado (que deixaram de ser chamados de poderes) e legalizou a apatridia. Em outras palavras, a Nicarágua deveria realizar eleições gerais em novembro deste ano, mas emendas constitucionais estenderam o mandato presidencial, então, em teoria, elas ocorreriam em novembro de 2027. Em janeiro, o Departamento de Estado dos EUA acusou Murillo de ter criado o cargo de “copresidente” na Nicarágua sem eleições, sem mandato e sem legitimidade, “porque ela sabe que não pode vencer” em um processo eleitoral livre.
Fonte: Gazeta do Povo





