Política

Lula caminha para recorde de gasto com cartão corporativo em governo de ostentação

Lula e Janja colecionam polêmicas de gastos em hotéis de lulxo e decoração do Palácio do Alvorada desde o início do atua mandato do presidente

Por Sílvio Ribas
O terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) caminha para se tornar o mais caro da história da Presidência da República em despesas com cartões corporativos. O avanço ocorre em meio a episódios envolvendo gastos com viagens oficiais, hospedagens em hotéis de alto padrão, renovação do mobiliário do Palácio da Alvorada e outros itens associados ao cotidiano de luxo do petista e de Janja.
Levantamento com dados oficiais e auditados pelo Tribunal de Contas da União (TCU) aponta desembolso de R$ 55,4 milhões da Presidência em despesas com cartão corporativo no atual mandato. Em valores do Portal da Transparência corrigidos pela inflação, o primeiro mandato de Lula (2003-2006) ainda lidera o ranking de gastos com cartões corporativos da Presidência, com R$ 70 milhões. Em seguida vêm Lula 2 (R$ 57 milhões), Dilma Rousseff 1 (R$ 50 milhões), Jair Bolsonaro (R$ 39 milhões), Michel Temer (R$ 18 milhões) e Dilma 2 (R$ 12 milhões).
A tendência, porém, é de mudança ao fim do atual mandato. Após os R$ 55,5 milhões apurados até abril de 2025, resta ainda computar 20 meses de execução orçamentária, até dezembro de 2026. Mantido o ritmo médio de R$ 2 milhões por mês, o Lula 3 se encerrará com o maior gasto da série histórica dos cartões corporativos da Presidência desde a sua criação, em 2001. Em paralelo, os gastos com diárias e passagens do Executivo superam R$ 4,5 bilhões em três anos e meio. No mesmo período, o Palácio da Alvorada passou por ampla reforma e troca de móveis, ao custo de dezenas de milhões de reais, evocando debates sobre austeridade e transparência. O governo afirma que os desembolsos bilionários refletem necessidades operacionais, de segurança e de recomposição do patrimônio público. Os opositores, contudo, veem nos números inflados sinais de uma Presidência excessivamente dispendiosa e incompatível com a responsabilidade fiscal.

Casal presidencial mostra preferência por hotéis de alto padrão no exterior
Hospedagens em hotéis de alto padrão tornaram-se importante alvo de críticas à terceira passagem de Lula na Presidência. Suas missões oficiais priorizaram estabelecimentos cinco estrelas, como o InterContinental Paris Le Grand, o Le Negresco (Nice) e o Taj Palace (Nova Déli), de diárias caras.
Despesas do Lula 3 com hotelaria subiram de forma expressiva. Dos R$ 44 milhões desembolsados em viagens internacionais em 2025, cerca de R$ 18 milhões foram para hospedagem de comitivas. Gastos com hotéis atingiram R$ 20 milhões do orçamento anual de R$ 52 milhões para missões externas.
Embora parte das acomodações tenha sido custeada pelos países anfitriões ou integrada à logística oficial das visitas de Estado, parlamentares e órgãos de controle questionaram critérios de escolhas, o tamanho das comitivas e o patamar gasto em hotéis de alto luxo, sobretudo de Paris e Nova York. As críticas foram reforçadas pela clara dificuldade em se obter informações detalhadas sobre algumas viagens. No caso da ida de Janja a Nova York, em 2024, pedidos via Lei de Acesso à Informação (LAI) receberam respostas incompletas sobre hospedagem, alimentação e a origem dos recursos.

Sofá de R$ 65 mil e cama de R$ 42 mil chamaram atenção nos primeiros dias
Em abril de 2023, a Presidência comprou, com dispensa de licitação, sofá de R$ 65 mil e cama de R$ 42 mil para o Palácio da Alvorada. A justificativa foi a necessidade de recompor o mobiliário e substituir peças que estariam supostamente ausentes ou deterioradas quando Lula assumiu o governo. Os dois itens integraram amplo conjunto de compras. Antes, em fevereiro, foi noticiada a compra de 11 móveis por R$ 379 mil, sob mesma justificativa de recomposição do acervo. Os bens públicos de uso do casal presidencial que estariam “desaparecidos” estavam em um depósito da Presidência.
No fim de 2023, reportagens registraram a compra de tapete por R$ 114 mil para o Palácio do Planalto. Também foi citado um serviço de piso na sede da Presidência no valor de R$ 156 mil. A explicação apresentada para o tapete foi a intenção de conferir maior “brasilidade” à decoração.
Durante a visita oficial a Portugal, em abril de 2023, Janja publicou foto de Lula usando gravata da grife italiana Ermenegildo Zegna. Reportagens localizaram peça semelhante por 195 euros, então equivalente a R$ 1.093. Ela ressaltou nas redes sociais que fez a compra com dinheiro próprio.

Uso de peças caras do vestuário por Lula e Janja desperta a curiosidade
Após a posse, Lula e Janja não foram para o Palácio da Alvorada. Eles ficaram hospedados por 36 dias em hotel de Brasília, ao custo final de R$ 216,8 mil, enquanto a residência oficial era reformada. Segundo o governo, o contrato abrangia hospedagem do casal, serviços e acomodação de seguranças.
Também despertou curiosidade o valor do vestuário de Lula e Janja. Em viagens oficiais, Janja trajou peças de estilistas brasileiros avaliadas entre R$ 3 mil e R$ 7,4 mil, enquanto o casal foi fotografado usando calçados de marcas internacionais de luxo, com ampla repercussão nas redes sociais. Governo e aliados destacaram a valorização da moda nacional e lembraram que peças usadas em eventos públicos podem ser emprestadas ou cedidas por estilistas. Já a oposição comparou preços divulgados e a renda média da população, contrastando a imagem do casal com as camadas mais pobres.
O TCU monitora despesas com cartão corporativo da Presidência e órgãos federais via fiscalização específica. A Corte destaca que o instrumento é regular, destinado a despesas de pequeno vulto, emergenciais, logísticas, segurança e missões oficiais. Não foram apuradas irregularidades até agora.

Parlamentares, sociedade e órgãos de controle questionam gastos de Lula
Durante o terceiro mandato de Lula, gastos da Presidência e de Janja motivaram questionamentos de parlamentares, cidadãos, jornalistas e órgãos de controle. Os pedidos envolveram viagens, mobiliário, comitivas e estrutura de apoio, com cobranças por maior transparência. Dentre vários, o caso mais controverso foi a viagem de Janja a Nova York, em 2024. Respostas a pedidos via Lei de Acesso à Informação (LAI) só esclareceram passagens e seguro, sem indicar de forma conclusiva quem custeou hospedagem e alimentação. Houve atrasos e versões divergentes.
Questionamentos semelhantes foram endereçados a viagens à França e ao Japão, além da estrutura de assessores da primeira-dama. Embora parte das despesas estivesse disponível no Portal da Transparência, a oposição cobrou detalhes sobre comitivas, diárias, critérios de escolha e custos das missões. Os deputados Nikolas Ferreira (PL-MG), Gustavo Gayer (PL-GO) e Maurício Marcon (PL-RS), entre outros, criticaram duramente hotéis de luxo, grandes comitivas, mobiliário caro e sigilo ao esbanjamento. O governo se defende com protocolos oficiais e o TCU não viu indícios de irregularidade.

Especialista vê Presidência opulenta como contrária ao espírito republicano
Para o cientista político Ismael Almeida, o padrão de gastos no entorno de Lula destoa dos princípios republicanos.

A ostentação, mais associada a monarquias e ditaduras, conflita com as democracias nas quais agentes públicos devem buscar sobriedade e respeito ao bem coletivo”, observa.

Na avaliação de Almeida, as despesas com vestuário, viagens e hospedagens do atual governo contrastam com esse ideal e com o discurso do petista em defesa da população de baixa renda. Para ele, a percepção de luxo na Presidência gera desgastes diante da agenda para reduzir desigualdades. O atual mandato de Lula tem sido criticado por manter sob sigilo grande parte das despesas ligadas à segurança presidencial e dados sobre agendas e deslocamentos, apesar de o então candidato petista ter prometido, em 2022, ampliar a transparência e rever os chamados “sigilos de 100 anos”.
Seguem com detalhamento restringido gastos do cartão corporativo e de despesas da primeira-dama, sob a justificativa de segurança, privacidade ou ausência de cargo público. As auditorias do TCU indicaram que 99,5% das despesas do cartão corporativo estão protegidas por algum grau de sigilo. (Fonte: Gazeta do Povo)


Milei amplia rede de apoios internacionais da campanha de Flávio Bolsonaro

Estreitamento das relações com Javier Milei reforça a estratégia de Flávio Bolsonaro de vincular sua pré-candidatura a lideranças conservadoras (Foto: Reprodução/Presidência da Argentina)

Por Wesley Oliveira
A visita do presidente da Argentina, Javier Milei, ao Brasil, neste fim de semana, será mais um passo da estratégia de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de associar sua candidatura presidencial a lideranças conservadoras internacionais. Convidado para discursar na convenção nacional do PL, em São Paulo, o argentino se soma à agenda externa construída pelo pré-candidato após a aproximação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com quem esteve na Casa Branca em maio.
Além da participação na convenção, Milei cumprirá uma agenda política na capital paulista voltada ao fortalecimento dos laços com as principais lideranças do campo da direita brasileira. O presidente argentino também se reunirá com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), durante passagem dele por terras nacionais que ocorre sem previsão de encontro com Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A presença de Milei não se resume a um gesto protocolar. Ao convidá-lo para discursar no evento que marcará o início oficial da campanha de Flávio, o PL pretende explorar o prestígio do presidente argentino junto ao eleitorado conservador e reforçar o alinhamento da direita brasileira com governos e lideranças de perfil semelhante na América Latina. A aproximação entre Flávio e Milei ganhou força no fim de junho, quando o senador esteve em Buenos Aires para uma reunião na Quinta de Olivos, residência oficial da Presidência argentina. Na ocasião, o pré-candidato do PL disse que a conversa abordou o avanço da direita na América Latina e as reformas econômicas implementadas pelo governo argentino.

A Argentina era o nosso fantasma, o exemplo do que não fazer. Então, chegou Javier e cortou na própria carne do Estado com uma motosserra, reduziu os ministérios pela metade, acabou com os privilégios, equilibrou as contas públicas […] Enquanto Milei colocava ordem na sua casa, Lula desordenava a nossa”, disse Flávio na ocasião.

Ao publicar uma foto após o encontro, o argentino afirmou que “vem aí a onda azul pelas mãos de Flávio Bolsonaro”. Agora, a visita do presidente argentino também dá continuidade à estratégia internacional adotada por Flávio nos últimos meses. Em maio, o senador foi recebido por Donald Trump na Casa Branca, onde tratou de temas como segurança pública e cooperação bilateral. No dia seguinte ao encontro, os Estados Unidos anunciaram a classificação das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. A medida foi defendida por Flávio durante a reunião e explorada por aliados como demonstração de sua capacidade de articulação internacional.

Milei fortalece discurso da direita conservadora no Brasil
Para aliados de Flávio, a presença de Milei na convenção do PL tem peso simbólico, pois o argentino é visto como uma das principais referências do campo conservador na América Latina. Além disso, integrantes do PL avaliam que o encontro fortalece o apoio de lideranças estrangeiras ao nome do senador às vésperas do início oficial da campanha no Brasil.
Para o cientista político Elias Tavares, a influência de Milei sobre a direita brasileira é mais simbólica do que programática. Segundo ele, o presidente argentino tornou-se uma referência por representar a figura de um líder antissistema, cuja comunicação política dialoga diretamente com parte do eleitorado de Flávio.

Milei exerce principalmente uma influência simbólica e discursiva. Ele oferece à direita brasileira a narrativa do líder que confronta a classe política tradicional, denuncia a chamada ‘casta’, adota uma comunicação agressiva e promete realizar mudanças profundas”, afirma.

Na avaliação do especialista, a identificação da base conservadora com Milei está mais ligada ao personagem político do que às medidas adotadas por seu governo. “Milei influencia mais a linguagem, a estética e o comportamento político do que a formulação concreta de políticas públicas no Brasil. Sua figura dialoga fortemente com o bolsonarismo, mas não necessariamente representa toda a centro-direita brasileira”, diz.
Tavares avalia que a presença de Milei na convenção do PL tende a fortalecer essa conexão junto ao eleitorado mais fiel do ex-presidente Jair Bolsonaro, ainda que seus efeitos sobre segmentos moderados sejam mais limitados. “Há algum ganho eleitoral concreto, especialmente na mobilização e no entusiasmo da base mais ideologizada. No entanto, não acredito que uma fotografia com Milei, isoladamente, tenha força para ampliar significativamente a candidatura entre eleitores moderados”.
A passagem de Milei pelo Brasil, no entanto, não incluirá uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar em Brasília. O presidente argentino havia manifestado a intenção de encontrá-lo durante sua viagem ao país, mas o plano foi inviabilizado após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que manteve as restrições às visitas sociais autorizadas ao ex-presidente.

Além de Milei, campanha de Flávio mantém aposta em apoio de Trump
A aproximação com Javier Milei não é um movimento isolado da campanha de Flávio Bolsonaro. Nos últimos meses, o senador intensificou a interlocução com Trump. Um dia após o anúncio do governo norte-americano de classificar as duas maiores facções brasileiras como organizações terroristas estrangeiras, a medida passou a ser explorada por aliados do parlamentar como demonstração da capacidade de articulação internacional do pré-candidato. Para o cientista político Rodrigo Augusto Prando, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), segurança pública, soberania nacional e relações com os Estados Unidos tendem a ocupar espaço cada vez maior na disputa presidencial deste ano.

A relação entre Lula, Flávio Bolsonaro e Trump será observada permanentemente”, avalia. Segundo Prando, episódios recentes demonstram como acontecimentos internacionais passaram a influenciar diretamente o debate político brasileiro. “Rememore-se, por exemplo, que, em meados de 2025, o tarifaço de Trump e o ataque à soberania brasileira ajudaram a melhorar a aprovação de Lula”, aponta ele. A aproximação com Flávio também se insere em uma estratégia mais ampla de Donald Trump de demonstrar apoio público a aliados conservadores na América Latina.

Nos últimos anos, o presidente norte-americano manifestou apoio a lideranças como Milei; Daniel Noboa, no Equador; e Nasry Asfura, em Honduras, buscando fortalecer candidaturas e governos alinhados à sua agenda política. Na Argentina, por exemplo, Trump chegou a afirmar que ofereceu “muita ajuda” a Milei durante a campanha e voltou a elogiá-lo após o resultado das eleições legislativas, reforçando a aproximação entre os dois governos.
A cúpula do PL aposta que a associação de Flávio com Trump representa um ativo eleitoral. Para o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, o apoio formal do presidente dos EUA fortaleceria a candidatura do senador e poderia ampliar a aproximação entre Brasil e Estados Unidos.

[O apoio] ajuda muito, porque os Estados Unidos são o país mais rico do mundo. Eles têm 3% da população do mundo e 20% do montante de dinheiro do mundo. O que o Flávio quer é que eles venham produzir no Brasil para gerar empregos aqui. É isso que nós temos que fazer com quem tem dinheiro. E quem tem dinheiro é o Trump”, afirmou Valdemar ao SBT News.

Questionado se o endosso do presidente norte-americano poderia gerar desgaste eleitoral, o dirigente respondeu de forma categórica: “na minha opinião, ajuda”. Apesar disso, pesquisa PoderData/Aya divulgada em julho indica que o apoio trumpista pode não produzir o efeito esperado sobre o eleitorado brasileiro. Segundo o levantamento, 42% dos entrevistados afirmaram que um eventual endosso do presidente dos Estados Unidos a um candidato ao Palácio do Planalto teria impacto negativo na campanha do escolhido. Outros 32% avaliaram que o apoio seria positivo, enquanto 20% disseram que não faria diferença.
A pesquisa ouviu 2.400 eleitores em todo o país entre os dias 12 e 15 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-00059/2026. (Fonte: Gazeta do Povo)


Poder de compra do real despenca 87%, aponta cálculo com base no IPCA

(Foto: Getty Images)

O poder de compra do real encolheu cerca de 87% desde a criação do Plano Real, em julho de 1994, segundo cálculos baseados na inflação acumulada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial do IBGE. Na prática, isso significa que R$ 100 de hoje têm o mesmo poder de compra de aproximadamente R$ 12,71 em 1994. Da mesma forma, um produto que custava R$ 100 no lançamento do Plano Real exigiria atualmente cerca de R$ 787 para ser adquirido.
A perda do valor da moeda é consequência da inflação acumulada ao longo de mais de três décadas e afeta diretamente o orçamento das famílias brasileiras, principalmente em despesas essenciais como alimentação, energia elétrica, saúde, transporte e moradia. Os cálculos utilizam como referência a variação acumulada do IPCA, índice oficial de inflação calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Embora o Plano Real tenha conseguido controlar a hiperinflação que marcou o Brasil até 1994, o aumento contínuo dos preços ao longo dos anos reduziu gradualmente o poder de compra da moeda. A inflação não elimina o valor nominal do dinheiro, mas reduz sua capacidade de adquirir bens e serviços, tornando necessário um volume cada vez maior de recursos para manter o mesmo padrão de consumo observado décadas atrás. (Fonte: Hora Brasília)


Senado da Colômbia contraria Petro e aprova que Espriella tome posse no sul do país

Senado aprovou a transferência da cerimônia de posse do novo presidente para Cauca, mas deixou pendente se ela ocorrerá em uma guarnição militar, como desejado por Espriella (Foto: Getty Images)

Por Fábio Galão
O presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella, conseguiu sua primeira vitória no Legislativo do país, onde terá minoria: nesta quarta-feira (22), o Senado colombiano aprovou a transferência da cerimônia de posse do novo mandatário para o departamento de Cauca (sul).
Espriella vem insistindo em tomar posse — marcada para 7 de agosto — numa unidade militar no sul da Colômbia, para demonstrar apoio às forças armadas, mas o presidente em fim de mandato, Gustavo Petro, havia proibido essa cerimônia, alegando que a Constituição colombiana estabelece que a posse presidencial deve ocorrer perante o Congresso da República, localizado em Bogotá.
Nesta quarta-feira (22), o plenário do Senado aprovou, com 55 votos a favor e 32 contra, uma moção propondo a transferência temporária da sede do Congresso para o departamento de Cauca para a sessão de posse presidencial. Porém, segundo a agência EFE, ainda está pendente se a posse realmente ocorrerá em uma guarnição militar, o que deverá ser votado no Senado na terça-feira (28). A Câmara também precisa aprovar a transferência.
Durante o debate desta quarta-feira, o senador Germán Rodríguez, do partido Movimento de Salvação Nacional (legenda de Espriella), afirmou que realizar a posse presidencial em uma guarnição militar significaria “prestar essa honra, essa homenagem” aos militares e “exaltar os heróis da pátria”. (Fonte: Gazeta do Povo)


Governo Lula prevê gastar R$ 22,6 bilhões acima das receitas em 2026, aponta levantamento

(Foto: Getty Images)

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva prevê encerrar 2026 com despesas R$ 22,6 bilhões superiores às receitas registradas no orçamento atualizado da União. Os números foram levantados pelo Diário do Poder com base nos dados disponíveis no Portal da Transparência, administrado pela Controladoria-Geral da União. A previsão atualizada aponta R$ 6,34 trilhões em receitas e R$ 6,36 trilhões em despesas. A diferença corresponde a aproximadamente 0,3% do total de recursos que o governo espera arrecadar ao longo do ano.
Segundo o levantamento, o Portal da Transparência contabiliza até agora R$ 3,12 trilhões em receitas realizadas e cerca de R$ 3,1 trilhões em despesas. A plataforma federal considera receitas de diferentes origens, incluindo tributos, venda de títulos, prestação de serviços e outras entradas previstas no Orçamento da União.
Os valores totais do orçamento, contudo, não devem ser confundidos automaticamente com o resultado primário das contas públicas. A Lei Orçamentária de 2026 foi aprovada com meta de superávit primário de R$ 34,2 bilhões, indicador que desconsidera receitas e despesas financeiras, como juros e operações relacionadas à dívida pública.
O monitor Gasto Brasil apresenta outro retrato e registra aproximadamente R$ 3 trilhões em despesas diante de R$ 2,2 trilhões em arrecadação. Os números não são diretamente comparáveis aos do Portal da Transparência porque a plataforma reúne gastos primários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios, além de utilizar projeções atualizadas a partir de dados do Tesouro Nacional. (Fonte: Hora Brasília)


Trump diz que acordo nuclear só sairá do papel se Arábia Saudita estabelecer relações com Israel

Trump impôs condição para que acordo nuclear com fins pacíficos com o reino árabe seja concretizado (Foto: Getty Images)

Por Fábio Galão
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quinta-feira (23) que o acordo nuclear com a Arábia Saudita não prevê enriquecimento de urânio pelo reino e só será aplicado se o país árabe estabelecer relações diplomáticas com Israel.

O acordo de energia nuclear para fins civis (não haverá enriquecimento de material!) que está sendo firmado entre o Departamento de Energia dos Estados Unidos e a Arábia Saudita — e que diz respeito apenas a usos não militares, semelhantes aos que o Irã, os Emirados Árabes Unidos e outros já possuem — será aprovado, mas está totalmente condicionado à adesão da Arábia Saudita aos muito respeitados e bem-sucedidos Acordos de Abraão”, escreveu Trump na rede Truth Social.

Os Acordos de Abraão são compromissos que Trump intermediou no seu primeiro mandato (2017-2021) e por meio dos quais Israel já normalizou relações com quatro países islâmicos: Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Marrocos e Sudão. As negociações para que Israel e Arábia Saudita estabeleçam relações diplomáticas estão travadas desde o início da guerra dos israelenses contra o grupo terrorista Hamas na Faixa de Gaza, em 2023, conflito atualmente em cessar-fogo.

Os Estados Unidos não se opõem a instalações nucleares para fins civis (sem enriquecimento)”, enfatizou Trump nesta quinta-feira. Além da exigência sobre Israel feita pelo presidente americano à Arábia Saudita, o acordo ainda precisa ser aprovado pelo Congresso dos Estados Unidos.

O secretário de Energia americano, Chris Wright, e o ministro de Energia da Arábia Saudita, príncipe Abdulaziz bin Salman, assinaram na quarta-feira (22) o chamado Acordo 123, que, segundo comunicado do governo dos EUA, vai proporcionar às empresas americanas amplo acesso ao programa de energia nuclear saudita, sob “elevados padrões de segurança nuclear, proteção e não proliferação”. Apesar de os dois países garantirem que a parceria tem fins pacíficos, o anúncio do acordo tem gerado preocupações em Israel, onde políticos temem uma corrida nuclear armamentista no Oriente Médio. (Fonte: Gazeta do Povo)


Haroldo Filho

Jornalista – DRT: 0003818/ES Coordenador-geral da ONG Educar para Crescer

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