Internacional

Ex-assessor de Fauci confessa crime federal para ocultar e-mails sobre origens da covid-19

David Morens admitiu participação em esquema para ocultar comunicações oficiais sobre pesquisas relacionadas ao coronavírus

Em um desfecho que expõe um grave esquema de obstrução à transparência pública e má conduta científica, o epidemiologista David Morens, ex-assessor sênior do Dr. Anthony Fauci no Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID), declarou-se culpado perante a Justiça Federal dos Estados Unidos. Morens admitiu a acusação de conspiração para fraudar o governo americano ao arquitetar um plano deliberado para apagar e ocultar e-mails oficiais sobre as controversas bolsas de pesquisa de coronavírus ligadas ao laboratório de Wuhan.
O caso representa um duro golpe na credibilidade das agências de saúde pública dos EUA, confirmando que um dos mais altos funcionários do órgão atuava nos bastidores para burlar leis federais de acesso à informação e proteger interesses de financiadores privados. Morens, que agora aguarda a sua sentença oficial, aceitou o acordo de culpabilidade após ser confrontado com provas irrefutáveis obtidas por investigações do Congresso.

A tática ilegal de “fazer e-mails desaparecerem”
A confissão de Morens validou as denúncias de que ele operava um canal paralelo de comunicação para blindar debates sensíveis sobre a pandemia do escrutínio público. Utilizando sua conta pessoal do Gmail para tratar de assuntos de Estado, o cientista orientava parceiros externos sobre como evitar que suas conversas fossem interceptadas por jornalistas e cidadãos por meio da Lei de Liberdade de Informação (FOIA).
Em um dos e-mails mais comprometedores interceptados pelos comitês da Câmara, enviados em 2021, Morens vangloriava-se explicitamente de sua capacidade de burlar o sistema. Na mensagem, ele afirmava textualmente que havia aprendido a “fazer e-mails desaparecerem” e prometia deletar arquivos confidenciais assim que recebesse notificações de auditoria ou requisições de transparência.

Favores ocultos e financiamento a Wuhan
Para além do apagão de dados públicos, a admissão de culpa de Morens revelou um conflito de interesses financeiro e ético no coração do NIAID. O ex-assessor confessou ter usado sua influência no cargo público para tentar restaurar ilegalmente verbas federais destinadas à EcoHealth Alliance, a ONG responsável por repassar fundos para pesquisas de ganho de função com coronavírus de morcegos na China.
Como recompensa pela atuação clandestina para salvar o financiamento da entidade parceira, Morens aceitou vantagens e subornos disfarçados, que incluíam o recebimento de garrafas de vinho de luxo de seus interlocutores. Com a confissão de culpa, o ex-braço direito de Fauci enfrenta agora uma pena que pode chegar a cinco anos de prisão em regime fechado, com a sentença final programada pelo tribunal federal para novembro de 2026.

Fonte: Diário360

Luzimara Fernandes

Jornalista MTB 2358-ES

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