Mineração

Vale adquire 30% da mineradora Ligga na região de Carajás no Pará

Acordo inclui compra de toda a produção da mineradora e elevar capacidade para oito milhões de toneladas por ano

Por Tamires Oliveira

A Vale adquiriu 30% da Ligga S.A., mineradora que opera a Mina Ferro Sul, na região de Carajás, no Pará. O acordo, firmado em 18 de setembro, também estabelece um contrato exclusivo de longo prazo pelo qual a Vale comprará toda a produção atual e futura de minério de ferro da empresa. A transação coloca a Vale diretamente no capital de uma operação localizada próxima à sua principal infraestrutura logística na região. A mina da Ligga fica entre Curionópolis e Parauapebas, a cerca de 10 quilômetros da Estrada de Ferro Carajás (EFC), que conecta as áreas produtoras ao Terminal Marítimo de Ponta da Madeira, em São Luís (MA). O valor pago pela participação não foi informado pelas empresas. A Ligga não comentou a operação, enquanto a Vale confirmou o negócio.

Produção pode quadruplicar
A Ligga produz atualmente cerca de dois milhões de toneladas anuais de sinter-feed. O plano de expansão prevê elevar essa capacidade para oito milhões de toneladas por ano em dois anos, multiplicando por quatro o volume atual. A expansão já começou a ser implantada e possui licença de instalação da Semas. O projeto inclui uma nova planta de beneficiamento, estruturas de infraestrutura e uma conexão ferroviária própria. A previsão é que o novo sistema ferroviário comece a operar em junho de 2028, permitindo transportar o minério diretamente até a EFC e reduzindo a necessidade de movimentação por caminhões.
O investimento estimado no projeto é de aproximadamente R$ 500 milhões, com recursos provenientes do aporte da Vale e da geração de caixa da Ligga. Entre as principais obras está um ramal ferroviário de aproximadamente nove quilômetros, além da nova unidade de concentração e beneficiamento.

Reservas de 1,5 bilhão de toneladas
O interesse da Vale também está relacionado ao potencial mineral da área. De acordo com informações apuradas pelo Estadão, a Ligga possui cerca de 1,5 bilhão de toneladas em reservas certificadas de minério de ferro. Além do sinter-feed produzido atualmente, a jazida apresenta potencial para exploração de itabirito e, futuramente, produção de pellet-feed. Com teor de ferro próximo de 67%, esse produto é utilizado em processos de redução direta, uma rota tecnológica associada à produção de aço com menor intensidade de emissões de carbono.
A estrutura logística da Vale é outro componente importante da operação. Com a integração à EFC, a produção da Ligga poderá utilizar o corredor que leva o minério até Ponta da Madeira, de onde a commodity é embarcada para clientes internacionais. Segundo a Vale, a parceria permite ampliar a flexibilidade de seu portfólio em Carajás e obter acesso a volumes minerais considerados estratégicos. A companhia também destacou que o modelo permite incorporar reservas já consolidadas sem reproduzir os investimentos e os prazos regulatórios associados a novos projetos greenfield.

Vale em Carajás
A nova parceria amplia a presença da Vale em uma região que já representa parcela significativa de sua produção de minério de ferro. Em 2025, a companhia produziu 336 milhões de toneladas de minério de ferro nos sistemas Sul e Norte. Do total, 177,5 milhões de toneladas foram produzidas no complexo de Carajás, com predominância de sinter-feed.
A Ligga iniciou a operação da mina Ferro Sul em 2022, com produção de aproximadamente 600 mil toneladas. O volume evoluiu para um milhão de toneladas e, posteriormente, para os atuais dois milhões de toneladas anuais. A origem do empreendimento está no grupo Santa Elina, que entrou no setor de minério de ferro em 2011 com a criação da Rio Minas Mineração. Em 2021, a companhia passou a se chamar Ligga após uma joint venture com a Cosan.
A parceria tinha como objetivo integrar as reservas da Ligga a um projeto portuário da Cosan em São Luís. O plano não avançou como inicialmente previsto e, em 2026, os acionistas decidiram encerrar a joint venture. O grupo Santa Elina, controlado pela família Brito, também atua nos segmentos de ouro, zinco e chumbo. A família é ainda a principal acionista da Aura Minerals, mineradora de ouro listada na Nasdaq e na B3 por meio de BDRs. Com a entrada da Vale, a Ligga passa a ter uma integração mais direta com a infraestrutura ferroviária e portuária de Carajás, enquanto a Vale amplia seu acesso a uma base de recursos minerais localizada próxima às operações que já mantém no Pará.

Fonte: Revista Mineração

Luzimara Fernandes

Jornalista MTB 2358-ES

Related Posts

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *