Brasileiros gastam mais de duas horas em deslocamento diário

Estudo em dez capitais aponta aumenta no tempo médio gasto diariamente nos deslocamentos
Quem vive nas capitais está perdendo mais tempo diariamente em seus deslocamentos. Em média, duas horas e cinco minutos, segundo a Pesquisa Viver nas Cidades: Mobilidade Urbana, realizada pelo Instituto Cidades Sustentáveis (ICS) e pela Ipsos-Ipec. Trata-se de um aumento de nove minutos em relação ao levantamento de 2025. Lançada na última quinta-feira (24), a pesquisa ouviu 3.500 internautas de 16 anos ou mais, das classes ABCDE, que moram, há pelo menos dois anos, em dez capitais: Manaus, Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e Goiânia.
O levantamento faz um retrato da mobilidade urbana do país. Entre os destaques, o trabalho mostra que quem utiliza o transporte coletivo como principal meio de locomoção passa, em média, duas horas e 17 minutos por dia em trânsito, 30 minutos a mais do que os usuários de transporte individual. Além disso, quatro em cada dez entrevistados passam mais de uma hora e 30 minutos por dia em seus deslocamentos pela cidade onde moram. Apenas 6% levam até meia hora.
Tempo de deslocamento aumenta
Apenas duas capitais, Manaus e Belém, registraram redução no tempo médio de deslocamento diário em relação ao levantamento do ano passado.

Fortaleza registrou o maior tempo médio em 2026, com duas horas e 18 minutos, e também o maior aumento na comparação com a pesquisa do ano passado: 20 minutos. Rio de Janeiro aparece em seguida, com duas horas e 10 minutos, enquanto Recife e São Paulo chegaram a duas horas e sete minutos. Porto Alegre manteve a menor média entre as cidades pesquisadas, mas ainda assim alcançou uma hora e 37 minutos por dia.
Ônibus segue como principal meio de transporte
O ônibus, BRT ou Move continua sendo o meio de transporte usado com mais frequência, citado por 35% dos respondentes. O carro particular aparece em segundo lugar, com 18%, seguido por carro de aplicativo, metrô e deslocamento a pé, com 8% cada. No conjunto, 54% utilizam algum tipo de transporte coletivo como principal opção e 44%, meios individuais.

O transporte coletivo é utilizado ao menos ocasionalmente por 78% dos entrevistados, considerando o total da amostra. Seu uso é mais frequente entre pessoas de menor renda e integrantes das classes C e D/E. Entre os usuários de ônibus municipais, BRT ou Move, 24% apontam a lotação como o problema mais urgente e 20%, o preço da tarifa. As condições dos veículos aparecem com 12%, seguidas por segurança, pontualidade e frequência, todas com 10%.
A pesquisa mostra ainda que o preço da passagem interfere em atividades básicas e sociais. Entre os usuários de ônibus, BRT ou Move, 63% afirmam que sempre ou às vezes deixam de visitar amigos ou familiares em outros bairros por causa do custo. A mesma restrição atinge 59% para parques, cinemas e outras atividades de lazer; 51% para consultas médicas ou exames; 44% para procurar emprego; e 33% para frequentar escola ou universidade.
Os efeitos são maiores entre os jovens e as famílias de menor renda. Entre quem recebe até dois salários mínimos, 69% deixam sempre ou às vezes de visitar amigos ou familiares e 67% reduzem as atividades de lazer. Na busca por emprego, o percentual chega a 54% entre pessoas de 16 a 24 anos e integrantes das classes D/E. Sobre a tarifa zero, 25% consideram que a medida poderia ser positiva, desde que sejam melhoradas a qualidade e a frequência do serviço. Outros 22% associam a gratuidade à ampliação do acesso e à redução da exclusão social, e 16% acreditam que ela poderia reduzir o uso do carro, o trânsito e as emissões de poluentes.
Insegurança na caminhada

A insegurança também condiciona a mobilidade urbana. No conjunto das capitais, 80% dos respondentes dizem se sentir pouco ou nada seguros ao atravessar ruas, caminhar pelas calçadas ou utilizar passarelas, pontes e viadutos. Entre as mulheres, o percentual chega a 85%. O Rio de Janeiro apresenta o maior índice de insegurança, com 87%, seguido por Belém e Fortaleza, ambas com 83%. Goiânia tem a melhor percepção relativa entre as cidades pesquisadas, embora 62% ainda se declarem pouco ou nada seguros. Em relação a 2025, houve redução de oito pontos percentuais na insegurança em Manaus e Porto Alegre; no total da amostra, o indicador permaneceu estável.
Fonte: CicloVivo




