Economia

A necessária superação de barreiras para os jovens químicos do ES empreenderem

É sabido que o jovem brasileiro cultiva a intenção de empreender. “De acordo com pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em parceria com o Instituto de Pesquisa IDEIA, o empreendedorismo é o desejo profissional de três a cada dez jovens brasileiros até os 27 anos”, segundo https://agenciasebrae.com.br/cultura-empreendedora/empreendedorismo-entre-os-jovens-segue-em-alta/.
Desta forma, não surpreende que os jovens capixabas tenham no seu horizonte profissional esta opção, que está intimamente ligada ao desejo de criar, inovar e gerenciar a transformação de uma ideia ou produto em algo que, aliado à independência financeira traz pleno sentimento de realização pessoal.
Em especial, isso claramente se aplica aos jovens que dedicam sua formação à área da Química, sendo repletos os exemplos que confirmam essas trajetórias empreendedoras. Para ilustração, temos no cenário internacional e histórico, o caso do químico industrial belga Ernest Solvay, que fundou a Solvay em 1863 com apenas 23 anos de idade. Ele patenteou um método revolucionário e econômico para a produção de carbonato de sódio (barrilha), transformando sua startup em uma gigante multinacional da indústria química que opera até os dias de hoje. (Fonte: https://www.britannica.com/biography/Ernest-Solvay).
Merece destaque portanto importante pesquisa feita pelo SEBRAE/ES com 500 universitários capixabas, estudantes de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (área identificada pelo acrônimo em inglês STEM), em agosto de 2026, que demonstrou seu forte interesse em empreender.

“Quase metade desse público (46%) pretende abrir o próprio negócio e, entre eles, sete em cada dez (70,4%) demonstram interesse por empreendimentos de base tecnológica”, segundo https://es.agenciasebrae.com.br/inovacao-e-tecnologia/tecnologia-impulsiona-o-empreendedorismo-entre-universitarios-capixabas/.
Na referida matéria, a analista de Inovação do Sebrae/ES, Vanessa Gusmão, relata que “a pesquisa revela que o modelo tradicional de carreira linear, em que o profissional ingressa jovem e permanece muitos anos na mesma empresa, já não é tão atrativo para as novas gerações das áreas STEM. Para ela, as empresas precisam estar atentas e adotar práticas mais alinhadas às expectativas desse público”.
Neste sentido, os jovens universitários do ES, da área da Química, poderiam se inspirar em um interessante caso de sucesso, o PROPEQ (Projeto e Pesquisa em Engenharia Química), que foi a primeira Empresa Júnior de Engenharia Química do Brasil. Sediada em Campinas/SP, foi fundada em abril de 1991 por estudantes da Faculdade de Engenharia Química da Unicamp. Seu endereço eletrônico merece ser visitado pelos interessados neste tema: https://propeq.com/.

Uma importante rede de apoio na construção destes ecossistemas pode ser encontrada no reconhecido trabalho desenvolvido pelo SEBRAE, sendo válido também destacar uma iniciativa de caráter internacional, com resultados impressionantes, mas pouco conhecidos ainda no ES, a Junior Achievement, que se propõe a “preparar jovens para o sucesso por meio de ações e projetos sociais, conectando jovens, empresas, escolas e voluntários”. (Fonte: https:// https://jabrasil.org.br/).
Empreender logo após a formatura traz grandes desafios, principalmente pela falta de experiência prática no mercado e pela escassez de capital inicial. De forma resumida, pode-se apontar os principais riscos aos jovens empreendedores, segundo https://jabrasil.org.br/empreendedorismo-jovem/.

(Foto: Magnific)

Desafios de gestão e operação:
● Falta de experiência prática:
a ausência de vivência anterior no mercado de trabalho dificulta a tomada de decisões estratégicas e operacionais rápidas;
● Gestão financeira deficiente: compreender fluxo de caixa, capital de giro, carga tributária e precificação correta costuma ser um grande obstáculo para quem nunca lidou com finanças empresariais;
● Burocracia e legalização: o processo de abertura de empresas, escolha do regime tributário adequado e obtenção de alvarás no Brasil é complexo e intimidador.

Recursos e conexões:
● Acesso limitado a capital:
bancos e investidores costumam exigir histórico financeiro ou garantias que o jovem recém-formado ainda não possui, dificultando a obtenção de crédito;
● Networking restrito: a rede de contatos (networking) do recém-formado geralmente é composta por outros estudantes, o que limita o acesso a fornecedores estratégicos, investidores e grandes clientes;
● Dificuldade em formar equipes: atrair e reter talentos profissionais qualificados é um desafio quando a empresa ainda é nova e possui poucos recursos para oferecer salários competitivos.

Fatores emocionais e de mercado:
● Medo do fracasso:
a pressão social e a insegurança sobre o próprio conhecimento técnico geram ansiedade e podem paralisar o empreendedor;
● Falta de validação do produto/serviço: é comum o recém-formado criar um negócio baseado em teorias acadêmicas sem antes testar se o mercado realmente precisa ou está disposto a pagar por aquela solução.
O empreendedorismo jovem é essencial para impulsionar a inovação, promover a independência financeira e gerar transformação social nas comunidades. Para que se efetive em opção natural de carreira é fundamental que as instituições de ensino, agentes públicos, órgãos estatais e setores empresariais consolidados busquem estratégias e alternativas que ampliem a sobrevivência e sucesso destas iniciativas. O futuro do ES agradece.

Robson Valle

Engenheiro químico, vice-presidente da Associação Profissional dos Químicos do ES (Aproquimes) Página pessoal: https://rvalle.com.br/eqes/

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