Política

União Europeia vai confrontar boletins de urna com resultados oficiais do TSE

Relatório impresso contém informações como o número total de votos da urna e quanto cada candidato recebeu, além do total de brancos e nulos

Por Ana Carolina Curvello

A Missão de Especialistas Eleitorais da União Europeia vai confrontar amostras de dados de boletins de urna coletados durante as eleições brasileiras com os resultados publicados oficialmente pela Justiça Eleitoral. A iniciativa faz parte do trabalho de análise do processo eleitoral brasileiro, que continuará até novembro e resultará em um relatório final.
Segundo Tânia Marques, portuguesa que lidera a missão europeia, os especialistas não realizaram pesquisas de intenção de voto, projeções ou qualquer tipo de apuração paralela. A equipe coletou dados de alguns boletins de urna para verificar posteriormente se os resultados produzidos pelas urnas correspondem aos dados publicados pela Justiça Eleitoral. A comparação é feita por meio de metodologia específica e não é uma recontagem de votos.

A missão não realiza pesquisas ou projeções. Sua análise é baseada em dados concretos e factuais”, afirmou Tânia à Gazeta do Povo. “No dia da eleição, a missão coleta dados de alguns boletins de urna e os contrastará com os resultados publicados, a fim de avaliar a exatidão dos dados produzidos pela urna em relação aos dados publicados”.

A conferência ocorre em uma etapa específica do processo eleitoral. Ao fim da votação, cada urna eletrônica contabiliza os votos registrados naquela seção e emite o Boletim de Urna (BU). Os dados são posteriormente transmitidos aos sistemas da Justiça Eleitoral e reunidos na totalização nacional. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) disponibiliza os boletins para consulta pública, e a Missão da UE vai fazer a comparação entre os dados registrados em cada seção e os resultados totalizados pela Justiça Eleitoral.

O que a UE pode concluir
A coleta de boletins permite que a missão faça uma verificação independente e limitada da correspondência entre os dados produzidos pelas urnas e aqueles divulgados oficialmente. Isso, no entanto, não significa que a União Europeia esteja fazendo uma recontagem dos votos ou uma auditoria integral do sistema eleitoral. A própria missão ressalta que sua análise é baseada em uma amostra de boletins e faz parte de uma avaliação mais ampla de todo o processo eleitoral.
Caso seja identificada alguma inconsistência ou irregularidade, o procedimento previsto é compartilhar a informação com a Justiça Eleitoral para análise. Eventuais problemas também poderão ser registrados no relatório final da missão. A missão poderá ainda apresentar recomendações para eleições futuras, envolvendo temas como legislação, administração eleitoral, tecnologia, contencioso e participação da sociedade civil.

Primeira missão eleitoral da UE no Brasil
A atuação de 2026 também tem um caráter inédito. Segundo Tânia Marques, esta é a primeira vez que a União Europeia envia uma missão eleitoral ao Brasil. A equipe atual, contudo, não é uma missão tradicional de observação eleitoral. Nesse modelo, mais de uma centena de observadores costuma ser enviada a diferentes regiões do país, incluindo áreas urbanas e rurais, para acompanhar o processo durante várias semanas.
A missão de especialistas que está no Brasil é menor e tem como objetivo produzir uma análise técnica e abrangente do processo, sem a mesma cobertura territorial de uma missão tradicional de observação. Também não está prevista uma declaração pública imediatamente após a eleição.
O trabalho continuará nas próximas semanas. Conforme Tânia, a missão permanecerá no Brasil até novembro, quando deverá produzir um relatório final com as observações feitas ao longo do processo eleitoral. Assim, a coleta dos boletins de urna no primeiro turno é apenas uma das etapas de uma análise que ainda não foi concluída.

Missão acompanhou preparação tecnológica
A missão chegou a Brasília em 26 de agosto, a convite do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e é formada por cinco especialistas. Desde então, acompanhou diferentes etapas da organização das eleições, incluindo administração eleitoral, registro de candidatos, campanha, tecnologia, legislação e contencioso eleitoral. Além de Brasília, os especialistas estiveram em São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Minas Gerais, onde se reuniram com tribunais regionais eleitorais, partidos políticos, autoridades públicas e organizações da sociedade civil.
A equipe também acompanhou a preparação dos sistemas eleitorais no TSE e nos tribunais regionais. Na véspera do primeiro turno, o TSE realizou uma verificação pública da integridade e autenticidade dos sistemas responsáveis pela transmissão, recebimento e totalização dos resultados. O procedimento confirmou, por meio de assinaturas e resumos digitais, que os programas instalados correspondiam aos sistemas previamente inspecionados, assinados e lacrados.
Durante o primeiro turno, os especialistas europeus acompanharam presencialmente operações nas seções eleitorais, incluindo a identificação dos eleitores, o encerramento da votação, a emissão dos boletins de urna e a transmissão dos resultados.

Fonte: Gazeta do Povo

Luzimara Fernandes

Jornalista MTB 2358-ES

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