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Quem são os donos dos principais institutos de pesquisa do Brasil

A credibilidade dos institutos é fundamental para eles seguirem atuando

Por Tiago Cordeiro

No início de outubro, o Tribunal Superior Eleitoral implementou aprimoramentos no Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais (PesqEle). O objetivo é exigir informações mais detalhadas dos institutos. O TSE informa que, além dos campos já existentes, os institutos de pesquisa deverão informar com mais detalhes a representatividade da amostra, com a descrição da população representada, a classificação do plano amostral, o tamanho projetado, o nível de confiança e a margem de erro máxima esperada. Também exige que sejam detalhados os procedimentos de campo utilizado para acessar o eleitorado, com indicação sobre o uso de mídias, como áudios, vídeos ou imagens na aplicação da entrevista.
As mudanças já valem ao longo do segundo turno das eleições de 2026, e acontecem depois de, mais uma vez, boa parte dos institutos apresentar pesquisas que apresentaram resultados muito diferentes do observado nas urnas – e para além da margem de erro. Se em 2024 o senador Ciro Nogueira (PP-PI) propôs um projeto de lei que estabelecesse punições para os institutos que errassem em seus levantamentos realizados às vésperas do pleito, em 2026 o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) reafirmou a intenção de propor uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar a atuação das empresas. O PL de dois anos atrás aguarda votação na Comissão de Defesa da Democracia.

Discrepâncias
Em 2022, às vésperas no primeiro turno das eleições presidenciais, o Datafolha previa que Jair Bolsonaro alcançaria 36% dos votos válidos, dois pontos percentuais abaixo do indicado pela Quaest. Mas as urnas deram a ele 43%. Em 2026, dos seis principais institutos que publicaram pesquisas na reta final da campanha, apenas o Gerp identificou que o candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) terminaria à frente de Lula (PT-SP). Enquanto isso, PoderData (45% a 43%), Datafolha (45% a 42%) e Quaest (46% a 45%) registravam empate técnico, dentro da margem de erro, com vantagem numérica para o petista. E outros dois levantamentos indicavam a liderança mais sólida de Lula: a CNT/MDA apontava 47,8% dos votos válidos para o candidato do PT, contra 42,1% para Flávio, enquanto a AtlasIntel registrava 47% a 44,1%. Outros dois institutos haviam divulgado pesquisas na semana anterior à eleição. No levantamento feito pelo Veritá, Flávio aparecia ligeiramente à frente: 45,14% contra 44,65% de Lula. Na pesquisa do Futura (100% Cidades), Flávio tinha 44,8% contra 42,6% de Lula.

Metodologia das pesquisas citadas
● Gerp:
2.400 entrevistados pela Gerp de 30 de setembro a 2 de outubro de 2026. A pesquisa foi contratada pelo próprio instituto. Nível de confiança: 95,55%. Margem de erro: 2 pontos percentuais. Registro no TSE n.º BR-00509/2026.
● PoderData: 4.000 entrevistados pela PoderData de 30 de setembro a 2 de outubro de 2026. A pesquisa foi contratada pelo próprio instituto. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 1,5 ponto percentual. Registro no TSE sob o n.º BR-03519/2026.
● CNT/MDA: 2.007 entrevistados pelo instituto MDA de 30 de setembro a 2 de outubro de 2026. A pesquisa foi contratada pela Confederação Nacional do Transporte. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2,2 pontos percentuais. Registro no TSE sob o n.º BR-04756/2026.
● Datafolha: o Datafolha entrevistou 4.006 pessoas em 3 de outubro de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi contratado pela Folha de S.Paulo e pelo Grupo Globo de Comunicação e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-01708/2026.
● Quaest: 3.702 entrevistados pela Quaest de 02 a 03 de outubro de 2026. A pesquisa foi contratada pela Editora Globo e pela Globo Comunicação e Participações S.A. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos percentuais. Registro no TSE sob o n.º BR-02197/2026.

● AtlasIntel: 4.945 entrevistados pela AtlasIntel de 27 de setembro a 2 de outubro de 2026. A pesquisa foi contratada pelo próprio instituto. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 1 ponto percentual. Registro no TSE sob n.º BR-00999/2026.
● Futura (100% Cidades): 2.000 entrevistados pela 100% Cidades Participações Ltda. (Futura Consultoria e Assessoria Ltda.) de 29 de setembro a 03 de outubro de 2026. A pesquisa foi contratada pela própria Futura Consultoria e Assessoria Ltda. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2,2 pontos percentuais. Registro no TSE sob o n.º BR-02431/2026.
● Veritá: 40.500 entrevistados pelo Instituto Veritá de 20 a 25/09/2026. A pesquisa foi contratada pelo Sistema de Comunicação Pantanal Ltda./Rede Brasil de Televisão. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: varia de 2,0 a 3,5 pontos percentuais conforme a UF. Registros no TSE (abrangendo os estados e o Distrito Federal): AC (BR-03117/2026 e BR-07097/2026), AL (BR-03222/2026), AM (BR-04439/2026), BA (BR-02546/2026), CE (BR-09888/2026), DF (BR-06774/2026), ES (BR-04515/2026), GO (BR-08745/2026), MA (BR-02757/2026), MG (BR-09269/2026), MS (BR-03436/2026), MT (BR-04418/2026), PA (BR-01684/2026), PB (BR-05105/2026), PE (BR-06969/2026), PI (BR-05209/2026), PR (BR-06446/2026), RJ (BR-05600/2026), RN (BR-02817/2026), RO (BR-03566/2026), RR (BR-05265/2026), RS (BR-04324/2026), SC (BR-07078/2026), SE (BR-04761/2026), SP (BR-04131/2026) e TO (BR-00467/2026).

Conheça agora o perfil de cada uma dessas empresas
● Gerp
Fundação: 1983
Cidade-sede: Niterói (RJ)
Metodologia: Entrevista Telefônica Assistida por Computador (Cati, na sigla em inglês), com entrevistadores treinados e supervisão das ligações. “O controle eletrônico reduz fraudes, repetições e interferências externas, enquanto a maior privacidade da entrevista telefônica pode favorecer respostas mais espontâneas”, explicou à Gazeta do Povo o presidente do instituto, Gabriel Pazos.
A quem pertence: Gabriel Pazos, presidente e fundador.

● PoderData
Fundação: 2017
Cidade-sede: Brasília (DF)
Metodologia: entrevistas telefônicas automatizadas e ponderação demográfica.
A quem pertence: Grupo de comunicação Poder360, que pertence aos jornalistas Fernando Rodrigues e Mariângela Gallucci e ao empresário Frederico Trajano, CEO do Magazine Luiza.

● Datafolha
Fundação: 1983
Cidade-sede: São Paulo (SP)
Metodologia: as entrevistas são realizadas de forma presencial, com agentes posicionados em pontos de fluxo para abordar os eleitores.
A quem pertence: Grupo Folha, conglomerado de mídia controlado pela família Frias.

● Quaest
Fundação: 2016
Cidade-sede: Belo Horizonte (MG)
Metodologia: a abordagem é presencial e se dá nos domicílios dos entrevistados.
A quem pertence: Felipe Nunes, professor de políticas públicas e sócio-fundador.

● MDA
Fundação: o Instituto MDA foi fundado em 1988. Em 2012, tornou-se parceiro da Confederação Nacional do Transporte (CNT).
Cidade-sede: Lavras (MG)
Metodologia: presencial domiciliar.
A quem pertence: o diretor é o estatístico Marcelo Souza Brasil.

● AtlasIntel
Fundação: 2013
Cidade-sede: São Paulo (SP)
Metodologia: on-line.
A quem pertence: Andrei Roman, cientista de dados, é o fundador e CEO.

● Veritá
Fundação: 1995
Cidade-sede: Uberlândia (MG).
Metodologia: quantitativa por meios digitais e interativos de amostragem por cotas (IVR / questionário informatizado).
A quem pertence: fundado por Orlei Moreira e com gestão executiva de Adriano Silveira.

● Futura
Fundação: 1992
Cidade-sede: Vitória (ES)
Metodologia: quantitativa realizada por meio telefônico (CATI – Computer-Assisted Telephone Interviewing).
A quem pertence: a empresa está associada ao ecossistema de investimentos e inteligência empresarial ligado ao empresário Fernando Cinelli (Apex/100% Cidades).

Credibilidade em xeque
Ao longo do debate que antecedeu a implementação de mudanças nas normas para registro das pesquisas, o TSE chegou a debater a criação do “Selo Acurácia Eleitoral”, que reconheceria os institutos que conseguissem se aproximar dos resultados reais. Mas a proposta não seguiu adiante, sob a alegação de que as pesquisas não representam necessariamente previsões do resultado, mas sim um retrato de momento.
Rodrigo Rossi Horochovski, professor de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR), afirma que os institutos têm encontrado dificuldades ao longo das últimas eleições. “Se um instituto se baseia apenas em entrevistas em pontos de fluxo de pessoas, ele perde alguns públicos, como quem trabalha em home office. As empresas têm buscado alternativas para contornar esse problema. Uma delas é criar, artificialmente, ponderações para estimar a opinião desse público que não é facilmente encontrável, mas nesse caso o risco de cometer imprecisões é muito grande”.

A credibilidade dos institutos é fundamental para eles seguirem atuando. Mas, como aponta Horochovski, essas empresas vêm sendo questionadas. “Existe um movimento de descrédito dos institutos. Alguns já foram varridos do mercado por errar de forma consistente”, afirma o professor.
Um caminho para avaliar as pesquisas com mais segurança, recomenda Horochovski, é focar mais na trajetória do que nos números de um levantamento específico. “Em geral, a tendência de crescimento de Flávio Bolsonaro no final do primeiro turno foi identificada. Para o segundo turno, com apenas duas opções para o leitor, a tendência é de haver menos erros”.

Fonte: Gazeta do Povo

Luzimara Fernandes

Jornalista MTB 2358-ES

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