Economia Indústria

Fundão diante de uma decisão histórica

Crescer com a indústria ou assistir ao desenvolvimento passar por suas fronteiras? Eis a pergunta

Enquanto a Serra amplia sua força industrial e logística por décadas e o município de Aracruz vem atraindo, com toda força, investimentos portuários e metalmecânico, Fundão tem pela frente uma escolha decisiva que é transformar sua localização estratégica em empregos e receitas ou, colocar-se como mero expectador em uma arquibancada assistindo ao crescimento passar por suas divisas. A implantação de um polo industrial planejado precisa deixar o campo das intenções e entrar na agenda concreta do município.
A Serra reúne todos os setores industriais, a metalmecânica, a siderurgia, as operadoras logísticas e fornecedores ligados ao setor de petróleo, gás e energia. Por sua vez, Aracruz combina a indústria de celulose com estruturas como o Portocel, Estaleiro Seatrium na construção de módulos de plataformas petrolíferas e embarcações marítimas além do complexo portuário da Imetame, ampliando perspectivas para o transporte, armazenagem e serviços especializados. Todo esse dinamismo estimula a construção civil, o mercado imobiliário e setores de serviços essenciais como hoteleira, restaurantes e a de comércio em geral. Nesse universo de oportunidades onde fica Fundão? O que vem sendo feito pelo poder público?

Fundão conta com a BR 101 e a ES-010, acessos importantes que conectam estes mercados. Não seria o momento de deixar a timidez de lado e intensificar de maneira mais arrojada o projeto do Polo Industrial? Isoladamente não gera prosperidade. A palavra é conexão.
Sem infraestrutura e regras claras e o mais importante, incentivos, investidores e empreendedores, certamente, vão para onde encontram melhores condições.
São diversas oportunidades como manutenção, fabricação metalmecânica, revestimentos, logística, apoio à cadeia petrolífera (óleo, gás e energia) e processamento agroindustrial. Além dos postos de trabalho diretos, surgiriam chances para transportadores, técnicos, oficinas, restaurantes, fornecedores e micro e pequenas empresas. O consumo nos comércios aumentaria, a construção civil entraria em outro patamar atendendo à demanda por instalações e moradias e os produtores rurais ampliariam negócios por meio do beneficiamento e distribuição de alimentos.

Para o município, mais atividade formal e, certamente, aumento na receita. Nada de improviso, a proposta exige critérios bem definidos. É necessário identificar terrenos compatíveis com o Plano Diretor, avaliar acesso rodoviário, energia, água, saneamento, impactos ambientais e custos de implantação. A gestão pública tem o dever de apresentar estudos de viabilidade e uma estratégia de atração, com metas, prazos e transparência.
Ao Legislativo cabe discutir os instrumentos urbanísticos e eventuais incentivos, sempre com responsabilidade fiscal e segurança jurídica. Tornar público os projetos e estudos existentes, permitindo que empresários e cidadãos acompanhem decisões e cobrem resultados. Sem documentação oficial confirmada, não é correto atribuir números ou estágios de tramitação a quaisquer que sejam as propostas.

Nosso município não precisa reproduzir o modelo de Serra ou Aracruz, podemos ocupar um espaço complementar na cadeia produtiva da região, valorizando sua vocação rural e sua posição logística. Para isso, poder público, setor privado e sociedade precisam construir uma agenda comum. O custo da inércia é alto para a sociedade e a pergunta não é se Fundão tem potencial, mas quando começará, efetivamente, a agir e se transformar em um município com olhar para o desenvolvimento. O momento de planejar e decidir é agora, você não acha?

Willians Lima

Especialista em Revestimento Anticorrosivo

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