Política

PT lança candidatura própria a prefeito em Vitória

Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores (PT) de Vitória, por unanimidade, escolheu o nome de João Coser para concorrer à prefeitura da capital

No último sábado (13), o Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores (PT) de Vitória, por unanimidade, escolheu o nome de João Coser para concorrer à prefeitura da capital. João Carlos Coser, nascido em Santa Teresa, em 13 de março de 1956, é advogado e político. Com dois mandatos consecutivos de deputado estadual (1987-1995), dois como deputado federal (1995-2003), em 2005, assumiu a prefeitura de Vitória por dois mandatos.
Entrevistado pela coluna Olhar de Uma Lente, do jornal Fatos & Notícias, iniciou sua fala se desculpando por ter dito, em entrevista, no último mês de fevereiro, não haver nenhuma pretensão em concorrer à prefeitura no pleito eleitoral deste ano.
“Como eu dei uma entrevista para você dizendo que não seria candidato, tenho a obrigação de pedir desculpas a você, porque eu fui honesto, mesmo porque, naquele momento eu não tinha essa pretensão. Mas, naturalmente, fui provocado por parte da sociedade capixaba, povo de Vitória, em função do perfil dos meus mandatos. Quando as eleições se aproximam, começam a falar mais nisso. Tive muita cobrança interna de aliados, servidores, militantes e, em especial, uma chamada muito grande do presidente Lula e da Gleisi Hoffmann, a presidente da nacional. Em função do ambiente político do momento, o PT se sente na obrigação de colocar os melhores quadros para defender o legado do partido, deixado pelos governos Lula e Dilma, e defender o nossa história local (Vitória). Eles nos chamaram para a responsabilidade. Se você está em condições naturais, é importante que você se coloque para fazer o debate local linkado ao debate nacional”, justificou Coser.

Ponte da Passagem, visão panorâmica (Foto: Prefeitura Municipal de Vitória)

“Tivemos dois governos do partido a nível nacional, oito anos de Lula e seis anos da Dilma e a nossa avaliação é que foram muito positivos para as vidas das pessoas, com as políticas sociais de inclusão, com emprego, salário mínimo crescendo acima da média, programas como Bolsa-Família, programas de transferência de renda… eles deram dignidade às pessoas mais simples e oportunidade para que essas pessoas estudassem com o Programa Universidade para Todos (ProUni), nos Institutos Federais de Educação (Ifes), nas várias universidades abertas e ampliadas, programas sociais como Minha Casa Minha Vida, Ciência Sem Fronteira, entre outros. Com esses programas na educação, na economia, com linhas de crédito, na habitação e salários mais valorizados e justos, nós fizemos o País sair da extrema pobreza e isso o mundo constatou, era um processo de desenvolvimento.
Infelizmente, estamos perdendo tudo isso. Estamos voltando para a linha da extrema pobreza, já tínhamos um ambiente ruim, mas com a pandemia, teremos uma população muito mais empobrecida, as pequenas e médias empresas, todas com muitas dificuldades”.
Sobre uma possível vitória na eleição municipal, Coser já sabe o que fazer pelos munícipes. “A minha primeira frase é essa: ‘eleito prefeito de Vitória, terei dois compromissos: cuidar da vida das pessoas, da cidade e do servidor, porque é ele que está na ponta dos serviços públicos, seja na educação, na saúde e na assistência e cuidar também da recuperação econômica da Capital’”, frisou.

Nova Avenida Fernando Ferrari (Foto: Reprodução internet)

Na área econômica, ele também tem planos para ajudar os micros e médios empresários. “Como é que eu vou fazer com que as pessoas, os micros e médios empresários, voltem a respirar? Há três pontos que acho importantes: o primeiro é a saúde, além da saúde física teremos que fazer investimentos também na saúde psicológica, mental, pois as pessoas estão e estarão com mais problemas. É natural que as pessoas com dificuldades social e econômica, nos dias de hoje, tenham mais problemas no futuro. A segunda coisa: é necessário que a prefeitura dê suporte às atividades econômicas (micros, pequenos e médios empresários), para que Vitória tenha um futuro mais estável, Vitória precisa se adequar à nova realidade. Temos muitos desafios, e um deles é o econômico, temos perdido arrecadação de forma permanente, e isso precisa ser cuidado”, explica.
Para João Coser, o País, nesse momento de pandemia, é o que o mundo inteiro está vendo. “Sinto tristeza e estou decepcionado com a irresponsabilidade do governo federal. Todos os países do mundo, praticamente todos governos, prefeitos e governadores, estão se esforçando para que o país saia dessa situação o mais rápido possível e o que vimos é o presidente comer pastel, movimentos para abrir o comércio… abrir o comércio, é natural, todos nós queremos isso, mas se você faz uma ação forte na arrancada, como muitos países fizeram, sairíamos mais rápido dessa situação. O Brasil pode, lá na frente, ser o País com pior desempenho na passagem da pandemia e isso é fruto dessa falta de sintonia do governo federal com os governos estaduais e municipais. Falta orientação mais clara por parte da esfera federal. Numa crise dessa o presidente não devia ter demitido ministros da Saúde como fez, as demissão só aconteceram porque eles não concordaram com os termos do presidente. Estamos perdendo vidas, os indicadores são ruins para o País e tudo isso por consequência de uma desordem política. O crescimento econômico está comprometido, falam de 8% a 10% de crescimento negativo do PIB, isso é um desastre, porque podemos levar meses e até anos para recuperar a nossa economia”.

Ponte de Camburi (Foto: Pinterest)

“Tenho certeza que se o presidente fosse o Haddad, o Henrique Meirelles, o Geraldo Alckmin ou qualquer um daqueles candidatos, com certeza, não teriam tido essa postura e nós não estaríamos vivendo esse quadro econômico tão negativo… Este ano está perdido, vamos aguardar 2021”.
Perguntado sobre os decretos do governador Renato Casagrande, que fecharam o comércio, João Coser disse que houve ‘bateção’ de cabeças, mas isso foi fruto da falta de orientação do governo federal. Não houve uma linha firme onde todos pudessem associar essas convicções do melhor caminho a seguir. O governo do Estado teve, aparentemente, uma atitude muito correta inicialmente, mas depois começaram depreciações em determinados setores da economia. Equívocos foram cometidos, isso é certo!”, finalizou.
Coser lembrou ainda das importantes obras da capital que contaram com a colaboração da sua gestão como a ampliação da Avenida Fernando Ferrari, a construção da nova Ponte da Passagem e reforma da Ponte de Camburi.

Haroldo Cordeiro

Haroldo Cordeiro

Jornalista – DRT: 0003818/ES Coordenador-geral da ONG Educar para Crescer

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