Físicos dizem ter confirmado a existência do “tempo negativo”

Estudo inovador com fótons e átomos reacende debates acadêmicos sobre a natureza e a física do tempo
Um grupo internacional de físicos afirma ter confirmado experimentalmente um dos fenômenos mais estranhos já observados na mecânica quântica: partículas de luz podem aparentar passar um “tempo negativo” dentro de uma nuvem de átomos. O resultado, publicado na revista científica Physical Review Letters, reacendeu discussões sobre a própria definição de tempo no universo microscópico — embora os pesquisadores enfatizem que isso não significa que alguém esteja prestes a construir uma máquina do tempo.
O experimento envolveu fótons — partículas de luz — atravessando uma nuvem de átomos ultrafrios. Em situações normais, quando um fóton interage com um átomo, ele pode ser temporariamente absorvido, transformando-se em uma excitação energética antes de ser emitido novamente. Esse processo normalmente introduziria um pequeno atraso na passagem da luz. Porém, em certos casos observados pelos cientistas, os fótons pareciam sair da nuvem antes mesmo de “entrar” completamente nela.
Uma nova noção do tempo?
Fenômenos semelhantes já haviam sido sugeridos em experimentos desde os anos 1990, mas existia uma dúvida importante: talvez a aparente antecipação fosse apenas resultado estatístico do comportamento coletivo dos fótons. O novo estudo tentou resolver essa questão usando uma abordagem diferente. Em vez de medir apenas o momento em que a luz chegava ao detector, os pesquisadores passaram a monitorar diretamente os próprios átomos para descobrir quanto tempo eles permaneciam “em movimento” após absorver energia luminosa.
Para isso, os cientistas utilizaram medições quânticas extremamente delicadas chamadas “weak measurements” (“medições fracas”). O método é tão sensível que cada experimento individual praticamente se perde em ruído estatístico. Foi necessário repetir o procedimento cerca de um milhão de vezes para que um padrão confiável emergisse.
O resultado confirmou algo considerado profundamente contraintuitivo: os próprios átomos indicavam um tempo médio negativo de interação com certos fótons transmitidos. Em outras palavras, quando os pesquisadores “perguntavam” aos átomos quanto tempo a luz havia permanecido neles, a resposta matemática também era negativa.
Apesar do nome dramático, físicos ressaltam que o experimento não viola a relatividade de Albert Einstein nem permite enviar informações ao passado. O chamado “tempo negativo” surge de efeitos quânticos ligados à interferência entre diferentes possibilidades probabilísticas de comportamento da luz. Em termos práticos, trata-se mais de uma propriedade matemática extremamente estranha da mecânica quântica do que de um fluxo temporal literalmente andando para trás.
Fonte: Aventuras na História





