Política

Gestão voltada para a qualidade dos serviços públicos

“Não adianta você ter a maior UPA do Estado se você não tem a melhor saúde pública do Estado”

Ele é delegado federal e almeja a candidatura para concorrer ao cargo de prefeito do município mais populoso do Estado. O delegado Márcio, como prefere ser identificado, é um dos que pretendem ser uma opção inovadora para os eleitores serranos. Para ele já passou da hora de a cidade dar um grande passo rumo ao futuro e, para isso, é preciso inovar e renovar o quadro político municipal.
Apesar do período crítico pelo qual passa o mundo, Márcio acredita que essas eleições podem trazer algo de bom para a sociedade brasileira e, especificamente, para a população serrana. “A política da Serra vive um bom momento e o eleitor vai ter mais opções, todo mundo está tendo a oportunidade de colocar suas ideias e o povo serrano vai poder ver aquele que está mais preparado e que tem mais condições de levar à frente esse município. Fiz um pré-projeto de governo em novembro do ano passado, quando resolvi participar do processo eleitoral e venho divulgando as ideias que estão sendo melhoradas com a participação das pessoas”, esclarece.
Márcio acredita que está mais do que na hora de quebrar o ciclo do “mais do mesmo”. “Vejo que os políticos que passaram pela Serra nos últimos 24 anos têm uma ideia de obra. Se você perguntar o legado que estão deixando para a Serra, eles vão citar obras. Tem uma brincadeira satírica que está circulando nas redes sociais chamando o atual prefeito de faraó, porque ele sempre anuncia a maior Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Estado, o maior hospital do Estado, o maior viaduto do Estado… É como um faraó que constrói pirâmides, monumento bonito de se ver, mas sem efetividade nenhuma”, critica.
“A nossa visão de gestão é que o município precisa focar na qualidade dos serviços públicos, esse é o legado que eu gostaria de deixar para a Serra como prefeito. Prédios e obras são bonitos porque você pode colocar sua placa, você pode escrever seu nome, pode tirar fotos e isso cai bem para um político, mas o serviço público é que transforma uma sociedade e, consequentemente, transforma a vida das pessoas. Não adianta você ter a maior UPA do Estado se você não tem a melhor saúde pública do Estado. Veja a incoerência, o município da Serra recebeu quase R$ 60 milhões para aplicar no combate ao coronavírus, a Azitromicina, por exemplo, que é um dos principais medicamentos usados no combate ao coronavírus, não é disponibilizada na rede pública na Serra, por quê? Onde estão esses R$ 60 milhões?”, questiona.

Remédios (Foto: jblitoral.com.br)

Ele segue pontuando o que acredita ser uma política ultrapassada e que entrava o desenvolvimento da cidade. “São inúmeros os erros da atual gestão na minha consideração. Alugar um hotel em Nova Almeida para colocar idosos de sessenta anos com coronavírus, isso não é uma escolha certa. Outro caso foi a colocação de pulverizadores de cloro nas UPAs e no terminal de Laranjeiras, onde o contrato foi suspenso porque houve intervenção do Ministério Público (MP) e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que fez uma nota dizendo que o produto não tinha eficiência. Detalhe, o contrato era de R$ 290,5 mil. Eu costumo falar que, o mau gestor é pior que o gestor corrupto, porque na corrupção, se a obra é feita ela vai ter uma serventia, geralmente com superfaturamento de 20% a 30%, mas a obra está ali… a ponte está ali para você passar, o colégio está ali para as crianças estudarem. Porém, o mau gestor faz escolhas erradas e essas escolhas fazem o recurso todo ser perdido por causa do mau investimento”, explica.
“Observe aquela obra da Giratória em frente ao hospital Dório Silva. Temos ali uma área de convergência, onde toda a Serra passa por ali e a justificativa para se fazer um viaduto com uma pracinha é por causa do trânsito. Só que os maiores fluxos de carro ocorrem no início da manhã e no final da tarde e uma pracinha e um viaduto é tudo que o viciado precisa para transformar o lugar numa cracolândia. Havia um projeto de um Memorial Cultural, veja bem, assinado pelo arquiteto internacionalmente renomado Oscar Niemeyer, que ajudaria muito o segmento turístico, mas o viaduto foi a escolha do prefeito. Viaduto, é a última opção para uma cidade, porque ele não agrega em nada”, adverte.

HOSPITAL MATERNO INFANTIL (Foto: ataqueaoscofrespublicos.com)

Na questão da saúde, de acordo com Márcio, a coisa também não anda nada bem. “Nós vimos agora que na questão de investimentos, o município da Serra, decidiu construir o hospital infantil para entregar para o governo estadual. Estamos tirando dinheiro do município para entregar ao Estado. Na estrutura do Brasil é a União que ajuda os Estados e os Estados que ajudam os municípios, aqui estamos invertendo os papéis”, destaca.
Para ele, a educação está reprovada, “a nota do município é baixíssima nas séries finais do ensino fundamental, precisamos pensar num modelo novo de educação. Não adianta um prefeito pensar em construir os maiores colégios na Serra, porque não é somente a estrutura física que melhora a educação. Os alunos de hoje passam sem saber e isso não significa qualidade e muito menos oportunidade. Os alunos de hoje, não precisam se esforçar, porque ele sabe que vai ser empurrado pela escola”, enfatiza.
Márcio defende ainda a escola cívico-militar, pois “ela funciona bem em vários Estados da federação”. Para ele, o grande desafio da escola nos dias de hoje é resgatar o respeito do aluno para com a instituição e seus professores. “O modelo é baseado na hierarquia e disciplina, então isso vai ajudar a recuperar o respeito”, assegura.
“Antes de pensarmos em construir novas escolas precisamos adaptar e melhorar as existentes. O controle de natalidade é uma coisa que já está acontecendo naturalmente, as famílias estão tendo dois filhos, no máximo três. Teremos menos crianças nas escolas ao longo de dez a vinte anos e a população idosa aumentará significativamente e a gestão pública precisa pensar urgentemente nesse movimento, nessa mudança de faixa etária da população”, alerta.
Márcio afirma estar na política por puro idealismo, pelo desejo de contribuir para o crescimento da cidade, o crescimento das pessoas, das crianças e dos nossos jovens. “Não vou receber salário da prefeitura, a Constituição Federal me manda escolher e eu escolho continuar recebendo como delegado federal porque o meu salário como delegado é maior que a remuneração de prefeito. Inclusive, acho que é uma questão que precisa ser discutida. Um deputado federal ganha R$ 33 mil, um deputado estadual ganha R$ 27, 5 mil e o prefeito da Serra ganha R$ 17 mil.
No meu caso a lei me faculta escolher, por isso insisto em dizer, trata-se de puro idealismo”, afirma.

Escola cívico-militar (Foto: Marcos Corrêa/PR/Divulgação)

“Nesta vida você tem que retribuir e eu já recebi muito do Estado. Vim de escola pública e só fui para escola privada quando eu tive que trabalhar durante o dia e estudar à noite, para pagar minha faculdade. Tenho muitos projetos e muitas ideias. O que me trouxe para a política foi o desejo de ajudar a construir nossa cidade e a diminuir as desigualdades. Entendo que eu sou o mais preparado para alavancar o nosso município”, ressalta.

Haroldo Cordeiro

Haroldo Cordeiro

Jornalista – DRT: 0003818/ES Coordenador-geral da ONG Educar para Crescer

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