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Correios, privatizar ou não?

Em uma batalha judicial para tentar retirar benefícios considerados exagerados pelos Correios, o presidente da estatal, general Floriano Peixoto, afirmou que o processo de privatização da empresa já está em andamento e é o mais indicado para torná-la mais moderna. O governo quer, em breve, privatizar os Correios e gigantes do varejo, como o Magazine Luiza, DHL, FedEx e Amazon já demonstraram interesse na aquisição da estatal.
Segundo analistas, a promessa de privatização deve deixar o Brasil à parte de outros países com dimensões continentais, que mantêm empresas estatais como forma de assegurar entregas em todos os locais e a soberania nacional.
Mas o que faltaria para uma empresa com o faturamento bruto de R$ 19 bilhões e lucro líquido de R$102,1 milhões, em 2019, voltar a ser orgulho nacional? Mas uma coisa é certa, se há interesse de grandes corporações, é claro e evidente que a coisa é boa. Mas, então, porque privatizar, não seria o caso de modernizar a gestão?
E como anda a relação da estatal com o usuário? Para responder a essa pergunta, nossa reportagem foi ao Centro de Distribuição Domiciliária (CDD) de Carapina, em Novo Horizonte, município da Serra, e o que presenciou foi um descontentamento geral com os serviços prestados pela empresa.

Betânia de Freitas Gonçalves (Foto: Haroldo Cordeiro Filho)

A primeira entrevistada, Betânia de Freitas Gonçalves, moradora de Morada de Laranjeiras disse ser a quinta vez que tenta pegar sua mercadoria sem sucesso. “Todas as outras vezes que a gente veio aqui, eles falam que nosso produto não se encontra, mas é mentira, o produto está aqui sim. Acompanhei no código de rastreio no site dos Correios e diz que está aqui. Meu produto está aqui desde o dia 22 do mês passado, o trâmite foi feito certinho. Liguei para a empresa ontem (05), novamente, e a empresa rastreou e disseram que veio para o Centro de Distribuição Domiciliária de Novo Horizonte, mas o funcionário diz que não. Não consigo entender. Fico chateada porque têm funcionários que não tratam a gente de forma adequada, são ríspidos. Só quero pegar o que me pertence, pagamos nossos impostos em dia e merecemos mais respeito”, reclama.
“Ficamos no tempo, faça sol ou chuva, temos que esperar a boa vontade deles. Comprei uma mercadoria em outro estado, a empresa postou em 08 de setembro e até hoje não consegui receber, porque o único funcionário que está atendendo disse que não pode entregar, pois precisa passar pela triagem. Há trinta dias que estou esperando”, reclamou dona Maria da Penha Eurípedes, moradora de Porto Canoa.
Luziel dos Santos, morador de Jardim Tropical, disse que estava na fila para pegar o Cartão da Caixa da sua tia para ela receber o auxílio emergencial. “Estivemos aqui ontem (5) com o CPF e o RG, mas não conseguimos retirar do cartão. Pegamos o código de rastreamento, viemos hoje novamente, mas eles disseram que, em função da demanda, não conseguiram entregar. No site deles diz que o funcionamento começa a partir das 8h, mas hoje só abriu às 10h”, denuncia.

Centro de Distribuição Domiciliária (CDD) de Carapina, em Novo Horizonte (Foto: Haroldo Cordeiro Filho)

Dona Fabrícia de Figueiredo Barros, reclamou que foi buscar a mercadoria porque nunca chegava em sua residência. “Vim buscar para não correr o risco da mercadoria voltar para São Paulo. Eles alegam que foram entregar, mas quando chegaram na minha casa não encontraram ninguém, mas isso é mentira, porque sempre tem gente em casa”, disse acrescentando ser a favor da privatização dos Correios. “Isso aqui é uma bagunça, outra coisa que precisamos acabar é com a estabilidade dos funcionários públicos. Somos maltratados no INSS, nas escolas públicas e em vários outros órgãos de governo. Na iniciativa privada, se o funcionário não atende devidamente, ele é demitido”, afirma.

Haroldo Cordeiro

Haroldo Cordeiro

Jornalista – DRT: 0003818/ES Coordenador-geral da ONG Educar para Crescer

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