Paleo & Arqueologia

Arqueólogos analisam intrigante osso de cervo esculpido há 51 mil anos

Descoberto em 2017, o fragmento remonta à Idade do Gelo e pode indicar que neandertais tinham curiosas habilidades artísticas

Na última segunda-feira (05) a revista científica Nature Ecology & Evolution publicou a descoberta de um artefato surpreendente. Trata-se de um fragmento de osso de cervo esculpido por um neandertal há cerca de 51 mil anos.
Os paleontólogos realizaram uma análise microscópica e uma replicação experimental, que levaram a concluir que o osso foi primeiramente cozido para amolecê-lo antes de ser esculpido. A falta de cervos gigantes ao norte dos Alpes na época aponta para um significado simbólico do osso, garantem os autores do estudo publicado na revista científica.
De acordo com a publicação, o fóssil foi encontrado em uma caverna na Alemanha central. Chamada de Einhornhoehle ou “Caverna do Unicórnio”, a estrutura é conhecida por caçadores de tesouros como um possível cemitério de “fósseis de unicórnio”.

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Na época da descoberta, em meados de 2017, os cientistas identificaram restos de um assentamento neandertal que remonta à Idade do Gelo. Além do antigo fragmento, que fazia parte da pata de um cervo, os exploradores também encontraram outros artefatos.
Identificado com datação de carbono, o fragmento foi esculpido 10 mil anos antes do primeiro Homo sapiens chegar à Europa Central. Para os arqueólogos, então, o fóssil pode indicar que os Homo neanderthalensis eram capazes de realizar atividades simbólicas — habilidade anteriormente ligada apenas aos Homo sapiens.

“Estamos muito convencidos de que ele comunica uma ideia, uma história, algo significativo para um grupo”, explicou Dirk Leder, o líder da pesquisa, em entrevista à agência AFP. Nesse sentido, acredita-se que a escultura seria algum tipo de expressão.
Por ter pertencido a um cervo raro na região da caverna, os estudiosos acreditam que as linhas diagonais e bastante simétricas foram propositais. Nesse sentido, estima-se que o fragmento foi provavelmente fervido até amolecer para que fosse esculpido.
“A ideia sempre foi que o grande Homo sapiens estava dando ideias inteligentes para outras espécies”, finalizou Leder. “Nos últimos anos, um punhado de artigos científicos estão defendendo a ideia de que poderia ter sido o contrário.”

Fonte: Aventuras na História

Luzimara Fernandes

Jornalista MTB 2358-ES

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