Além do espelho: como a pressão estética impacta a saúde mental?

Os ideais de beleza podem gerar ansiedade, baixa autoestima e outros desafios psicológicos; saiba como se libertar
A busca pela beleza e, de fato, o cuidado com a aparência são, por natureza, saudáveis e intrínsecos ao ser humano. Entretanto, em uma sociedade cada vez mais visual e, invariavelmente, influenciada pelas redes sociais, essa busca pode, facilmente, transformar-se em uma obsessão. Consequentemente, isso pode resultar em uma “armadilha da perfeição” que se estende muito além do Transtorno Dismórfico Corporal (TDC). A cultura da imagem, que idolatra corpos “perfeitos” e vidas “editadas”, impõe, portanto, uma pressão implacável, gerando, em seguida, uma série de impactos negativos na saúde mental de indivíduos de todas as idades.
A constante exposição a imagens idealizadas nas redes sociais, por conseguinte, cria um ambiente de comparação incessante. As pessoas passam, de fato, horas rolando feeds, comparando suas vidas e corpos com versões frequentemente irrealistas e filtradas de outros. Essa comparação social, ademais, pode levar a sentimentos profundos de inadequação, inveja e baixa autoestima. A disparidade entre a realidade e o ideal construído digitalmente, por sua vez, gera uma frustração crônica. Isso contribui, inegavelmente, para quadros de ansiedade e depressão, mesmo em indivíduos que não desenvolvem um transtorno dismórfico completo.
A busca incessante por “likes” e validação externa, além disso, alimenta um ciclo vicioso. A autoestima da pessoa, assim, torna-se dependente da aprovação alheia, tornando-a vulnerável a cada comentário ou crítica. Isso pode, consequentemente, levar a comportamentos compulsivos, como a busca interminável por procedimentos estéticos, dietas restritivas e treinos exaustivos.
Tais ações não são realizadas por saúde ou bem-estar genuíno, mas, sim, por uma validação externa que, aparentemente, nunca é suficiente. A ‘dismorfia de Snapchat’, um termo emergente, ilustra, de forma contundente, essa tendência. Nele, as pessoas buscam procedimentos para se assemelharem às suas versões filtradas nas redes sociais.
Outro ponto crucial, digno de nota, é a pressão de desempenho sobre a própria imagem. Ser “perfeito” não é mais apenas sobre ter um corpo ideal. Na verdade, trata-se também de exibir um estilo de vida impecável, viagens glamorosas e conquistas constantes. Essa performance contínua pode, lamentavelmente, levar ao esgotamento mental, à síndrome do impostor e, até mesmo, a um sentimento de vazio. Isso ocorre porque a identidade da pessoa se funde com a imagem que ela projeta, e não com quem ela, verdadeiramente, é.
Como, então, se libertar dessa armadilha? O primeiro passo fundamental é o reconhecimento da profunda influência dessa cultura. É vital, portanto, questionar os padrões de beleza impostos e, finalmente, compreender que a perfeição é uma ilusão inatingível. Limitar o tempo de tela, especialmente em plataformas que promovem a comparação, pode ser, de imediato, um alívio considerável.
Seguir contas que promovem a positividade corporal, a diversidade e, sobretudo, a saúde mental, em vez de uma perfeição inatingível, também ajuda, significativamente, a reconfigurar o algoritmo e o mindset. O foco na saúde e no bem-estar intrínsecos, em vez de na mera aparência, é, sem dúvida, transformador. Exercitar-se para ter energia, alimentar-se bem para nutrir o corpo e buscar atividades que tragam alegria genuína são, indubitavelmente, caminhos para uma autoestima sólida e duradoura. Esta autoestima é construída, portanto, de dentro para fora. A terapia individual pode, por conseguinte, ser um espaço seguro para explorar essas questões, desenvolver resiliência e cultivar uma relação mais gentil e compassiva consigo mesmo.
Fonte: Bons Fluidos