Brasil precisa de plano fiscal crível para voltar a ter grau de investimento, diz agência
Relatório de agência classificadora cobra ajuste de contas para país voltar a ser um bom destino de investimentos estrangeiros
Por Guilherme Grandi
O Brasil voltará a se aproximar do grau de investimento apenas se apresentar um plano fiscal consistente e confiável no médio prazo, segundo um estudo publicado pela Fitch Ratings nesta semana a seus clientes. A agência classificadora mantém o rating do país em “BB”, com perspectiva estável, ainda abaixo do nível considerado seguro para investidores. A agência destacou que uma eventual melhora para “BB+” — apenas dois passos abaixo do chamado “grau de investimento” — depende diretamente de um ajuste fiscal sólido.
Uma elevação da classificação do Brasil para ‘BB+’ dependeria de um plano de consolidação fiscal que seja substancial, crível e suficiente para fortalecer nossa confiança na estabilização da dívida a médio prazo”, afirmou no documento, segundo apuração do Estadão publicada nesta quarta (18).
A Fitch afirma que o Brasil tem uma “posição fiscal fraca” como sua principal vulnerabilidade, e que o essencial, neste momento, é mostrar um progresso relevante nas contas públicas e garantir credibilidade de continuidade na melhora fiscal ao longo do tempo. A agência também avalia que o avanço em direção a uma consolidação mais robusta deve ocorrer após as eleições de 2026, independentemente do vencedor.
Esperamos que qualquer governo entrante busque novos esforços de consolidação, mas o ritmo e a estratégia dependerão de quem vencer”, aponta o relatório.
No cenário político, a Fitch indica que um ajuste mais ambicioso pode ser mais provável sob uma gestão de direita, mas evita tratar a questão como determinante. A análise ressalta que governos de diferentes espectros enfrentariam obstáculos, seja para aumentar impostos ou para cortar gastos, destacando que até o atual Congresso mais conservador tem pressionado por medidas que elevam despesas e flexibilizam regras fiscais.
Em relação à economia, diz a agência, a manutenção de juros elevados por mais tempo continua sendo um fator de freio para o consumo e a atividade interna. Ainda assim, a melhora do déficit primário e operações de crédito devem amenizar a desaceleração da demanda doméstica ao longo do ano. Por outro lado, o mercado de trabalho segue aquecido e sustenta o consumo das famílias, funcionando como um dos principais pilares da atividade econômica no país. Esse fator ajuda a equilibrar os impactos negativos do cenário fiscal e monetário mais restritivo.
Grau de investimento por sete anos
O Brasil chegou a ter o chamado “grau de investimento” em 2008, durante o segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), quando passou a ser considerado um país seguro para investimentos por grandes agências de classificação de risco. Entre os motivos que proporcionaram essa avaliação, estão a responsabilidade fiscal, controle da inflação, crescimento econômico consistente e redução da vulnerabilidade externa. O país também acumulava reservas internacionais robustas e apresentava melhora significativa na gestão da dívida pública.
Outro ponto central foi a manutenção do chamado “tripé macroeconômico”, baseado em metas de inflação, superávit primário e câmbio flutuante, modelo iniciado no governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e mantido nos anos seguintes. No entanto, o país perdeu esse status a partir de 2015, em meio à deterioração fiscal e crise econômica durante o governo de Dilma Rousseff (PT).
(Foto: iStock)
Fonte: Gazeta do Povo







