Alimentos & Bebidas

Onde o vinho encontra a alma, a experiência que está redefinindo o enoturismo no Espírito Santo

Nas montanhas do Espírito Santo, uma sommelier apaixonada e um especialista transformam cada taça em uma viagem pelo mundo — e por dentro de você

“Aqui não é uma loja. É uma casa”. Com essa frase, a revista Alimentos & Negócios foi recebida pelo casal de empresários Rosângela e Pablo Mansk, proprietários da Casa de Vinhos. Antes mesmo da primeira taça, a sensação já é clara: você não entrou em um negócio — você foi recebido. A proposta da Casa de Vinhos não começa no rótulo, mas, sim, no acolhimento.
“A missão aqui é acolher. Fazer você desacelerar, sentir”. E é exatamente isso que Rosângela construiu ao lado do marido e companheiro de negócios. Na Casa de Vinhos o tempo desacelera… e a bebida ganha significado. A Casa de Vinhos também entra no território do luxo. Degustações exclusivas incluem rótulos como: Château Margaux, Petrus e grandes vinhos de guarda. Experiências limitadas a pequenos grupos. “São vinhos raros, feitos para quem quer entender o que é o topo do mundo do vinho”.
A Casa de Vinhos não é sobre rótulos raros, taças perfeitas ou discursos técnicos. É sobre algo mais difícil de encontrar: tempo, presença e experiência real. E, talvez, seja exatamente por isso que, ao sair dali, você não leva só um vinho. Você leva uma memória.

Uma volta ao mundo… sem sair da cadeira
Na Casa de Vinhos, você não escolhe apenas um rótulo. Você viaja. Entre as prateleiras, passam:
•🇧🇷 Brasil
•🇨🇱 Chile
•🇦🇷 Argentina
•🇮🇹 Itália
•🇫🇷 França
•🇷🇴 Romênia
•🇬🇪 Geórgia
•🇲🇰 Macedônia
•🇸🇮 Eslovênia
•🇦🇲 Armênia

(Foto: Divulgação/Casa de Vinhos)

E a promessa é clara: “sempre tem um novo destino chegando… e nem tudo pode ser contado ainda”. Nesta entrevista exclusiva, você conhecerá um pouco da história desse casal de sucesso que escolheu as montanhas capixabas para trazer ao público algo além do sabor. Como dizia o diretor e roteirista de cinema italiano, Federico Fellini, “um bom vinho é como um bom filme: dura um momento e te deixa na boca um gosto de glória. É novo em cada gole e, como acontece com filmes, nasce e renasce em cada sabor”. Venha conosco degustar essa delícia de entrevista.

Antes de falar do negócio, quem são vocês dentro desse projeto?
Rosângela — Eu sou uma apaixonada por vinhos, por histórias e por pessoas. Porque o vinho, para mim, sempre foi isso: história líquida. Cada garrafa carrega uma trajetória. E eu gosto disso. Gosto de viajar, de conhecer culturas, e o vinho permite isso sem você sair do lugar.
Hoje, eu sou a Rosângela sommelier. Mas também sou a Rosângela que decidiu abrir a porta da própria casa para receber pessoas.

E você, Pablo? Sua entrada no mundo do vinho não foi exatamente tradicional…
Nada tradicional. Eu entrei por acaso. Comprei um lote de vinhos em leilão da Receita Federal e, ali, aconteceu algo que mudou tudo: eu percebi que o vinho não é sobre bebida. É sobre experiência.
Hoje eu entendo que trabalhar com vinho é trabalhar com o prazer da vida das pessoas. E isso muda completamente a forma como você enxerga o negócio.

Pablo, Rosângela e Milena (Foto: Divulgação/Casa de Vinhos)

Em que momento isso deixou de ser venda e virou a Casa de Vinhos?
Rosângela — Quando eu percebi que eu não queria uma loja; que queria um lugar para receber. A loja tinha vinho… mas não tinha alma. Eu não conseguia sentar com as pessoas, conversar, servir, contar histórias.
E aí surgiu essa oportunidade aqui, nas montanhas. E eu pensei: ‘agora eu posso fazer do jeito que eu acredito’. Colocar sofá, mesa, acolher… como se fosse minha casa.
Porque é isso que é aqui.

Então o conceito não é comercial?
Pablo — O comercial existe, claro. Mas ele não é o centro. O centro é a experiência.
Quem vem aqui não é cliente. É convidado. É alguém que vai sentar, ouvir, provar e sair diferente.

Vocês falam muito sobre experiência. O que exatamente acontece aqui que não acontece em outros lugares?
Rosângela — Aqui a pessoa aprende a sentir. A gente trabalha com experiências sensoriais, principalmente olfativas. Temos kits com dezenas de aromas que existem no vinho. E quando você ensina alguém a identificar esses aromas, tudo muda. A pessoa não está mais só bebendo. Ela está entendendo.

E por que isso é tão importante?
Pablo — Porque o prazer aumenta. Quando você não entende o que está sentindo, o vinho passa por você.
Quando você entende, ele fica. Você começa a identificar notas, lembrar de memórias, conectar experiências. E isso transforma completamente a relação com o vinho.

(Foto: Divulgação/Casa de Vinhos)

Então existe um lado educacional forte aqui?
Pablo — Muito forte. Aqui nós vamos ter: cursos; degustações técnicas; jantares harmonizados e treinamentos para profissionais. Mas sempre com uma proposta: troca.
A gente ensina, mas também aprende com quem vem.

Vocês também trabalham com rótulos pouco convencionais. Isso é proposital?
Pablo — Totalmente. A gente quer tirar as pessoas do óbvio. Aqui você encontra vinhos provenientes da:
Geórgia; da Macedônia; da Eslovênia e da Romênia. Regiões que quase ninguém explora. E isso abre a cabeça do consumidor.

E os vinhos de alto padrão? Existe esse público aqui?
Pablo —Existe e está crescendo. Nós fazemos degustações muito exclusivas, com grupos pequenos, com vinhos de altíssimo nível. São vinhos difíceis de encontrar, muitos de guarda, com potencial de décadas.
É uma experiência para quem quer realmente entender o topo do mundo do vinho.

Vocês também quebram muitos mitos. Isso é intencional?
Pablo — Sim. O mundo do vinho é cheio de mitos. Um exemplo clássico é o “quanto mais fundo for o fundo da garrafa, melhor o vinho”. Isso não é verdade.
Isso tem muito mais a ver com estrutura da garrafa e custo do que com qualidade real. Nosso papel aqui também é educar o consumidor.

Rosângela e Pablo Mansk(Foto: Divulgação/Casa de Vinhos)

A parceria com o Sítio dos Palmitos trouxe um novo nível de experiência?
Rosângela — Sem dúvida. O que eles fazem com palmito é surreal. E quando a gente começou a harmonizar vinho com aquilo… abriu um universo novo.

Vocês testam muito?
Pablo — Todos os dias. A gente está literalmente em laboratório testando sabores; combinando texturas e criando experiências. Nada aqui é por acaso.

Agora, a pergunta mais importante: qual é a missão da Casa de Vinhos?
Rosângela — Acolher. A gente vive num mundo acelerado, barulhento, ansioso. Aqui, quando a pessoa sobe a montanha… ela desacelera.
Ela respira.
Ela senta.
Ela observa.
E aí o vinho entra como parte dessa experiência.

O que vocês querem que a pessoa sinta ao sair daqui?
Pablo — Que ela viveu algo. Não que ela comprou um vinho. Mas que ela teve uma experiência que valeu o tempo dela.

E para o futuro?
Rosângela — Expandir experiências. Trazer mais países, mais histórias, mais sensações. Mas sem perder o principal: o acolhimento; a verdade e a conexão.

Milena Rohr

Milena Rohr Sócia e diretora do MasterMind (Fundação Napoleon Hill), Gestora Empresarial, Embaixadora do BNI, Palestrante, Escritora, Colunista e Mentora FRST do Grupo Falconi

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