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Cultura

Afeto

Na vida,As coisas nãoTêm muito valorEm si Na verdade,O verdadeiroValor está nasPessoas, nasConexões e nosRelacionamentos Na amizade,No respeito,No cuidado eNa consideração Nas paixões eNos prazeres,Na contemplaçãoDa natureza, naApreciação do justo,Do bom e do belo No carinho,Na singeleza,Na
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Retalhos

Perco-meRevirando gavetas,Revendo fotos eRelendo cartasQue recebi e queEnviei para nãoSei quem Revejo imagensOpacas e retratosAmarelados peloTempo numaVelha gaveta doQuarto Forço a memóriaNuma viagem inglóriaE insisto em vãoRememorar o passado Lembro de paixõesQue se foram, revisitoAntigos amores dosQuais já nem meLembro o nome eRevejo lugares queJá não existem mais
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Saudades

Do nadaMe veio a boaE velha saudade,A doce lembrançaNostálgica do queNão vivi, o barulhoEnsurdecedor doQue nunca disse Vultos embaçados,Figuras desconexas,Bolhas ilusórias eMomentos fugidiosDe pura felicidade Cacos de insólitaMemória e banhosCaudalosos de alegriaE espumas de raraFelicidade DevaneiosEsparsos, sonhosIrrealizáveis ePensamentosRomânticos,Seguidos deEspasmos
Cultura

Quem foi ele?

Ele viveuHá muitos anos,No passadoNão possuíaCasa nem roupas,Nem ouro e nemJoias Era totalmenteAvesso à religião,À autoridade e àsConvenções sociais,Não ligava para título,Honra ou glória Dizem que moravaNum barril e vivia deEsmola, que viviaComo um cão e que,Mesmo assim, fezEscola Que era livre,Independente e queBastava-se a si mesmoE que desdenhava atéMesmo da morte Que
Cultura

Invulgar beleza

O seu rostoEra suave,Apesar daAparência grave A seriedadeDa face pálida,Porém, não eraSuficienteO bastante paraEsconder a suaBeleza rara Os olhos eramNegros e pequenos,Os lábios finosE delicados, jáO nariz pareciaSer desenhado Os cabelosNegros e compridosTal qual a crinaDe um corcelSelvagem lheDavam um certoAr de superioridade O seu corpoEra esguio e delgadoE bastou ela
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Renascer

Cada diaÉ em si umRecomeçoUma novaChance e umaNova oportunidade Cada diaTraz em siUma nova etapa,Um novo cicloE uma novaAprendizagem Por isto,Sempre é tempoDe recomeçar,De replantar e deReflorir E assim comoO sol renascePara nós, todosOs dias, dandoProva irrefutávelDo amor do PaiPor todas as criaturas,Também deveO homem renascerSempre e fazerNova jornada Pois, sempreÉ
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Mais um fim

Arrasta-se o anoPelas viasInexoráveis doTempoSingra nos maresDa incertezaDe um mundoCada vez maisAgitadoAbre camposE caminhos,Arrasta multidões,Dores, sonhos eCorrentes eCadáveres Fecha ciclosE abre portasE portais,EnquantoConsomeA tudo e aTodos como éDe sua natureza E paraA decepçãoDe muitos,Arrasta-se o anoPara mais um fimDo mundo queNunca se acaba E o terrívelDeus