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Cultura

A massa

As suas mãos calejadas sovavam a massa, amolgando o trigo da vida devagar e silenciosamente. Os seus dedos eram ágeis e faziam mil giros como quem sabe o que faz de verdade. E, assim, em sua mesa, as iguarias do mundo eram misturadas com afinco e maestria. O seu semblante era ameno e suave e
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Bela velhice

Ah, mas que belaVelhice espera porAqueles que seDedicam aos livros Que boa fortunaDe certo aguardaPor aqueles queEscutam os mortos,Que leem, pesquisamE estudam a glóriaDo passado imóvelE eternizado Que bela venturaEstá destinada paraAqueles que visitamOs clássicos e queEncontram tempoPara mergulhar nasArtes, no estudo daHistória, da fé e daVã filosofia ancestral Que sorte
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Adeus tardio

Ah, como dóiDizer adeus aQuem se amaDe verdade Soltar as mãosE deixar ir,Cuidar e velarSó de longe Todo adeusÉ dolorido e deixaMarcas profundasNa alma de quemFica Oh, quão difícil éSoltar as amarrasEmocionais queNos prendem eJogar fora as bengalasInvisíveis do apegoIlusório Dá um nó danadoNa garganta e umAperto no peito O coração dispara,A pressão sobe, aPerna […]
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Afeto

Na vida,As coisas nãoTêm muito valorEm si Na verdade,O verdadeiroValor está nasPessoas, nasConexões e nosRelacionamentos Na amizade,No respeito,No cuidado eNa consideração Nas paixões eNos prazeres,Na contemplaçãoDa natureza, naApreciação do justo,Do bom e do belo No carinho,Na singeleza,Na gentileza eNa espiritualidade Na flor, na música,No livro, no teatroE na
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Retalhos

Perco-meRevirando gavetas,Revendo fotos eRelendo cartasQue recebi e queEnviei para nãoSei quem Revejo imagensOpacas e retratosAmarelados peloTempo numaVelha gaveta doQuarto Forço a memóriaNuma viagem inglóriaE insisto em vãoRememorar o passado Lembro de paixõesQue se foram, revisitoAntigos amores dosQuais já nem meLembro o nome eRevejo lugares queJá não existem mais
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Saudades

Do nadaMe veio a boaE velha saudade,A doce lembrançaNostálgica do queNão vivi, o barulhoEnsurdecedor doQue nunca disse Vultos embaçados,Figuras desconexas,Bolhas ilusórias eMomentos fugidiosDe pura felicidade Cacos de insólitaMemória e banhosCaudalosos de alegriaE espumas de raraFelicidade DevaneiosEsparsos, sonhosIrrealizáveis ePensamentosRomânticos,Seguidos deEspasmos
Cultura

Quem foi ele?

Ele viveuHá muitos anos,No passadoNão possuíaCasa nem roupas,Nem ouro e nemJoias Era totalmenteAvesso à religião,À autoridade e àsConvenções sociais,Não ligava para título,Honra ou glória Dizem que moravaNum barril e vivia deEsmola, que viviaComo um cão e que,Mesmo assim, fezEscola Que era livre,Independente e queBastava-se a si mesmoE que desdenhava atéMesmo da morte Que
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Invulgar beleza

O seu rostoEra suave,Apesar daAparência grave A seriedadeDa face pálida,Porém, não eraSuficienteO bastante paraEsconder a suaBeleza rara Os olhos eramNegros e pequenos,Os lábios finosE delicados, jáO nariz pareciaSer desenhado Os cabelosNegros e compridosTal qual a crinaDe um corcelSelvagem lheDavam um certoAr de superioridade O seu corpoEra esguio e delgadoE bastou ela