Arrecadação federal bate recorde em janeiro e chega a R$ 325,8 bilhões

A arrecadação do governo federal com impostos, contribuições e demais receitas somou R$ 325,8 bilhões em janeiro, informou a Receita Federal nesta terça-feira (24). O resultado representa crescimento real de 3,56% em relação ao mesmo mês de 2025, quando a arrecadação foi de R$ 314,54 bilhões, já corrigidos pela inflação. O valor é o maior já registrado para meses de janeiro desde o início da série histórica da Receita, em 1995. O desempenho está associado ao avanço da atividade econômica e ao impacto de medidas tributárias adotadas pelo governo nos últimos anos.
Entre os principais destaques, o Imposto de Renda Retido na Fonte sobre rendimentos de capital arrecadou R$ 14,68 bilhões, com alta real de 32,56%. A Receita aponta que o resultado reflete, entre outros fatores, a tributação sobre Juros sobre Capital Próprio (JCP), cujo impacto completo ainda não aparece na arrecadação de janeiro. O Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) somou R$ 8 bilhões, com crescimento real de 49,05%, após elevação das alíquotas no ano passado. Já a arrecadação com a tributação de apostas online e jogos de azar atingiu R$ 1,5 bilhão. Parte do aumento da carga sobre as chamadas bets ainda não se refletiu nos números devido ao prazo de noventena.
A arrecadação previdenciária totalizou R$ 63,45 bilhões, alta real de 5,48%, impulsionada pelo crescimento da massa salarial, pela expansão do Simples Nacional e pelo aumento das compensações tributárias. PIS/Pasep e Cofins somaram R$ 56 bilhões, com avanço real de 4,35%, resultado ligado ao crescimento das vendas e do setor de serviços. O resultado também incorpora efeitos de mudanças tributárias recentes, como a tributação de fundos exclusivos e offshores, alterações nas subvenções estaduais, retomada da cobrança sobre combustíveis, imposto sobre encomendas internacionais, reoneração gradual da folha de pagamentos e o encerramento de benefícios fiscais para o setor de eventos.
O governo conta com a elevação da arrecadação para cumprir a meta fiscal de 2026, que prevê superávit de 0,25% do PIB, estimado em cerca de R$ 34,3 bilhões. Pelo arcabouço fiscal, há margem de tolerância de 0,25 ponto percentual, o que permite considerar a meta cumprida com resultado próximo de zero ou superávit de até R$ 68,6 bilhões. O modelo também autoriza a exclusão de até R$ 57,8 bilhões em despesas do cálculo da meta, como o pagamento de precatórios. Na prática, projeções indicam que as contas públicas podem registrar déficit aproximado de R$ 23,3 bilhões em 2026, mesmo que o resultado oficial apresente saldo positivo. Se confirmado, o cenário indicaria manutenção de contas negativas ao longo do atual mandato presidencial.
Fonte: Hora Brasília




