Céus de chumbo

Chove lá fora.
Nuvens carregadas
despejam baldes
de lágrimas, sangue,
suor e desesperança.
O tempo fechou.
Desabam pancadas
de ódio, de racismo
e intolerância.
A visão é turva,
e a psicosfera da Terra
nunca pesou tanto.
Raios de ignorância,
trovões de egoísmo
e orgulho formam rios
densos de choro e de
ressentimento.
O inconsciente coletivo
vibra no conflito.
Na disputa, os povos
buscam a briga; as pessoas,
o caos e a morte.
Irmãos se matam,
atacam a natureza sem
pudor, ferem o planeta
e apagam a vida por
toda parte.
Bombardeiam vilas,
escolas e hospitais.
Tudo em nome da fé
e de um deus bélico,
rancoroso e excludente.
Grupos de interesses
escusos hackeiam mentes
com fake news, deixando
o clima instável, sujeito
a raios e trovoadas.
Tiros, porrada e bombas
caem sobre gente indefesa.
Matam jovens, velhos
e crianças. Tudo sob o
marketing do moralismo
e essa falsa ideia de
superioridade que destrói
e espolia sem filtro, sem
vergonha, sem dó e sem
piedade.







