Ciência

Entenda os ‘jatos dançantes’ do primeiro buraco negro conhecido

Cientistas descobriram como funcionam os ‘jatos’ de energia do Cygnus X-1, o primeiro buraco negro descoberto pela humanidade

Por Augusto César

Recentemente, em um estudo lançado pela Nature Astronomy, cientistas descobriram a força e potência dos “jatos dançantes” emitidos pelo Cygnus X-1, o primeiro buraco negro descoberto pelos humanos. Após 60 anos da sua primeira detecção o buraco negro 21 vezes mais massivo que o Sol, finalmente foi calculado a massa dos jatos de energia por ele emitido. Com essas descobertas, o início das galáxias pode ser melhor compreendido.
O buraco negro Cygnus X-1 está a aproximadamente 7.000 anos-luz da Terra. Porém, o que torna essa formação espacial mais peculiar é sua órbita binária com a estrela super gigante azul, HDE 226868. Dessa forma, devido sua proximidade, o buraco negro está constantemente arrancando as camadas externas da sua “companheira”. Essa matéria absorvida forma um anel giratório, chamado pelos cientistas de disco de acreção, rico em raios X.
Tamanha é a potência dos raios emitidos pelo astro que a sua primeira identificação ocorreu em 1964, época que os cientistas nem sequer tinham certeza da existência dos buracos negros. Conforme a revista Live Science, assim como a maioria dos buracos negros, o Cygnus X-1 emite dois feixes massivos de energia. No entanto, devido à potência avassaladora do seu disco de acreção, o plasma expelido pelos seus campos magnéticos pode até mesmo ser fotografado.

Ilustração do buraco negro Cygnus X-1 e sua estrela em órbita binária (Foto: Centro Internacional de Pesquisa em Radioastronomia (ICRAR))

No entanto, a dúvida que pairava para os cientistas é qual seria a massa imbuída nesses jatos de pura energia. Ou seja, como esses raios emitidos e jogados para dispersar pelo universo pode afetar o espaço ao seu redor. Assim, diante dessa realidade, no estudo lançado no dia 16, os pesquisadores mostraram como conseguiram medir os jatos para calcular suas oscilações, ou “danças” espaciais. Conforme os astrônomos, esses jatos brilham com uma energia equivalente a cerca de 10.000 sóis à uma velocidade de 540 milhões de km/h, mais ou menos a metade da velocidade da luz.
Mesmo mediante tamanha força, os raios, devido à proximidade da estrela HDE 226868 e os ventos estelares por ela emitidos, começam a oscilar e dançar. Desse modo, diante das rajadas, os cientistas podem calcular quão influente foi o buraco negro na construção da nossa e de outras galáxias.

Fonte: Aventuras na História

Luzimara Fernandes

Jornalista MTB 2358-ES

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