Toda nudez será castigada. Será?

Mas, ainda que fosse um único, o famoso “caso isolado”, muito me intriga o comportamento desse grupo. Há justos na Justiça
Pedindo licença a Nelson Rodrigues, autor da famosa peça de Teatro com este título, gostaria de traçar um paralelo entre a nudez da “Geny”, prostituta do enredo da peça e o fenômeno, difícil de ser explicado, da quase nudez de magistrados em festinhas de orgia.
Tenho a responsabilidade de que se trata de um grupo, apenas um grupo. Mas, ainda que fosse um único, o famoso “caso isolado”, muito me intriga o comportamento desse grupo. Há justos na Justiça.
Vejo, também, que essa notícia escandalosa caiu no buraco negro galáctico, no endereço onde mora o tabu. Precisamos pensar, eu preciso pensar, alto, afinal, esse referido grupo tem a incumbência de decidir nossas vidas, ministrando nossas leis. Em princípio. Compõem um dos pilares de nossa vida em sociedade, nossa vida laboral, e, no microcosmo, nossa vida em família.
No entanto, quero deixar claro que não me proponho a jogar pedra na Geny, como cantou triste e lindo o Chico. Gostaria de avançar um pouco na compreensão desse fenômeno, um comportamento contraditório, além de incoerente e inescrupuloso.
O contraditório é saudável, o próprio Nelson cunhou a frase que ficou famosa: “a unanimidade é burra”. Mas, estamos nos referindo ao contraditório de ideias. O contraditório de comportamentos, no entanto, é indicativo de doença mental ou de ausência de caráter, porque se perde na carência parcial ou total da lógica. É emblemático, a título de exemplo, que uma pessoa adulta, medindo 1,65m, tenha um ataque de pânico quando um inseto inofensivo, barata, aparece no ambiente em que está. Não há lógica que consiga explicar.



