Raro marsupial é descoberto no Rio após milhões de anos

Animal identificado por pesquisadores da UFRJ vive em fragmentos da Mata Atlântica fluminense
Por Mariana Lima
Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro identificaram uma nova espécie de marsupial encontrada em fragmentos da Mata Atlântica no estado do Rio de Janeiro. A descoberta que destacou a raridade do animal e sua longa separação evolutiva de espécies aparentadas. O pequeno mamífero recebeu o nome científico Monodelphis semilineata e foi apelidado de cuíca de três listras do Rio de Janeiro. Segundo a reportagem, a espécie pesa apenas algumas dezenas de gramas, possui olhos pequenos, um focinho pontudo e se alimenta principalmente de insetos. O animal habita os últimos fragmentos da Mata Atlântica localizada na baixada Litorânea e no Litoral Norte do estado do Rio de Janeiro.
A descoberta foi publicada na revista científica Journal of Mammalogy pelas estudantes do mestrado do Programa de pós graduação em Ciências Ambientais e Conservação (PPG-CiAC/UFRJ) Isabelle Chagas Vilela Borges e Carina Azevedo Oliveira Silva, sob orientação do doutor Rodrigues Gonçalves. De acordo com as análises feitas, o animal se separou evolutivamente de espécies próximas há cerca de 1,78 milhão de anos, o que reforçou a identificação de uma espécie inédita. De acordo com o professor Pablo Gonçalves, a origem coincide com outros mamíferos emblemáticos e ameaçados das planícies costeiras como por exemplo o mico-leão-dourado e a preguiça-de-coleira-do-sudeste.
Animal vive em áreas ameaçadas
A reportagem destaca que o marsupial foi encontrado em pequenos fragmentos florestais espalhados pelo território fluminense. Os pesquisadores alertam que a espécie não possui registros confirmados em áreas oficialmente protegidas, fator que aumenta a preocupação sobre sua conservação. O animal apresenta características físicas específicas que ajudaram na diferenciação em relação a outros marsupiais semelhantes. Entre elas está uma listra escura central nas costas mais curta do que a observada em espécies aparentadas.
Os pesquisadores também ressaltaram que a descoberta demonstra como a Mata Atlântica ainda abriga espécies desconhecidas pela ciência, mesmo sendo um dos biomas mais estudados do Brasil. A região onde o animal vive sofre pressão urbana constante, como grandes empreendimentos industriais, e rodovias próximas, que podem representar riscos para a preservação da nova espécie.
Além da importância biológica, o achado reforça o papel das pesquisas de campo na identificação de animais ainda pouco conhecidos pela ciência brasileira. Para os cientistas envolvidos no estudo, novas expedições podem ajudar a entender melhor a distribuição e os hábitos do marsupial recém-identificado.
Fonte: Aventuras na História




