CNI acusa Lula e Hugo Motta de acelerar fim da escala 6×1 por interesse eleitoral

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, subiu o tom contra o acordo firmado entre Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para acelerar a implementação do fim da escala 6×1. Em entrevista à coluna, Alban afirmou que o prazo previsto na proposta revela uma motivação “estritamente eleitoral” e acusou o governo de empurrar uma mudança sem planejamento para agradar o eleitorado às vésperas do calendário político.
Dar 60 dias depois da promulgação para entrar em vigor é uma assinatura clara de que o motivo é eleitoral. Não há preocupação real com os impactos”, declarou o presidente da CNI.
A crítica mira diretamente o acordo anunciado por Hugo Motta após reunião com Lula no Palácio do Planalto. Pelo modelo defendido pelo governo, a jornada semanal começaria a ser reduzida já nos primeiros 60 dias após aprovação da PEC, com corte inicial de duas horas. O restante da redução ocorreria em até 14 meses.
Para o setor industrial, o cronograma é considerado inviável, especialmente para pequenas e médias empresas. Segundo Alban, não existe mão de obra suficiente nem capacidade operacional para reorganizar equipes, produtividade e custos em um prazo tão curto.
Em 60 dias, você contrata mão de obra onde? Não existe. O que vai acontecer é repasse de preços para o consumidor”, afirmou.
A Confederação Nacional da Indústria defende uma transição muito mais lenta, com adaptação gradual ao longo de vários anos. O temor do setor é que a mudança provoque aumento de custos, pressão inflacionária e maior uso de horas extras para compensar a redução da carga horária. Apesar das críticas, Alban afirmou que empresários não rejeitam discutir mudanças na jornada de trabalho, mas acusou o governo de agir de forma precipitada.
“O problema não é discutir o fim do 6×1. O problema é o açodamento sem compromisso com o futuro”, disse.
O presidente da CNI também revelou que pretende atuar diretamente junto ao Senado para frear ou modificar o texto. Segundo ele, a estratégia agora é buscar apoio do presidente da Casa, Davi Alcolumbre, e de outros senadores para desacelerar a tramitação.
Vamos discutir isso sem o flash eleitoral. O que está na mesa hoje é claramente político”, afirmou.
Fonte: Hora Brasília






