A Semana no Brasil e no Mundo — André Mendonça aponta Jaques Wagner como interlocutor dos interesses do Banco Master

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), elevou o tom ao justificar a operação da Polícia Federal contra o senador Jaques Wagner (PT-BA) e afirmou que o líder do governo Lula no Senado não era apenas um contato ocasional de empresários ligados ao Banco Master, mas um “interlocutor relevante em temas sensíveis” para o grupo investigado.
A avaliação consta na decisão que autorizou a 9.ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (18), e representa um dos trechos mais contundentes já escritos pelo ministro sobre o papel atribuído ao senador nas investigações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e seus aliados. Segundo Mendonça, as provas reunidas pela Polícia Federal indicam que a relação entre Jaques Wagner e o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, ultrapassava uma simples amizade ou convivência social.
O vínculo entre ambos não se revela meramente social”, registrou o ministro na decisão.
A conclusão de Mendonça foi baseada, entre outros elementos, em uma mensagem enviada por Augusto Lima ao senador em março de 2025, durante as negociações para a venda do Banco Master ao BRB. Ao explicar detalhes da operação financeira, Lima escreveu a Wagner: “você mais do que ninguém sabe da minha história e faz parte disso”.
Para o ministro do STF, a frase possui significado muito mais profundo do que uma simples demonstração de proximidade pessoal. Na avaliação de Mendonça, a mensagem sugere que Wagner participava de discussões relevantes para os interesses do grupo econômico investigado e tinha conhecimento privilegiado sobre temas considerados estratégicos.
A frase indica que Jaques não seria mero destinatário passivo de informações, mas interlocutor relevante em temas sensíveis ao grupo econômico investigado”, afirmou o ministro.
A manifestação de André Mendonça ganha peso porque foi utilizada como fundamento para autorizar medidas invasivas da Polícia Federal, incluindo mandados de busca e apreensão. Os investigadores apuram se o senador atuou em favor de interesses do Banco Master dentro do Congresso Nacional e se pessoas ligadas ao seu círculo familiar receberam vantagens financeiras vinculadas ao grupo empresarial.
Entre os fatos investigados estão pagamentos milionários à empresa da nora de Jaques Wagner, o uso de aeronaves privadas ligadas a Daniel Vorcaro e a suposta defesa de pautas legislativas consideradas estratégicas para o banco. Ao destacar que Wagner era um “interlocutor relevante” e que sua relação com Augusto Lima não era apenas social, Mendonça colocou o líder do governo Lula no centro das suspeitas que motivaram a nova fase da Operação Compliance Zero. Embora o senador negue qualquer irregularidade e não exista condenação contra ele, a decisão do ministro mostra que o STF enxergou indícios suficientemente relevantes para aprofundar as investigações sobre a ligação entre o petista e o grupo econômico comandado por Daniel Vorcaro. (Fonte: Hora Brasília)
Rumble e Trump Media pedem revelia de Alexandre de Moraes em ação nos EUA

As empresas Rumble e Trump Media solicitaram à Justiça dos Estados Unidos o reconhecimento da revelia do ministro do STF Alexandre de Moraes em uma ação que tramita na Flórida. O pedido foi apresentado após o prazo fixado pela Corte para manifestação do magistrado ter expirado sem resposta formal, segundo os advogados das companhias.
Na petição, as empresas sustentam que Moraes foi regularmente citado por meio de um endereço eletrônico institucional do Supremo Tribunal Federal, procedimento previamente autorizado pela juíza responsável pelo caso. De acordo com os autores da ação, a documentação foi enviada a dois e-mails, sendo que um deles registrou confirmação de recebimento.
Os advogados afirmam que o prazo para resposta terminou em 15 de junho e argumentam que, diante da ausência de contestação apresentada diretamente pelo ministro, cabe o registro da revelia. No sistema judicial norte-americano, a medida pode ser aplicada quando uma das partes deixa de responder dentro do prazo processual estabelecido.
A petição também destaca que o governo brasileiro tentou intervir no processo e pediu o arquivamento da ação. As empresas, porém, alegam que os representantes da União não substituem a defesa pessoal de Moraes no caso.
Outro ponto levantado pelos autores é que a atuação do governo brasileiro na ação não afastaria a necessidade de manifestação formal do ministro, que figura como réu no processo. Atualmente, Moraes é representado judicialmente pela Advocacia-Geral da União (AGU). Embora a decretação da revelia não represente automaticamente uma derrota no mérito da ação, ela pode abrir caminho para novos pedidos processuais das empresas contra o ministro brasileiro perante a Justiça norte-americana. (Fonte: Hora Brasília)
Diretor-geral da PF acompanhou Lula até horas antes de operação contra Jaques Wagner

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, esteve ao lado de Luiz Inácio Lula da Silva em compromissos internacionais na França e na Suíça até poucas horas antes da deflagração da 9.ª fase da Operação Compliance Zero, que teve como um dos principais alvos o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). Andrei integrou a comitiva presidencial durante a viagem ao G7 e participou de agendas em Genebra. O chefe da PF retornou ao Brasil no mesmo avião de Lula, que pousou em Brasília na madrugada desta quinta-feira (18). Poucas horas após o desembarque, agentes da Polícia Federal cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Jaques Wagner no Distrito Federal e na Bahia, no âmbito da investigação que apura supostas vantagens indevidas relacionadas ao Banco Master.
Segundo interlocutores de Andrei Rodrigues citados na reportagem, o diretor-geral da PF ainda não havia conversado com Lula sobre a operação após o retorno ao Brasil, já que o petista estaria descansando da longa viagem internacional. Na véspera da operação, Andrei participou, em Genebra, de uma reunião com Lula e com o presidente da Interpol, Valdecy Urquiza. Após o encontro, os três concederam declarações à imprensa.
A coincidência temporal entre o retorno da comitiva presidencial e a realização da operação chama atenção por envolver um dos principais aliados políticos de Lula no Congresso. A ação da PF foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF, e integra as investigações da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e favorecimento de interesses ligados ao Banco Master. (Fonte: Hora Brasília)
Quem é o novo alvo de Nayib Bukele após o combate às gangues em El Salvador?

Por Gazeta do Povo Lab/Isabella de Paula
O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, completa dois anos de seu segundo mandato consolidando sua popularidade na segurança pública. Agora, ele anuncia uma nova frente de combate: a corrupção no setor público e privado, prometendo punições severas para fraudes e sonegação fiscal. O governo implementou a transparência obrigatória de bens de servidores e seus familiares, endureceu penas para crimes cometidos por meio de ‘laranjas’ e criou o Centro Nacional Anticorrupção. Este órgão utiliza tecnologia avançada e inteligência no Ministério Público para rastrear irregularidades financeiras de autoridades.
O governo aprovou a Lei Especial de Reestruturação Municipal, que reduziu o número de municípios de 262 para apenas 44 em 2024. Essa centralização visa facilitar a fiscalização, diminuir os gastos públicos e tornar a gestão do país mais eficiente, dificultando desvios em prefeituras menores.
Apesar da queda na criminalidade, o país vive em estado de exceção permanente há quatro anos. Grupos de direitos humanos denunciam o enfraquecimento da democracia, a falta de transparência e o encarceramento em massa sem o devido processo legal. A expulsão de missões internacionais de investigação também é vista como um sinal de concentração de poder.
As políticas de ‘linha-dura’ tornaram Bukele uma referência para políticos de direita. Ele recebeu apoio de figuras como Donald Trump e serviu de inspiração para os presidentes Javier Milei, da Argentina, e Daniel Noboa, do Equador, que buscam replicar métodos de segurança similares em seus países.
Especialistas apontam dificuldades devido à escala geográfica e complexidade do Brasil. Enquanto El Salvador é do tamanho de Sergipe, o Brasil é uma federação vasta com polícias estaduais e um Judiciário autônomo. Além disso, facções brasileiras como PCC e Comando Vermelho são redes criminosas muito mais sofisticadas do que as gangues territoriais salvadorenhas. (Fonte: Gazeta do Povo)
Flávio Bolsonaro promete castração química para estupradores e abusadores de crianças

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou, nesta quinta-feira (18), que pretende implementar a castração química para condenados por estupro e abuso sexual de crianças caso chegue à Presidência da República. A proposta foi apresentada durante o lançamento do plano de segurança pública “Brasil sem Medo”, em São Paulo. Ao defender o endurecimento das penas para crimes sexuais, o parlamentar afirmou que utilizará a força política de um eventual governo para aprovar a medida no Congresso Nacional.
Vou usar a força de presidente da República e a minha experiência como senador para aprovar e implementar a castração química de criminosos que abusam de mulheres e de crianças. A medida deverá ser aplicada a estupradores e abusadores de crianças condenados pela Justiça”, declarou.
Durante o evento, Flávio Bolsonaro elevou o tom ao falar sobre autores de crimes sexuais e afirmou que condenados por esse tipo de delito não deveriam receber qualquer tipo de tolerância por parte do poder público. “Criminoso que destrói a vida de mulheres e crianças não merece privilégio nem complacência do Estado”, disse. O senador acrescentou que pessoas condenadas por estupro e abuso sexual perdem o direito a qualquer tratamento brando e devem enfrentar punições mais severas.
Segundo ele, a adoção da castração química seria uma das principais medidas de um futuro governo voltado ao combate da violência contra mulheres e crianças. A defesa da castração química faz parte do programa “Brasil sem Medo”, conjunto de propostas apresentado por Flávio Bolsonaro para a área de segurança pública.
Além da medida, o plano prevê redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, ampliação do combate às facções criminosas, criação de presídios de segurança máxima e reforço das ações de controle nas fronteiras. Flávio também relacionou a dificuldade de aprovação de projetos sobre o tema à falta de apoio do governo federal no Congresso.
Na avaliação do senador, propostas voltadas ao endurecimento das penas para criminosos sexuais não avançam porque não contam com prioridade política do Palácio do Planalto. (Fonte: Hora Brasília)
Trump cita Bolsonaros e diz que Brasil é “politicamente perigoso”; Lula rebate: “não se meta na eleição”

Por Fábio Galão
Luiz Inácio Lula da Silva rebateu o mandatário dos Estados Unidos, Donald Trump, devido a comentários do republicano sobre a política brasileira. As declarações dos dois líderes foram feitas em entrevistas coletivas separadas que ambos concederam nesta quarta-feira (17), após o encerramento da cúpula do G7 na França. Segundo informações de agências internacionais, Trump disse, na sua coletiva, que o Brasil se tornou “um pouco conturbado” e “perigoso politicamente”.
“Ouvi dizer que eles prenderam alguém que está concorrendo à presidência. Ouvi dizer que prenderam ‘Bolsonaro Jr’. Ele estava indo bem nas pesquisas, mas o prenderam ou querem prendê-lo”, afirmou Trump, aparentemente fazendo confusão entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à presidência, e seu irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), condenado na terça-feira (16) pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) a quatro anos de prisão em regime semiaberto e inelegibilidade por oito anos devido a acusações de crime de coação no curso do processo.
A respeito da eleição presidencial brasileira em outubro, Trump disse que “eles [brasileiros] jogam duro”. “Mas ninguém joga mais duro do que os Estados Unidos. Veja bem, nossas eleições são totalmente manipuladas. Nós temos eleições manipuladas”, disse, reiterando seu argumento de que o pleito de 2020, quando foi derrotado pelo democrata Joe Biden, teria sido fraudado.
Em entrevista coletiva separada, concedida depois da fala de Trump, Lula rebateu o mandatário americano. “Não tem país no mundo — e os Estados Unidos poderiam aprender com o Brasil — com eleições mais tranquilas, mais leves e menos conturbadas. Não tem país no mundo que tenha um sistema de urna eletrônica como o nosso, em que duas horas após terminar as eleições, a gente já sabe o resultado”, disse Lula.
O petista afirmou que Trump “tem o direito de ter as preferências eleitorais e ideológicas dele” e que o presidente dos EUA “pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto”. “Agora, não se meta nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil são um problema do Brasil, assim como as eleições americanas são um problema deles”, afirmou o petista.
Lula e Trump se encontraram na Casa Branca no início de maio, mas desde então a relação entre os dois mandatários voltou a azedar. Os Estados Unidos designaram os grupos criminosos brasileiros Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, o que foi classificado pelo governo petista como um desrespeito à “soberania” nacional.
Após ter suspendido a maior parte do tarifaço de 50% a produtos brasileiros imposto em 2025 — que havia sido aplicado devido ao processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro no STF, entre outros fatores —, a gestão Trump sinalizou este mês novas tarifas ao Brasil. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), órgão do governo americano, sugeriu uma sobretaxa de 25% nas importações de produtos brasileiros, sob o argumento de práticas comerciais injustas, e outra de 12,5% ao Brasil e outros 59 países, alegando falhas no combate a mercadorias produzidas com trabalho forçado e escravo.
Trump e Lula se cumprimentaram brevemente na cúpula do G7. Apesar de o presidente americano ter sugerido na sua coletiva que se reuniu com o brasileiro no evento, dizendo que passou “bastante tempo” com ele, Lula alegou que não pediu uma reunião bilateral com Trump no G7 porque negociações entre os dois países estão em andamento. “Acho que o que ele fez foi uma coisa desaforada para o Brasil, e ele sabe disso. É por isso que eu disse que ele ainda continua agindo como um imperador”, disse Lula na sua coletiva. “Eu entreguei para ele um documento sobre o crime organizado para mostrar que a nossa Polícia Federal está preparada para enfrentar o crime organizado”, afirmou o petista. “Entreguei por escrito, porque não quero só falar, porque o presidente Trump fala muito e ouve pouco. Fiz questão de entregar por escrito o que queremos sobre o combate ao crime organizado, sobre terras raras, minerais críticos e sobre o comércio”, acrescentou. (Fonte: Gazeta do Povo)













