Política

Apoio a Lula no Congresso despenca mesmo com recorde de emendas

Levantamento indica que Lula terá dificuldade em aprovar projetos prioritários que serão usados em sua campanha eleitoral

Por Guilherme Grandi

O apoio a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por deputados e senadores despencou neste ano mesmo após o governo liberar um volume recorde de emendas parlamentares, de acordo com um levantamento divulgado, nesta sexta-feira (24), pela consultoria Ética Inteligência Política. A pesquisa, publicada pelo Estadão, aponta que o índice de apoio às pautas prioritárias do governo caiu de 75% para 38,5% no Senado entre o primeiro semestre de 2025 e o mesmo período deste ano. Na Câmara dos Deputados, a taxa recuou de 58% para 38,1%, refletindo o afastamento de partidos do centrão como MDB, PSD, União Brasil, PP e Republicanos.
Segundo a consultoria, a queda da governabilidade ocorre paralelamente ao aumento da liberação de emendas parlamentares que somou R$ 33,89 bilhões nos seis primeiros meses do ano. É o maior volume já registrado para um período pré-eleitoral.
Mesmo com a liberação recorde de recursos, o governo não conseguiu avançar com algumas das principais propostas antes do início do recesso parlamentar e que serão utilizadas por Lula em sua campanha à reeleição. Entre elas está a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6×1 e reduz a jornada de trabalho, que está com a tramitação travada no Senado por decisão do senador Davi Alcolumbre (União-AP), que preside o Congresso.
Também estão na lista projetos fortemente defendidos pelo Planalto e que seguem sem avanço, como a PEC da Segurança Pública, a regulamentação da inteligência artificial e dos mercados digitais. A dificuldade de avanço dessas propostas levou aliados de Lula a reforçarem a ofensiva contra o Congresso pouco antes do início do recesso parlamentar e mesmo durante o período de interrupção dos trabalhos. A expectativa é de que a pressão seja reforçada na volta ao expediente, a partir de agosto. Para a sócia da Ética Inteligência Política, Carolina Venuto, o volume cada vez maior de emendas parlamentares alterou a forma de negociação entre o governo e Congresso.

Com os números recordes de emendas parlamentares e, consequentemente, maior autonomia do Congresso, o governo tem enfrentado mais dificuldades para articular suas prioridades, dependendo cada vez mais de acordos construídos em torno de cada pauta”, afirmou ao Estadão.

A especialista explicou que parte significativa das bancadas passou a definir seu posicionamento conforme o contexto político de cada votação. Em ano eleitoral, explica, essa lógica se intensifica e “também entram nas negociações os interesses das disputas estaduais, das alianças eleitorais e da construção de narrativas para a campanha”.
Na avaliação da especialista, o ritmo mais lento do Congresso até outubro deve adiar a análise de propostas que exigem maior articulação política. Segundo ela, a reorganização das prioridades dependerá do resultado das eleições e da composição da próxima legislatura. Carolina Venuto afirmou que uma eventual reeleição de Lula poderá abrir espaço para a retomada de projetos que enfrentaram resistência ao longo do mandato. Caso haja mudança no comando do Palácio do Planalto, o futuro presidente precisará negociar sua agenda com um novo Congresso que continuará contando com grande volume de recursos provenientes das emendas parlamentares.

Em ambos os cenários, o resultado das urnas redefine a correlação de forças, influencia as negociações políticas e pode mudar o ritmo de tramitação de propostas que hoje estão paralisadas”, concluiu.

Fonte: Gazeta do Povo

Luzimara Fernandes

Jornalista MTB 2358-ES

Related Posts

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *