Política

A Semana no Brasil e no Mundo — Lulinha leva empresa para área nobre de Madri em meio a investigação

Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), transferiu o endereço de sua empresa de informática na Espanha para uma área nobre de Madri, em contraste com a declaração recente do vice-presidente nacional do PT, Washington Quaquá, de que o empresário estaria vivendo em “condições precárias” no país.
Segundo informações divulgadas pelo Metrópoles, a mudança ocorreu em abril, mas só foi formalizada na semana passada. A empresa passou a funcionar em um prédio na região do Paseo de la Castellana, um dos principais eixos financeiros e empresariais da capital espanhola. Antes, estava instalada na rua Agustín de Foxá, no distrito de Chamartín.
A atualização do endereço veio à tona poucos dias depois de Quaquá, também prefeito de Maricá (RJ), sair em defesa de Lulinha e afirmar que o filho do petista vivia em situação financeira precária na Espanha. A localização escolhida para a empresa adiciona um novo elemento à discussão sobre a condição econômica do empresário, embora o endereço comercial, isoladamente, não seja suficiente para determinar seu patrimônio pessoal.
A companhia é registrada como uma consultoria voltada à informática e gestão de instalações de tecnologia. Atualmente, Lulinha aparece como administrador único da empresa. O capital social declarado é de três mil euros, aproximadamente R$ 17,9 mil na cotação mencionada pela reportagem.

Mudança ocorre em meio a avanço das investigações
A movimentação empresarial ocorre enquanto Lulinha enfrenta um cerco investigativo crescente no Brasil. A Polícia Federal enviou ao Supremo Tribunal Federal pedido para a abertura de um terceiro inquérito relacionado ao empresário, desta vez por suspeita de tráfico de influência.
Em 30 de julho, o ministro André Mendonça autorizou a PF a investigar se o filho de Lula teria praticado tráfico de influência e corrupção passiva em suposta atuação junto ao Ministério da Saúde para favorecer Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. As suspeitas ainda estão sendo investigadas e não significam que Lulinha tenha cometido os crimes.
O novo endereço comercial em Madri ganha repercussão justamente nesse contexto. Enquanto aliados políticos do presidente procuram retratar Lulinha como alguém em dificuldades financeiras no exterior, investigadores avançam sobre suspeitas envolvendo suas relações empresariais e uma eventual atuação em favor de interesses privados dentro do governo federal.

Defesa fala em “caçada” contra filho de Lula
A defesa de Lulinha rejeita as suspeitas e sustenta que o empresário estaria sendo perseguido por carregar o sobrenome do petista. O advogado Marco Aurélio de Carvalho classificou as investigações como uma “pesca probatória” e comparou a atuação dos investigadores à Operação Lava Jato. Segundo ele, Lulinha estaria sendo submetido a uma “verdadeira caçada” por ser filho de Lula. A defesa sustenta ainda que, se Fábio Luís não fosse filho do petista, os inquéritos não teriam sido instaurados ou já teriam sido arquivados. (Fonte: Hora Brasília)


Briga entre Lula e Milei abre disputa pelo futuro do Mercosul

Após Brasil rebaixar as relações com a Argentina, o presidente Javier Milei voltou a subir o tom contra Lula com novos insultos (Foto: Getty Images)

Por Isabella de Paula
Brasil e Argentina atravessam o momento mais crítico de suas relações, desde a chegada do presidente Javier Milei à Casa Rosada, em 2023. O choque diplomático recente abre portas para um cenário que pode provocar mudanças na dinâmica bilateral e afetar até mesmo o funcionamento do Mercado Comum do Sul (Mercosul). Embora analistas não prevejam impactos imediatos sobre acordos comerciais entre os dois países, visto que há uma profunda dependência de ambos nesse campo, a crise tem potencial de reconfigurar a forma como o bloco tem negociado nas últimas décadas.
Milei já expressou em diferentes ocasiões sua frustração com as atuais regras do Mercosul. Ele criticou a profunda burocracia e lentidão com que acordos são feitos dentro do bloco e chegou a ameaçar abandonar o bloco devido às divergências. Uma das mudanças defendidas pelo libertário é uma maior liberdade aos países integrantes para negociar seus próprios compromissos, tornando-o uma plataforma de livre comércio com menos normas e institucionalidade. Por outro lado, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é favorável à manutenção do atual modelo de integração econômica regional e do fortalecimento institucional do bloco. Para o petista, o Mercosul funciona como uma espécie de armadura que protege os integrantes de disputas comerciais globais.

Argentina testa limites do Mercosul e enfrenta reação do Brasil
Recentemente, a Argentina começou a testar os limites do bloco regional ao assinar acordos comerciais com os EUA, um dos principais aliados da gestão Milei e que tem pressionado o Brasil na esfera econômica. O governo brasileiro rapidamente reagiu dizendo a representantes de Buenos Aires que a decisão de flexibilizar as regras poderia gerar “distorções” no Mercosul e criar “barreiras regulatórias” para produtos produzidos no bloco.
O professor de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) João Alfredo Lopes Nyegray avalia que a postura adotada por Milei reforça sua imagem como parceiro preferencial da Casa Branca na América do Sul, ao mesmo tempo em que Washington endurece sua postura em relação ao governo Lula. Para o internacionalista, essa erosão institucional enfraquece toda a integração sul-americana.

Os presidentes deixam de conversar, os chanceleres reduzem o diálogo político, projetos conjuntos deixam de avançar, o Mercosul perde capacidade estratégica e questões comerciais passam a ser resolvidas apenas pela burocracia técnica”.

Dessa forma, segundo o professor, o prejuízo da relação estremecida entre os países poderá aparecer no médio prazo com um Mercosul mais paralisado, com menor coordenação regional e perda de capacidade conjunta justamente em um momento de crescente competição geopolítica global. Márcio Coimbra, CEO da Casa Política, avalia que a extensão do conflito bilateral para o campo das sanções tarifárias ou do bloqueio de acordos no âmbito do Mercosul cobraria um alto preço para ambos os países, atingindo em cheio os setores industriais que dependem das cadeias produtivas regionais.
Hoje, o Brasil figura como o principal parceiro comercial da Argentina, enquanto a Argentina é listada como o terceiro principal parceiro comercial do Brasil. Dados do Ministério do Desenvolvimento apontam que os países movimentaram US$ 13,75 bilhões em importações e exportações somente no primeiro semestre de 2026.

As divergências ideológicas e a polarização política na região já têm afetado a tomada de decisão coletiva dentro do bloco. Apesar de o governo argentino não ter travado o funcionamento prático de acordos comerciais no Mercosul, até o momento, Milei já impediu que declarações conjuntas de cúpula alcançassem um consenso entre os países-membros.
O caso mais emblemático ocorreu em uma das cúpulas realizadas no Paraguai, em 2024. Na ocasião, a delegação argentina rejeitou os termos da declaração final por se opor a trechos que mencionavam a Agenda 2030 da ONU, questões de diversidade e políticas climáticas.
A crise mais recente entre os líderes vizinhos também sinaliza que o argentino busca um protagonismo na América do Sul e tem aproveitado o desgaste externo e crescente isolamento de Lula para ocupar esse espaço anteriormente exercido pelo Brasil. O crescimento da direita na região é outro ponto que pode favorecer a estratégia de Milei para avançar com as mudanças estruturais que propôs para o bloco. (Fonte: Gazeta do Povo)


Erika Hilton pode ter mandato cassado após Conselho de Ética aprovar parecer

(Foto: Redes Sociais)

O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados aprovou, por 10 votos a 5, o parecer preliminar que admite a representação contra a deputada Erika Hilton (Psol-SP) por suposta quebra de decoro parlamentar. Com a decisão, o processo avança e pode, ao final, resultar até na cassação do mandato da parlamentar.
A representação foi apresentada pelo Partido Missão e tem como foco uma publicação feita por Erika no X em 11 de março, horas depois de ela ser eleita presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher. No texto, a deputada escreveu que não se importava com a opinião de “transfóbicos e imbeCIS” e, em outro trecho, afirmou: “podem espernear. Podem latir”.
Para o partido, as expressões foram dirigidas a mulheres cisgênero e configurariam ataque, desumanização e quebra de decoro. A representação pede a aplicação da pena de perda do mandato. O documento sustenta que o uso da palavra “latir”, no contexto de críticas feitas por mulheres, teria associado essas pessoas à figura de animais. Segundo a representação, a expressão seria uma forma de rebaixamento e desumanização.
No parecer preliminar, o relator, deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), afirmou haver elementos suficientes de autoria e materialidade para que o processo tenha prosseguimento. Segundo ele, os fatos descritos podem configurar, em análise inicial, uma “afronta ao decoro parlamentar”. O relator também sustentou que a imunidade parlamentar não impede o Conselho de Ética de analisar eventual abuso no uso das palavras. Para embasar o entendimento, citou decisões do Supremo Tribunal Federal sobre os limites da proteção constitucional conferida a deputados e senadores.

Defesa tentou afastar relator
Antes da votação, a defesa de Erika pediu a suspeição de Cabo Gilberto. O argumento é que o deputado já teria manifestado posição sobre a eleição da parlamentar para a Comissão da Mulher antes mesmo de ser sorteado para relatar o processo. Cinco dias depois da eleição de Erika para a presidência do colegiado, Cabo Gilberto apresentou um projeto de resolução determinando que a presidência da comissão fosse ocupada por deputadas do “sexo feminino”. Para a defesa, essa iniciativa demonstraria que o relator já possuía posição prévia sobre a controvérsia que está no centro da representação.
Os advogados também pediram o arquivamento do processo com base na imunidade parlamentar prevista no artigo 53 da Constituição, que estabelece a inviolabilidade civil e penal de deputados e senadores por suas opiniões, palavras e votos. Erika sustenta que as expressões publicadas foram dirigidas especificamente aos críticos de sua eleição para a Comissão da Mulher, e não às mulheres cisgênero como grupo. A deputada também classificou a representação como “lawfare de gênero” e afirmou que o processo seria uma tentativa de deslegitimá-la politicamente por ser uma mulher trans.
A decisão desta terça-feira não representa uma condenação nem determina a perda imediata do mandato. O Conselho de Ética decidiu apenas que existem elementos suficientes para que a representação prossiga. Erika terá agora 10 dias para apresentar sua defesa.
Depois dessa etapa, o colegiado analisará o mérito das acusações e poderá decidir pela absolvição ou pela aplicação de alguma penalidade. Caso a punição proposta seja a cassação, a perda do mandato ainda dependerá de votação no Plenário da Câmara. (Fonte: Hora Brasília)


13 de agosto na história: do Muro de Berlim ao acordo entre Israel e Emirados

Trecho do Muro de Berlim, após o início da construção da barreira que dividiu a cidade (Foto: Getty Images)

Por Ana Paula Pickler
Todos os dias do calendário guardam acontecimentos que ajudaram a moldar a política, a ciência, a cultura e a sociedade ao longo dos anos. O 13 de agosto reúne episódios como a queda de Tenochtitlán diante das tropas de Hernán Cortés, o início da construção do Muro de Berlim e o anúncio de um acordo que abriu caminho para a normalização das relações entre Israel e os Emirados Árabes Unidos. A data também marca a descoberta do aço inoxidável e o nascimento do cineasta Alfred Hitchcock e do ditador cubano Fidel Castro. Relembre, junto com a Gazeta do Povo, alguns dos fatos que marcaram esta data.

A queda de Tenochtitlán
Em 13 de agosto de 1521, as tropas do conquistador espanhol Hernán Cortés derrotaram a resistência de Tenochtitlán, capital do Império Mexica, em um dos episódios decisivos da conquista espanhola do território que hoje corresponde ao México. A cidade, construída sobre ilhas e áreas do lago Texcoco, era um dos maiores centros urbanos das Américas no período. A campanha espanhola contou também com a participação de povos indígenas que eram rivais dos mexicas, entre eles os tlaxcaltecas.
Após meses de cerco, combates e uma epidemia de varíola que enfraqueceu a população local, Tenochtitlán caiu. Cuauhtémoc, último governante mexica, foi capturado pelas forças de Cortés. A derrota marcou o fim do domínio mexica e abriu caminho para a consolidação do domínio espanhol na região. A conquista, porém, não ocorreu apenas por ação dos espanhóis: alianças com diferentes povos indígenas tiveram papel importante no conflito. O episódio também deu início a uma profunda transformação política, social e cultural da região, que posteriormente passou a integrar o Vice-Reino da Nova Espanha.

Retrato de Hernán Cortés, conquistador espanhol que liderou a campanha que culminou na queda de Tenochtitlán em 13 de agosto de 1521 (Foto: Wikimedia Commons)

O dia em que começou a construção do Muro de Berlim
Em 13 de agosto de 1961, a Alemanha Oriental iniciou o fechamento da fronteira que separava Berlim Oriental de Berlim Ocidental. Nas primeiras horas, soldados e trabalhadores instalaram cercas de arame farpado, bloquearam ruas e interromperam ligações ferroviárias.
A medida foi tomada em meio à Guerra Fria, período de rivalidade política, militar e ideológica entre Estados Unidos e União Soviética. Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, a Alemanha estava dividida em áreas de ocupação e, posteriormente, deu origem a dois países: a Alemanha Ocidental e a Alemanha Oriental.
Milhões de pessoas haviam deixado o lado oriental em direção ao Ocidente, e o governo da Alemanha Oriental buscava conter esse movimento. Berlim era particularmente importante porque permitia uma passagem relativamente acessível entre os dois sistemas. O que começou como uma barreira improvisada foi transformado nos anos seguintes em um complexo sistema de muros, cercas, torres de vigilância e áreas de segurança. O Muro de Berlim permaneceu como um dos principais símbolos da divisão do mundo durante a Guerra Fria. A estrutura começou a ser derrubada em 9 de novembro de 1989, em um dos acontecimentos que antecederam a reunificação alemã.

Israel e Emirados Árabes anunciam normalização das relações
Em 13 de agosto de 2020, Israel e os Emirados Árabes Unidos anunciaram um acordo para normalizar suas relações diplomáticas. O anúncio foi feito pelos governos dos dois países e dos Estados Unidos, que participaram da articulação do entendimento. O acordo previa o estabelecimento de relações diplomáticas formais e a ampliação da cooperação em áreas como comércio, turismo, tecnologia, saúde e segurança. Os Emirados Árabes Unidos se tornaram o primeiro país do Golfo a normalizar oficialmente as relações com Israel.
Como parte do entendimento, Israel suspendeu os planos então anunciados de anexar partes da Cisjordânia. A Organização das Nações Unidas avaliou que a medida poderia criar uma oportunidade para a retomada das negociações entre israelenses e palestinos. O acordo posteriormente passou a integrar os chamados Acordos de Abraão, conjunto de entendimentos diplomáticos mediados pelos Estados Unidos que também envolveu Bahrein e Israel. O anúncio representou uma mudança importante na diplomacia do Oriente Médio, já que, até então, apenas Egito e Jordânia haviam estabelecido relações diplomáticas formais com Israel entre os países árabes.

A descoberta do aço inoxidável
O 13 de agosto também está ligado a uma descoberta que passou a fazer parte do cotidiano de milhões de pessoas. Em 13 de agosto de 1913, o metalurgista britânico Harry Brearley identificou em Sheffield, na Inglaterra, uma liga de aço com elevada resistência à corrosão. A descoberta deu origem ao que hoje é conhecido como aço inoxidável, material utilizado em utensílios domésticos, equipamentos médicos, construções e diferentes setores industriais.
Brearley pesquisava formas de produzir aços mais resistentes ao desgaste em peças utilizadas na indústria de armamentos quando percebeu que uma das ligas analisadas resistia à corrosão. A descoberta inicialmente encontrou aplicação na fabricação de talheres e, posteriormente, ganhou espaço em diversas áreas. O material se tornou especialmente útil por combinar a resistência característica do aço com uma capacidade maior de suportar a ação da água e do oxigênio.

Outros fatos marcantes de 13 de agosto
O 13 de agosto também reúne acontecimentos que atravessam diferentes períodos da história, além de lembrar personalidades que se destacaram na política, na ciência, na literatura, no cinema e na música.

Confira alguns deles:
● 1529 –
É registrada no México a realização da primeira corrida de touros;
● 1792 – Durante a Revolução Francesa, a família real é presa na fortaleza do Temple, em Paris;
● 1935 – O rompimento da barragem de Sella Zerbino, na região de Gênova, Itália, provoca uma grande inundação e mais de 100 mortes;
● 1987 – O presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, assume responsabilidade pelo escândalo Irã-Contras;
● 2008 – Rússia e Geórgia aceitam um plano de cessar-fogo mediado pela União Europeia após o conflito na Ossétia do Sul;
● 2016 – O nadador americano Michael Phelps conquista sua 23.ª medalha de ouro olímpica e chega a 28 medalhas no total, em sua quinta participação nos Jogos.

Nascimentos em 13 de agosto
● 1899 –
Alfred Hitchcock, cineasta britânico;
● 1926 – Fidel Castro, ditador cubano;
● 1953 – Carmen Posadas, escritora uruguaia naturalizada espanhola.

Mortes em 13 de agosto
● 1863 –
Eugène Delacroix, pintor francês;
● 1946 – H. G. Wells, escritor britânico;
● 1994 – Manfred Wörner, ex-secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan);
● 2009 – Les Paul, músico americano considerado um dos pioneiros da guitarra elétrica;
● 2016 Kenny Baker, ator britânico conhecido por interpretar R2-D2 na saga Star Wars. (Fonte: Gazeta do Povo)


Delações que podem atingir políticos, Lulinha e Marcola estão paradas há mais de quatro meses no caso INSS, diz O Globo

Lula, o filho Lulinha e os sócios Kalil e Fernando Bittar e Jonas Suassuna (à direita ao fundo) (Foto: Fábio Campanato/Agência Brasil)

Quatro propostas de colaboração premiada apresentadas por personagens considerados centrais no esquema bilionário de fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS estão represadas há mais de quatro meses, sem aprovação nem rejeição definitiva pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República. As informações foram divulgadas pelo jornal O Globo.
O impasse chama atenção pelo potencial das informações oferecidas. Embora os anexos permaneçam sob sigilo, fontes a par das negociações afirmam que as propostas tratam não apenas do funcionamento e da perpetuação dos descontos ilegais, mas também de políticos com foro privilegiado, de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do Lula, e de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola.
Enquanto as delações permanecem sem definição, a Operação Sem Desconto continua avançando. Na etapa deflagrada na semana passada, a investigação atingiu o senador Weverton Rocha (PDT-MA) e o advogado Willer Tomaz. Paralelamente, a pedido da própria PF, foram abertos três inquéritos no Supremo Tribunal Federal envolvendo Lulinha.
As propostas que continuam em negociação são do ex-procurador-geral do INSS Virgílio Oliveira; do ex-diretor de Benefícios André Fidelis; do filho dele, o advogado Eric Douglas Fidelis, e do empresário e lobista Maurício Camisotti. Virgílio e André estão presos. Eric cumpre prisão domiciliar. No caso de Virgílio Oliveira, a negociação avançou a ponto de ele assinar um contrato de confidencialidade com a Polícia Federal em janeiro. Em abril, o ex-procurador passou aproximadamente uma semana prestando depoimentos a diferentes delegados.

A proposta apresentada por Virgílio possui mais de 120 páginas de anexos e prevê, segundo as informações disponíveis, a devolução integral dos valores desviados atribuídos a ele. Mesmo assim, mais de quatro meses depois, não houve decisão definitiva sobre a colaboração. André e Eric Fidelis prestaram depoimentos e apresentaram seus respectivos anexos em março. Também continuam aguardando uma resposta.
Fontes da Polícia Federal afirmam que as negociações não foram abandonadas e que existe interesse nas colaborações. As tratativas estariam concentradas na discussão dos benefícios que poderiam ser concedidos aos investigados e das contrapartidas exigidas pelas autoridades. A situação de Maurício Camisotti é ainda mais peculiar. Uma primeira proposta de delação chegou a ser apresentada à PGR como concluída em fevereiro. O acordo, porém, foi retirado e posteriormente reformulado porque o Ministério Público Federal não havia participado da negociação inicial. A defesa preparou uma segunda proposta, mas até agora também não recebeu indicação de que o acordo será homologado.
Camisotti é apontado pela Polícia Federal como um dos principais operadores financeiros do esquema. Segundo as investigações, ele controlava três entidades que arrecadaram mais de R$ 1 bilhão por meio dos descontos investigados e teria recebido ao menos R$ 43 milhões dessas organizações.
A PF também identificou R$ 7,2 milhões sacados em dinheiro vivo, distribuídos em 17 retiradas realizadas entre 2018 e 2025. As movimentações constam de relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, o Coaf. Para os investigadores, os saques representam indícios de “condutas graves relacionadas à dilapidação patrimonial”. Camisotti é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro, ocultação patrimonial e participação em organização criminosa.

PF aponta R$ 7,5 milhões para ex-procurador do INSS
Virgílio Oliveira também aparece em posição central nas investigações. Segundo a Polícia Federal, o então procurador-geral do INSS teria desempenhado papel relevante na liberação dos descontos que atingiram milhões de aposentados e pensionistas. As investigações apontam ainda que Virgílio teria recebido R$ 7,5 milhões de Antonio Carlos Antunes, o chamado “Careca do INSS”, apontado como uma das principais figuras do esquema.
O ex-diretor André Fidelis, por sua vez, é suspeito de ter facilitado as irregularidades enquanto comandava a área de Benefícios do instituto. A PF trabalha com a hipótese de que ele tenha recebido propina do Careca do INSS por intermédio do escritório de advocacia de seu filho, Eric Douglas. Eric atuou em processos contra o próprio INSS e manteve relações com algumas das entidades posteriormente alcançadas pelas investigações.
Planilhas apreendidas pela PF também chamaram atenção para o tratamento dado aos dois ex-dirigentes. André Fidelis apareceria identificado como “Herói A”, enquanto Virgílio Oliveira seria o “Herói V”. Segundo a colunista Bela Megale, de O Globo, os dois já foram indiciados pela Polícia Federal em uma frente específica das investigações relacionada à Contag, Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares, maior entidade investigada no escândalo, com mais de um milhão de associados.

O atraso na definição das colaborações criou outro ponto de tensão. Integrantes das defesas manifestam nos bastidores o temor de que informações fornecidas durante depoimentos e negociações preliminares acabem sendo utilizadas nas investigações antes da formalização dos acordos. A preocupação é que, com o avanço independente da PF sobre fatos e personagens apresentados pelos potenciais colaboradores, parte do conteúdo deixe de ser considerada inédita e, consequentemente, perca valor como moeda de negociação para a delação premiada.
Investigadores argumentam que não existe prazo legal para que uma proposta de colaboração seja aceita ou recusada e sustentam que as negociações continuam em andamento. Ainda assim, o contraste é evidente: quatro personagens apontados como integrantes do núcleo do esquema estão oferecendo informações há meses, inclusive sobre figuras politicamente sensíveis, enquanto as investigações avançam e novas operações são realizadas.
Segundo a investigação, o mecanismo das fraudes foi estruturado por meio de acordos de cooperação técnica firmados entre o INSS e sindicatos ou associações. Esses acordos permitiam descontos diretamente nos benefícios previdenciários. A suspeita é de que milhões de aposentados e pensionistas tenham sofrido cobranças sem autorização.
A Polícia Federal estima que o esquema tenha movimentado ou desviado aproximadamente R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024. Entre os principais personagens já identificados e presos, apenas Antonio Carlos Antunes, o Careca do INSS, e o ex-presidente do instituto Alessandro Stefanutto não teriam tentado negociar colaboração premiada com a PF. O destino das quatro propostas agora se torna ainda mais relevante porque seus anexos, segundo fontes que conhecem o material, podem ampliar a investigação para além dos operadores do esquema e alcançar políticos com prerrogativa de foro e pessoas próximas ao núcleo do poder federal. (Fonte: Hora Brasília)


Visita de Putin a ilhas disputadas com o Japão reacende briga e eleva tensões na Ásia

O ditador russo, Vladimir Putin, está realizando nesta semana visitas a territórios no extremo leste do país (Foto: Getty Images)

Por Fábio Galão
O governo do Japão criticou nesta quinta-feira (13) uma visita realizada horas antes pelo ditador da Rússia, Vladimir Putin, às Ilhas Curilas, disputadas pelos dois países. Segundo informações da emissora britânica BBC, a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, disse a jornalistas que a visita de Putin a Iturup (chamada pelo Japão de Etorofu), uma das quatro ilhas do arquipélago reivindicadas por Tóquio, foi “absolutamente inaceitável” e “piorou o sentimento japonês em relação à Rússia”.

[O arquipélago] é território inerente ao Japão, histórica e juridicamente, à luz do direito internacional”, disse Takaichi.

O ministro das Relações Exteriores do Japão, Toshimitsu Motegi, seguiu a mesma linha, ao afirmar que as ilhas são “território inerentemente japonês, tanto histórica quanto juridicamente, e o governo do Japão protesta veementemente contra essa visita”. Segundo a agência EFE, o Japão convocou nesta quinta-feira o embaixador da Rússia em Tóquio, Nikolai Nozdriev, para protestar. Foi a primeira visita de Putin às Curilas, reacendendo uma disputa de mais de 80 anos entre os dois países.
As Ilhas Curilas foram ocupadas pela Rússia ao fim da Segunda Guerra Mundial, com Moscou expulsando 17 mil residentes japoneses do arquipélago. Desde então, os dois países travam uma disputa diplomática pelas ilhas, razão pela qual nunca assinaram um acordo de paz após a Segunda Guerra Mundial. O Japão reivindica quatro ilhas que denomina Territórios do Norte.
O ex-primeiro-ministro Shinzo Abe, durante os períodos em que governou o Japão (2006-2007 e 2012-2020), buscou aproximação com a Rússia para tentar resolver a disputa territorial sobre as Ilhas Curilas e estabelecer um canal de comunicação diante da piora das relações japonesas com a China e a Coreia do Norte.
Porém, as relações entre Tóquio e Moscou voltaram a azedar depois que o Japão aderiu às sanções do Ocidente contra a Rússia devido à invasão à Ucrânia. As forças russas costumam realizar exercícios militares na região das Curilas, como um realizado no mês passado com a China, o que tem sido criticado pelo Japão. A visita de Putin a Iturup (ou Etorofu) fez parte de uma viagem que o ditador está realizando a territórios no extremo leste da Rússia.
Na quarta-feira (12), durante uma visita a um cruzador lança-mísseis da Frota do Pacífico na ilha de Sacalina, Putin afirmou que as forças do país poderão responder em qualquer lugar do mundo às apreensões dos navios de sua frota fantasma, que transportam clandestinamente mercadorias alvos de sanções. (Fonte: Gazeta do Povo)


Haroldo Filho

Jornalista – DRT: 0003818/ES Coordenador-geral da ONG Educar para Crescer

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