Política

Revista inglesa diz que força do Congresso é “ameaça à democracia” no Brasil

Plenário do Senado Federal, em Brasília: The Economist afirmou que “o Congresso arrebatou poder do Executivo” e tem interesse em manter presidentes “fracos e submissos”

Por Fábio Galão

A revista inglesa The Economist publicou, neste domingo (16), uma análise na qual descreveu o Brasil como “a grande democracia onde os parlamentares têm mais poder que o Executivo” e um exemplo de país onde “um presidente excessivamente fraco também pode ser uma ameaça à democracia”.

De uma década para cá, o Poder Executivo brasileiro perdeu influência para o Judiciário e, especialmente, para o Congresso. O equilíbrio de poderes tornou-se tão distorcido que os parlamentares brasileiros parecem já não se importar com quem será eleito presidente nas eleições gerais de outubro”, escreveu a Economist. “Alguns acreditam que, quem quer que vença, deverá ser forçado a ceder às suas exigências. Os brasileiros podem estar descobrindo que, assim como o excesso de poder do Executivo é um desafio à democracia, um Congresso excessivamente poderoso também pode ser”, afirmou a publicação britânica.

A Economist mencionou que, embora as pesquisas apontem uma disputa polarizada entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), o Centrão, “que detém 46% das cadeiras no Congresso que encerra seu mandato”, declarou neutralidade. “Na última década, enquanto uma sucessão de presidentes fracos governava o Brasil, o Congresso arrebatou poder do Executivo”, escreveu a Economist, que citou como exemplos dessa força a rejeição de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) – “o primeiro indicado presidencial a ser rejeitado em mais de um século” – e os 105 pedidos de impeachment contra ministros do STF apresentados no Congresso nacional desde 2021 – destacando que o Supremo “também acumulou poder excessivo nos últimos anos”.

O número de pedidos pode aumentar à medida que novas investigações de corrupção continuam a envolver parlamentares, incluindo apurações sobre fraudes no fundo de previdência pública e os desdobramentos da maior fraude bancária da história do Brasil”, afirmou a Economist, citando os casos INSS e Master. “O próximo presidente brasileiro enfrentará não apenas um crescimento econômico lento, taxas de juros elevadas e um eleitorado polarizado, mas também um Congresso excessivamente poderoso que tentará mantê-lo fraco e submisso”, concluiu a revista.

Fonte: Gazeta do Povo

Luzimara Fernandes

Jornalista MTB 2358-ES

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