Política

A Semana no Brasil e no Mundo — Lula perde sua principal aposta no 1.º turno em meio a escândalo no STF

A Proposta de Emenda à Constituição da Jornada 6″1 (PEC 221/2019) não será votada no Senado antes das eleições

Por Cristiano Carlos/Aline Rechmann
A base governista fracassou em levar a Proposta de Emenda à Constituição do fim da jornada 6×1 (PEC 221/2019) para votação no plenário do Senado na quarta-feira (2). Isso deve tirar das mãos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sua principal aposta para ganhar mais votos no primeiro turno da eleição de outubro. O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), atribuiu a derrota à articulação da oposição para esvaziar o plenário – de forma que o quórum necessário para a votação não fosse atingido. A oposição não se diz contra a proposta, mas argumenta que ela tem que ser mais debatida.
Analistas ouvidos pela reportagem apontam que a mobilização da oposição foi possível devido ao escândalo envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. Mensagens descobertas pela Polícia Federal mostram que Moraes pode ter favorecido o ex-banqueiro Daniel Vorcaro em troca de pagamentos milionários. Para o cientista político e professor do Ibmec-BH Adriano Cequeira, o escândalo atingiu Moraes diretamente e a base de articulação do governo Lula no Congresso, enfraquecendo a aproximação e os acordos que haviam sido construídos com o presidente do Senado Davi Alcolumbre (União-AP).

Já estava difícil para o próprio Alcolumbre levar essa votação avante no Plenário, porque a maioria constitucional não estava nada garantida. E depois desse escândalo, provavelmente não tem mais certeza nenhuma de conseguir”, diz Cequeira.

Para o cientista político, o próprio governo pode estar desinteressado em querer colocar em votação a PEC do fim da escala 6×1, temendo uma derrota.

O escândalo ajudou [a frear a votação da PEC do fim da escala 6×1], porque criou um fato político maior que o esforço concentrado”, afirmou o analista político Alexandre Bandeira, coordenador do curso de Pós-Graduação em Comunicação Política e Sociedade da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). “Mas esse ritmo meio travado tem a mão do presidente do Senado, que quer manter rédea curta na pauta de interesse do governo”, afirmou.

De um lado, a PEC tem grande apelo aos trabalhadores. Mas a proposta que reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais sem redução de salário criará grandes dificuldades para o meio empresarial. Alcolumbre equilibra-se entre essas forças opostas. Se acelerar o plenário, entrega a Lula um forte ativo eleitoral e rompe com o empresariado. Se engavetar totalmente, assume o desgaste público de bloquear o projeto e implode a trégua com o governo. Alcolumbre deixou a pauta pronta para ir à votação. Agora ele mantém Lula e o governo dependentes de sua caneta para viabilizar a maior promessa do petista aos eleitores, a mesma que pode garantir marca de “algo novo” no seu terceiro e atual mandato presidencial.

Ao aceitar pautar projetos de interesse do governo ele cumpre formalmente o acordo. No entanto, ao controlar a velocidade da tramitação, ele usa o tempo a seu favor para sinalizar abertura à oposição, mirando a próxima presidência do Senado, com a nova composição após as eleições”, disse Bandeira. “Ele [Alcolumbre] está negociando com todo mundo, inclusive com a oposição, porque ele também tem que imaginar o seguinte: esse novo Senado que virá em 2027 pode ser um Senado de ampla oposição ao atual governo”, disse.

Assim, o controle exercido pelo presidente do Senado funciona como moeda de troca tanto para suas composições atuais quanto para pavimentar a sua candidatura à reeleição do comando do Senado em 2027.

Alcolumbre tinha ferramentas para fazer votação às pressas, mas preferiu esperar
Alcolumbre havia pactuado com Lula na semana passada acelerar a votação da PEC do fim da escala 6×1. A proposta de fato avançou ao ser aprovada na Comissão de Constituição e Justiça na quarta-feira (2). Mas governistas sonhavam vê-la já aprovada nesta última semana de esforço concentrado no Congresso antes das eleições. O presidente do Senado tinha ferramentas não ortodoxas para concluir a votação, mas até o momento não as utilizou.
O regimento interno do Senado estabelece ritos para a deliberação de emendas constitucionais. São necessárias aprovações em dois turnos com o apoio de três quintos da Casa. Portanto, os articuladores governistas precisariam reunir 49 votos favoráveis em cada turno de votação. O primeiro turno de votação demandaria a realização prévia de cinco sessões deliberativas ordinárias dedicadas exclusivamente ao debate temático. Em seguida, a matéria exigiria três sessões de discussão antes da análise em segundo turno. Além disso, o regimento impõe um intervalo de cinco dias úteis entre a votação em primeiro turno e a primeira sessão de discussão do segundo turno.
Para diminuir o rito e garantir que a PEC fosse aprovada na semana de esforço, Alcolumbre poderia convocar, por exemplo, sessões extraordinárias sucessivas durante uma mesma tarde de trabalhos. Assim, os senadores esgotariam as exigências formais de debate em tempo recorde no plenário. Assim, o plenário votaria pela derrubada do prazo de cinco dias e poderia liquidar as cinco discussões regimentais necessárias e as duas votações em um único dia. O esforço concentrado termina nesta quinta-feira (3) e até o fechamento desta reportagem a PEC do fim da escala 6×1 não estava na pauta de votações. Em teoria, Alcolumbre ainda poderia convocar uma sessão antes do primeiro turno e colocar em marcha o processo de votação acelerada.

A aceleração do ritmo de votação seria considerada uma manobra regimental. Ela é lícita, mas criaria um ambiente embaraçoso para Davi Alcolumbre. Em junho, ele defendeu a autonomia do Senado e o trâmite normal da PEC da Jornada 6×1 na Casa. “Não é razoável que a Câmara passe cinco meses debatendo um assunto muito relevante para o Brasil e o Senado Federal seja obrigado a carimbar o texto aprovado na Câmara. Essa é a minha percepção. Não é a favor nem contra”, disse em entrevista.
O cientista político Leandro Gabiati, diretor da Dominium Consultoria, afirma que o uso das manobras para acelerar a aprovação da PEC, apesar de regimentais, precisa do empenho do presidente do Senado e concordância com as lideranças partidárias. Sobre o discurso de Alcolumbre, Gabiati afirma que mudar de ideia ou de falas é hábito comum entre os políticos. “Isso aí faz parte. Ou seja, o cenário político muda rapidamente: hoje está de uma forma, amanhã as peças se movimentam e o cenário passa a estar de outra forma. Os políticos, obviamente, vão se ajustando”, afirmou.
A oposição no Senado organizou estratégias coordenadas para conter o avanço acelerado da PEC do fim da jornada 6×1. Parlamentares evitaram o confronto aberto devido ao apelo popular da medida e buscaram outras táticas para frear seu avanço. Segundo interlocutores próximos à oposição, os senadores contrários ao governo pretendiam ocupar a tribuna do plenário para prolongar a discussão da matéria. Além disso, a oposição articulou manobras regimentais de quebra de quórum para impedir a deliberação definitiva do tema. Dessa forma, as bancadas conseguiriam desidratar o cronograma de votações. (Fonte: Gazeta do Povo)


Milei renova ataque ao socialismo e fala em “novo despertar da liberdade” na América Latina

Milei durante abertura do Foro de Madri, encontro regional que reúne figuras da direita da América Latina e da Espanha, em Santiago (Foto: Getty Images)

Por Isabella de Paula
O presidente da Argentina, Javier Milei, foi o primeiro líder a discursar nesta quinta-feira (3), no Foro de Madri, um encontro que reúne autoridades da direita latino-americana e espanhola para a discussão da agenda política em comum. Durante sua participação no encontro, o libertário renovou seus ataques ao socialismo do século XXI e destacou o que chamou de “novo despertar” da América Latina para a liberdade e a necessidade de uma unidade global da direita.

A direita precisa se organizar. Se eles [socialistas] mantêm sua Internacional Socialista, nós devemos aprofundar nossos laços de amizade dentro de nossa própria rede internacional, tanto regional quanto globalmente”, afirmou Milei em seu discurso de abertura do Quinto Encontro Regional, realizado no centro de eventos San Carlos de Apoquindo, na capital chilena.

O presidente argentino alertou que esta é “uma batalha global na qual cada uma de nossas nações deve contribuir, colocando seus assuntos em ordem, expulsando o câncer da esquerda de suas próprias instituições e tornando-se um membro forte da aliança internacional das ideias de liberdade”. O líder argentino acusou a esquerda de “continuar buscando maneiras de retornar ao poder, desestabilizando os países, gerando pânico, enviando suas milícias para incutir medo na população e usando a mídia para espalhar mentiras”.

Acima de tudo, estão se infiltrando em todas as instituições para usá-las como plataformas para suas ideias, explorando o pluralismo para obter controle e, em seguida, trancando a porta atrás de si”, acrescentou.

Nesse sentido, Milei argumentou que “não podemos permanecer divididos porque podemos ignorar o problema, mas o problema não nos ignorará. Devemos deixar de lado nossas diferenças e nos concentrar no que nos une. Somos nós que colocamos a liberdade humana no centro do nosso modelo”, disse ele. Milei aproveitou o assunto para também renovar suas críticas à esquerda na Europa, direcionando suas críticas ao premiê espanhol, Pedro Sánchez, com quem mantém um histórico de atritos.

Infelizmente, a Europa, berço da nossa civilização, está sendo governada, tanto em nível nacional quanto supranacional, por burocratas determinados a destruir tudo o que somos. Uma esquerda radical tomou o controle institucional em todo o continente”, afirmou. Em seguida, acrescentou: “a Espanha é um exemplo claro. Pedro Sánchez e o PSOE estão facilitando a imigração descontrolada e degradando a identidade espanhola. Estão ensinando os espanhóis a se odiarem e a se envergonharem, abrindo caminho para as hordas estrangeiras que acabarão por substituí-los”.

O líder argentino acusou o governo socialista espanhol de “só querem espalhar sua ideologia para retomar o controle dos cofres públicos e usá-los como espólio de guerra, mantendo a população escravizada por impostos”. Em seguida, Milei chamou Sánchez de “sujo” e disse que o governante faz parte de um “governo de ladrões”.
Um dos temas de destaque no discurso do libertário argentino é a questão de segurança nas Américas, pauta que tem ganhado espaço na política regional devido à influência do presidente dos EUA, Donald Trump. Milei disse que, neste setor, “nós somos os que sabemos que os criminosos devem ser punidos com mão de ferro e somos nós que enfrentamos os graves problemas de segurança do nosso continente, como o narcotráfico”. (Fonte: Gazeta do Povo)


Vorcaro diz que delação atingiria “núcleo do governo Lula” e acusa PF de tentar blindar Andrei Rodrigues, segundo Estadão

(Foto: Reprodução)

Daniel Vorcaro afirmou em depoimento sigiloso ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que uma eventual colaboração premiada sua alcançaria pessoas do “núcleo do atual governo” e acusou integrantes da Polícia Federal de terem resistido ao acordo para evitar menções ao diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues. Os detalhes foram obtidos pelo Estadão.
O relato foi prestado na semana passada após a defesa de Vorcaro alegar que ele vinha sofrendo ameaças para não avançar com uma delação. A iniciativa, porém, é recebida com desconfiança entre investigadores, que avaliam que o banqueiro tenta tumultuar a apuração e reabrir a negociação de uma terceira proposta de colaboração premiada.
PF e Procuradoria-Geral da República já rejeitaram duas propostas apresentadas anteriormente por Vorcaro. Segundo os investigadores, o ex-controlador do Banco Master teria omitido informações relevantes e apresentado elementos que já eram conhecidos pelas autoridades, sem entregar provas novas capazes de justificar o acordo.
No depoimento ao gabinete de Mendonça, Vorcaro apresentou uma versão diferente. “Toda a minha colaboração, ela, no que tange a pessoas, são pessoas do núcleo do atual governo, que eu acabei fazendo relação para me proteger dos ataques que eu estava sofrendo”, afirmou. Ele acrescentou que, em algumas dessas relações, teriam sido ultrapassadas “linhas de moralidade” e “linhas de ilicitude”, fatos que pretendia relatar.

Vorcaro também afirmou que deseja contar “a verdade” e reconheceu ter cometido erros. “Eu não sou perfeito, eu errei, eu errei mesmo, eu quero falar no que eu errei”, declarou. Ao mesmo tempo, disse ter se surpreendido positivamente com a postura da PGR, que, segundo ele, mostrou disposição para compreender sua versão, enquanto a Polícia Federal teria adotado postura diferente desde o início. Ao ser questionado sobre Andrei Rodrigues, Vorcaro disse que o diretor-geral da PF “viajou para eventos comigo” e que os dois já mantinham relação antes das investigações da Operação Compliance Zero. O banqueiro, contudo, não apresentou provas dessas viagens nem detalhou as circunstâncias, tampouco afirmou se despesas teriam sido custeadas pelo Banco Master.
Vorcaro também acusou integrantes da PF de direcionarem a investigação e utilizarem vazamentos seletivos para pressionar envolvidos no caso. “No meu entendimento, com muita franqueza, a própria PGR, como o gabinete, como eu, nós estamos sendo levados por membros de uma Polícia Federal que está levando o caso para um lado e usando a mídia, com vazamento seletivo desde o começo, para intimidar todos”, afirmou.
A Polícia Federal rejeita a interpretação de Vorcaro sobre a colaboração. Os investigadores sustentam que a resistência às propostas decorreu da falta de fatos inéditos, da ausência de provas novas e do caráter seletivo das informações oferecidas pelo ex-banqueiro. (Fonte: Hora Brasília)


Governo Trump volta a mirar elite cubana com sanções. Neto de Raúl Castro está na lista

Secretário de Estado americano, Marco Rubio, e o secretário do Tesouro, Scott Bessent, tem impulsionado campanha contra regimes autoritários (Foto: Getty Images)

Por Isabella de Paula
O governo do presidente dos EUA, Donald Trump, impôs sanções financeiras nesta quinta-feira (3) contra Fidel Ernesto Castro Calis, neto do ex-ditador cubano Raúl Castro, e o Banco Exterior de Cuba, uma instituição financeira estatal. “Essas sanções refletem a visão inabalável do presidente Trump para uma Cuba livre”, disse o secretário de Estado Marco Rubio em um comunicado.
Fidel Ernesto Castro é um dos filhos de Alejandro Castro Espín, filho de Raúl Castro e ex-chefe da inteligência cubana, que também é alvo de sanções por Washington. O governo Trump também sancionou o Banco Exterior de Cuba, especializado em comércio exterior e transações internacionais, bem como diversas empresas de energia que acusa de explorar o setor em benefício do regime cubano.
Nos últimos meses, os EUA impuseram sanções a vários funcionários da ditadura, incluindo o ditador Miguel Díaz-Canel e membros da família Castro. As sanções proíbem transações financeiras com os indivíduos e entidades sancionados, e seus bens sob jurisdição dos EUA estão congelados. As sanções fazem parte da estratégia de pressão que o governo Trump exerce sobre Cuba para forçar mudanças econômicas e políticas na ilha. Desde a captura, em janeiro passado, do ditador venezuelano Nicolás Maduro em uma operação militar dos EUA em Caracas, Trump impôs um embargo de petróleo a Cuba, o que ampliou a crise econômica do país. (Fonte: Gazeta do Povo)


Lei dá à Mesa do Senado, e não a Alcolumbre, poder sobre pedido de impeachment

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, é contrário ao impeachment de Moraes (Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Por Leonardo Desideri
A pressão para que o Senado abra um processo de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), costuma esbarrar em um argumento recorrente: o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), não demonstra disposição de dar andamento ao assunto. A rigor, contudo, o poder do senador sobre o tema não é tão absoluto quanto se costuma sugerir. A Lei do Impeachment, promulgada em 1950, atribui à Mesa do Senado o recebimento das denúncias, e não ao presidente da Casa individualmente.
O impeachment de ministros do STF voltou ao foco do debate público depois da divulgação, na terça-feira (1.º), do relatório da Polícia Federal que detalha as relações entre Moraes e o ex-dono do Banco Master Daniel Vorcaro. Diversos senadores defenderam publicamente o afastamento ou a renúncia do ministro, e Carlos Viana (PSD-MG) anunciou um novo pedido de impeachment. Questionado sobre o assunto, Alcolumbre se esquivou mais uma vez.
O artigo 44 da Lei do Impeachment estabelece que, “recebida a denúncia pela Mesa do Senado”, ela será lida na sessão seguinte e encaminhada a uma comissão especial. A escolha da palavra nesse artigo não é isolada: nos dispositivos seguintes, a lei volta a atribuir atos à “Mesa do Senado” e, no artigo 48, estabelece que os documentos serão arquivados se “o Senado resolver” que a denúncia não deve ser objeto de deliberação. Não se menciona “Presidência do Senado”.
Para o procurador e professor de Direito Penal César Dario Mariano, é evidente em seu texto que a Lei do Impeachment não atribui ao presidente do Senado, individualmente, o poder de decidir se um pedido deve ou não seguir adiante. A Mesa é um órgão colegiado, formado pelo presidente, dois vice-presidentes e quatro secretários.

A Lei do Impeachment em nenhum momento fala que o presidente do Senado tem essa função. Em nenhum momento”, enfatiza o especialista. Como a lei não detalha todos os passos internos de tramitação, entra em cena também o Regimento Interno do Senado. Mariano lembra que, nos casos não previstos expressamente nas regras do Regimento, o presidente deve decidir após ouvir o Plenário. “Então, basta vontade política. E parece que não há essa vontade política de fazer esses pedidos andarem”, diz.

Isso não significa, porém, que os demais integrantes da Mesa possam simplesmente tomar para si um pedido protocolado e colocá-lo em análise. Como presidente do Senado e da própria Mesa, Alcolumbre controla o encaminhamento inicial da denúncia e o momento em que ela chega ao colegiado. É justamente aí que está o principal gargalo. Segundo Mariano, o Regimento Interno não estabelece prazo para que o presidente despache o pedido nem prevê claramente um mecanismo pelo qual os demais integrantes da Mesa possam assumir sua análise caso ele permaneça parado. Assim, embora a Lei do Impeachment atribua formalmente à Mesa o recebimento da denúncia, Alcolumbre continua controlando a porta de entrada do rito.
A decisão de Gilmar Mendes que alterou provisoriamente partes do rito do impeachment em dezembro de 2025 complicou a questão. O ministro elevou para dois terços os quóruns para impeachment previstos nos artigos 47 e 54 e restringiu o uso do mérito de decisões judiciais como fundamento para crime de responsabilidade. Gilmar chegou a determinar que apenas o procurador-geral da República pudesse apresentar a denúncia, mas recuou nesse ponto dias depois. No fim, o artigo 44, que atribui à Mesa do Senado o recebimento da denúncia, não foi suspenso.
Na configuração atual, porém, Mariano não vê um caminho jurídico seguro que permita aos demais senadores retirar das mãos de Alcolumbre um pedido que esteja parado e levá-lo diretamente à Mesa. “O Regimento Interno não fala: ‘em prazo de 15 dias ele deve despachar’. Ou que a Mesa do Senado, se o presidente do Senado não despachar, pode avocar”, diz Mariano. “O Senado não tem esse tipo de recurso contra a decisão do presidente. Então deveria existir um dispositivo nesse sentido, porque é muito poder para uma pessoa. Esse poder deveria ser dividido entre a Mesa, pelo menos”, acrescenta.

Um projeto de lei com tramitação parada busca solucionar justamente esse gargalo. Apresentado pelo senador Izalci Lucas (PL-DF), o PRS 17/2026 propõe mudar o Regimento para impedir o engavetamento indefinido tanto de CPIs quanto de pedidos de impeachment. Para denúncias contra ministros do STF, o texto daria ao presidente 15 dias úteis para realizar o exame preliminar e obrigaria que o caso fosse submetido à Mesa. Depois de 30 dias de omissão, a própria Mesa poderia deliberar sem convocação do presidente.
O impeachment, no entanto, não é a única forma pela qual os senadores poderiam tentar apurar a conduta de Moraes. O caminho alternativo mais poderoso seria uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que possui poderes próprios de investigação e pode requisitar documentos, determinar quebras de sigilo e tomar depoimentos.
Existe, inclusive, uma CPI pronta para investigar especificamente as relações de Moraes e Dias Toffoli com Vorcaro. Alessandro Vieira (MDB-SE) protocolou o requerimento em março com 35 assinaturas – oito a mais que as 27 exigidas pela Constituição – e o apoio posteriormente chegou a 53 dos 81 senadores. O objeto proposto é investigar vínculos pessoais, financeiros ou de outra natureza entre os ministros e Vorcaro e seus possíveis reflexos na atuação institucional dos magistrados.
Também nesse caso Alcolumbre criou um gargalo ao não fazer a leitura do requerimento no Plenário, etapa necessária para a constituição formal da comissão. Mas, aqui, há uma diferença jurídica em relação ao impeachment: o STF tem jurisprudência consolidada de que a instalação de CPI é um direito constitucional da minoria quando estão presentes um terço das assinaturas. Por isso, seis senadores recorreram ao Supremo em março para obrigar a Presidência do Senado a fazer a leitura. O mandado de segurança ficou sob relatoria do ministro Kassio Nunes Marques.

Há ainda um precedente recente mostrando que o próprio Senado pode investigar fatos envolvendo ministros sem que isso resulte imediatamente em impeachment. A CPI do Crime Organizado, instalada em 2025, incorporou o caso Master às apurações e chegou a produzir um relatório que propunha o indiciamento, por crimes de responsabilidade, de Moraes, Toffoli, Gilmar Mendes e do procurador-geral Paulo Gonet. O texto de Alessandro Vieira acabou rejeitado por seis votos a quatro.
Sem uma CPI, as comissões permanentes também podem promover audiências e convidar Moraes, integrantes da PF, Banco Central e outras autoridades a prestar esclarecimentos. Há, por exemplo, um requerimento apresentado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) para convidar Moraes a explicar sua atuação relacionada ao Banco Master. Mas, no caso de um ministro do STF, o comparecimento é feito por convite e não pode ser imposto.
Outra alternativa, menos plausível neste caso, é apresentar notícia-crime ou representação à PGR pedindo investigação criminal. A dificuldade desse caminho ficou clara na própria terça: Gonet, aliado informal de Moraes, pediu a nulidade da parte do relatório da PF sobre Moraes.
Para César Dario Mariano, a falta de um mecanismo para superar a inércia do presidente do Senado evidencia a concentração de poder no cargo. Na avaliação dele, a saída passa necessariamente por uma mudança política dentro do próprio Congresso, capaz de alterar os regimentos e transferir parte dessas decisões para órgãos colegiados. “Tanto na Câmara quanto no Senado há poder demais para uma pessoa. Qualquer decisão monocrática deles deveria ir para a Mesa ou para o Plenário. Seria muito simples. Nos tribunais, toda vez que o relator decide monocraticamente existe recurso para que o órgão colegiado analise”, ressalta.
Sem essa mudança, Mariano não vê atualmente um caminho jurídico capaz de retirar das mãos do presidente do Senado um pedido que ele decida manter parado, mesmo que, a rigor, seja a Mesa a responsável por decidir. “Não tem, não há o que fazer. Novamente, caímos na política, na vontade política do Senado. Tudo cai na política”. (Fonte: Gazeta do Povo)


Alemanha investiga possível ato de terrorismo após tentativa de sabotagem contra rede elétrica do país

Chanceler da Alemanha, Friedrich Merz (ao centro), ao lado de sua equipe de governo durante apresentação do pacote de reformas (Foto: Getty Images)

Por John Lucas
O governo da Alemanha está investigando uma tentativa de sabotagem contra a rede elétrica do país como um possível ato de terrorismo. A apuração foi aberta nesta terça-feira (1º) depois que autoridades encontraram objetos com explosivos em uma subestação de energia no estado de Brandemburgo, no leste alemão. Cerca de seis objetos semelhantes a foguetes e carregados com explosivos teriam sido encontrados na instalação.
A subestação fica próxima à usina termelétrica de Jänschwalde, uma das maiores do país. O ministro do Interior de Brandemburgo, Jan Redmann, afirmou que a Alemanha teve sorte porque o incidente não provocou um apagão. Redmann disse que ainda não está claro quem está por trás da tentativa de sabotagem. Segundo ele, autoridades não descartam nenhuma hipótese, incluindo a possível participação de grupos extremistas ou até de agentes ligados a potências estrangeiras.
O caso ocorre em meio a uma sequência de incidentes contra a infraestrutura energética alemã. De acordo com a agência Reuters, a polícia também investigava neste momento uma outra tentativa de sabotagem contra a rede elétrica do país, desta vez registrada em uma subestação próxima à cidade de Bergheim, no oeste do país.
As ocorrências aumentaram a preocupação das autoridades alemãs com possíveis ações de guerra híbrida contra infraestruturas estratégicas. O alerta cresceu ainda mais depois de o governo alemão atribuir à Rússia uma tentativa de ataque com drone contra o aeroporto de Leipzig, ocorrida em agosto. Moscou nega envolvimento e afirma que não existem provas que sustentem a acusação. (Fonte: Gazeta do Povo)


Haroldo Filho

Jornalista – DRT: 0003818/ES Coordenador-geral da ONG Educar para Crescer

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