Universidades suspendem aulas a pedido de DCEs que fazem campanha pró-Lula

Universidades suspendem aulas para facilitar o voto no segundo turno após pedidos de DCEs. Entidades fazem campanha pela reeleição de Lula
Universidades públicas de diferentes regiões do país estão alterando seus calendários para facilitar a participação dos estudantes no segundo turno das eleições, marcado para este domingo (25). Na maioria dos casos, as medidas foram solicitadas pelos Diretórios Centrais dos Estudantes (DCEs) e autorizadas pelas reitorias. Alguns DCEs também estão organizando vaquinhas para custear as viagens dos alunos até os locais de votação, como ocorre na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).
Entre as instituições que adotaram medidas estão as universidades federais da Paraíba (UFPB), Rural de Pernambuco (UFRPE), de Sergipe (UFS), de Lavras (UFLA), do Triângulo Mineiro (UFTM), do Oeste da Bahia (UFOB), de Santa Catarina (UFSC), do Rio Grande (Furg) e de Alfenas (Unifal-MG), além da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp).
As medidas variam entre a suspensão das aulas nos dias anteriores e posteriores à votação, a substituição de atividades presenciais por tarefas remotas e a dispensa de provas e atividades obrigatórias. Algumas instituições também flexibilizaram o controle de frequência para estudantes que precisam viajar, enquanto outras exigem comprovante de participação na eleição para justificar as ausências.
DCEs fazem campanha contra “extrema-direita” nas redes sociais
A mobilização dos DCEs para facilitar a participação dos estudantes nas eleições ocorre paralelamente ao apoio declarado de algumas dessas entidades à reeleição de Lula. No caso da UFRJ, a divulgação da vaquinha não apresenta orientação de voto, mas defende que todos os estudantes tenham condições de participar das eleições. Em outras publicações no Instagram, porém, o diretório manifesta apoio à candidatura do presidente. O mesmo ocorre nas redes sociais do DCE da UFJF, que também organizou manifestações em favor da reeleição de Lula.
Já na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), que também solicitou e conseguiu a suspensão das atividades acadêmicas, os estudantes associaram diretamente a divulgação da medida a um pedido de voto em Lula. A publicação que informa os estudantes sobre a alteração no calendário, acrescentou: “se o seu domicílio eleitoral é longe, planeje-se para votar no dia 25 de outubro e vote em defesa da universidade pública, vote Lula 13!”.
A suspensão de aulas durante as eleições não é novidade nas instituições de ensino, especialmente porque muitos prédios são utilizados como locais de votação e precisam ser disponibilizados antecipadamente à Justiça Eleitoral. Neste ano, porém, os pedidos incidem também em locais não utilizados nas eleições e incluem a sexta-feira e a segunda-feira, antes e depois das eleições, respectivamente. Diretórios estudantis e sindicatos afirmam que é necessário dar mais tempo para garantir que os alunos viajem aos municípios onde estão registrados para votar.
Um exemplo é a Universidade Federal da Paraíba (UFPB), que anunciou a suspensão das aulas presenciais de graduação nos dias 23 e 26 de outubro, em atendimento a uma solicitação do DCE. A reitoria justificou a decisão tanto pela necessidade de deslocamento dos estudantes quanto pela disponibilização de espaços à Justiça Eleitoral. As aulas serão substituídas por atividades práticas supervisionadas, sem alteração formal do calendário acadêmico.
No segundo turno das eleições de 2022, entretanto, a UFPB não alterou seu funcionamento em razão da votação. Na ocasião, a instituição manteve o expediente normal, com exceção da sexta-feira (28), quando houve ponto facultativo em comemoração ao Dia do Servidor Público.
As mudanças no calendário acadêmico também levantaram questionamentos sobre uma possível motivação político-partidária das decisões. Para a professora Denise Albano, da Universidade Federal de Sergipe (UFS), que também suspendeu as atividades presenciais para facilitar o deslocamento de estudantes e servidores, a medida pode estar relacionada a uma articulação eleitoral em favor de Lula.
Minha hipótese é a de que tal medida decorre de uma ‘cobrança’ petista junto a reitores de universidades públicas alinhados à esquerda como parte do esforço para conter a abstenção, que tende a ser maior no segundo turno”, avalia a professora.
Albano também denuncia o que considera um ambiente de assédio político dentro da universidade, marcado pela atuação de militantes favoráveis à reeleição de Lula e pela condescendência da administração universitária. “O ambiente na universidade onde trabalho está insuportável”, afirma.
A Justiça Eleitoral de Sergipe chegou a determinar, nesta quinta-feira (22), a remoção de cartazes na UFS em que o candidato Flávio Bolsonaro (PL) é associado ao nazismo. Na portaria que determinou a suspensão das atividades, entretanto, a UFS afirma que a medida se aplica a toda a comunidade acadêmica, independentemente das preferências eleitorais, e não possui vinculação a candidaturas ou partidos. A universidade também cita a utilização de suas instalações pela Justiça Eleitoral como uma das justificativas para a decisão.
Associação de professores aprova recursos para mobilização pró-Lula em Pelotas
A mobilização para facilitar a participação dos estudantes nas eleições não ficou restrita aos DCEs. Em Pelotas (RS), professores da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e do Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul), campus Pelotas–Visconde da Graça, aprovaram, durante assembleia realizada em 9 de outubro, a convocação de votos para a candidatura Lula/Alckmin. No mesmo encontro, a Associação dos Docentes da UFPel (ADUFPel) decidiu solicitar à reitoria a suspensão das atividades acadêmicas nos dias 23 e 26 de outubro, para facilitar o deslocamento dos eleitores.
“O sindicato tem que assumir plenamente o papel de denúncia e posicionamento sobre isso”, declarou o diretor da ADUFPel Luiz Henrique Schuch, durante a assembleia. Na ocasião, ele também defendeu apoio “formal, incisivo, nas ruas, nas redes” à candidatura Lula/Alckmin. Os professores aprovaram ainda o uso de recursos financeiros da associação para materiais, divulgação e atividades de “combate à extrema-direita”.
A reitoria da UFPel, entretanto, não autorizou a suspensão integral solicitada pela entidade. A universidade decidiu flexibilizar as atividades acadêmicas no dia 26, considerando as necessidades de deslocamento dos estudantes para votar.
Fonte: Gazeta do Povo







