Economia

Brasil volta a ter dívida externa maior que reservas após 19 anos

Luiz Inácio Lula da Silva: sob o terceiro mandato, o país perdeu a condição de credor internacional líquido após 19 anos

Por Vandré Kramer

A dívida externa líquida ficou positiva em US$ 5,1 bilhões no segundo trimestre de 2026, segundo o Banco Central, o que significa que o Brasil deixou de ser credor internacional após 19 anos, encerrando uma sequência que sobreviveu à crise de 2008, à recessão de 2014-2016 e à pandemia. Em outras palavras, o Brasil passou a dever ao exterior mais do que possui em reservas internacionais e outros ativos considerados no cálculo da dívida externa líquida. Em junho de 2026, a dívida externa bruta somava US$ 407,1 bilhões, enquanto as reservas internacionais estavam em US$ 402 bilhões. A diferença de US$ 5,1 bilhões marca o fim da posição de credor externo líquido, mantida desde 2007.
Isso não significa que o país esteja perto de ficar sem dólares para honrar seus compromissos. As reservas continuam funcionando como um colchão de segurança contra choques externos, oscilações cambiais e interrupções na entrada de recursos. A mudança, porém, reduz a margem de proteção que o país mantinha ao longo das últimas duas décadas.

Vantagem externa encolhe no governo Lula
Desde o início do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a situação das contas externas vem piorando. Quando o petista assumiu, em janeiro de 2023, as reservas internacionais superavam a dívida externa em US$ 27,5 bilhões. A diferença subiu para quase US$ 40 bilhões no primeiro trimestre de 2023 e, desde então, apresenta tendência de queda.
A deterioração atual não é um fenômeno isolado. Os últimos mandatos, à exceção do de Michel Temer (MDB), foram marcados pela redução dessa diferença. No fim do segundo mandato de Lula, em 2010, ela era de US$ 50,6 bilhões. Ao término do primeiro mandato de Dilma Rousseff, em 2014, o saldo tinha caído 9,7%, para US$ 45,7 bilhões. Houve recuperação no segundo mandato de Dilma e, quando Temer encerrou o próprio, no quarto trimestre de 2018, o saldo era de US$ 67,4 bilhões.
No governo de Jair Bolsonaro (PL), a diferença entre as reservas e a dívida externa chegou ao pico de US$ 82,4 bilhões no segundo trimestre de 2019, mas foi reduzida durante o período da pandemia e terminou o mandato em US$ 27,5 bilhões.

Fonte: Gazeta do Povo

Luzimara Fernandes

Jornalista MTB 2358-ES

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