UFMG inaugura supercomputador que deve mapear território brasileiro e monitorar mineração ilegal

Equipamento utiliza inteligência artificial para analisar imagens de satélites e drones, identificar minerais e ampliar a precisão do monitoramento ambiental
Por Mariana Sgarioni
A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) inaugurou um supercomputador capaz de utilizar inteligência artificial (IA) para analisar grandes volumes de dados geográficos e imagens do território brasileiro. Entre as aplicações da tecnologia estão o monitoramento da mineração ilegal, a identificação de características do solo e a produção de mapas de alta precisão.
Batizado de “Soberano”, o equipamento está instalado no Instituto de Geociências (IGC), no campus Pampulha, em Belo Horizonte. O sistema processa informações captadas por satélites, radares e drones, permitindo identificar alterações no território de forma automatizada.
Para o setor mineral, a tecnologia poderá contribuir para a fiscalização de atividades irregulares e o acompanhamento de impactos ambientais. A capacidade de analisar imagens em larga escala também permitirá identificar mudanças na vegetação, características geológicas e áreas sujeitas a deslizamentos e inundações.
Segundo a UFMG, apenas 8% dos 8,5 milhões de quilômetros quadrados do território brasileiro estão mapeados na escala 1:25.000, considerada importante para o planejamento territorial e a gestão de recursos naturais. O supercomputador deverá acelerar esse trabalho, reduzindo o tempo necessário para processar informações geográficas.
Tecnologia permite identificar diferentes minerais
Além do supercomputador, a universidade inaugurou a câmera hiperespectral Hyper-Cam Mini xLW, equipamento capaz de captar faixas do espectro eletromagnético invisíveis ao olho humano. A tecnologia permite distinguir materiais com características visuais semelhantes, incluindo diferentes tipos de solo e minerais. Com isso, poderá ampliar a precisão das análises territoriais e ambientais realizadas pelo sistema.

O Soberano conta com oito unidades de processamento gráfico (GPUs) Nvidia H200, desenvolvidas para aplicações de inteligência artificial e computação científica. Cada unidade possui 141 GB de memória de alta velocidade. O equipamento também dispõe de outros dez conjuntos de processadores e capacidade de armazenamento de aproximadamente 400 terabytes. Essa infraestrutura permite executar simultaneamente operações complexas e reconhecer padrões em grandes conjuntos de dados, acelerando análises que, pelos métodos convencionais, exigiriam mais tempo.
O investimento público no supercomputador e na câmera hiperespectral foi de R$ 15 milhões. O projeto reúne a UFMG, o Instituto Militar de Engenharia (IME) e a Diretoria de Serviço Geográfico do Exército (DSG). De acordo com a universidade, todo o sistema foi projetado, instalado e configurado por equipes brasileiras. O nome Soberano faz referência à importância estratégica das informações territoriais e à manutenção desse conhecimento sob controle de instituições nacionais.
A infraestrutura também deverá apoiar órgãos públicos, como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Além da fiscalização da mineração ilegal, o sistema poderá ser utilizado no monitoramento do desmatamento, na identificação de áreas de risco e na vigilância de fronteiras, ampliando a capacidade de acompanhamento das transformações no território brasileiro.
Fonte: Radar Mineração




