Esculturas
Logo que ele chegou ao local combinado com o seu amigo virtual, percebeu que o ambiente ao seu redor parecia estar há um século no passado. A casa se situava no final de uma rodovia desativada. Pouquíssimos automóveis trafegavam pelo lugar, somente aqueles que tinham residência naquela região montanhosa. O vento soprava misterioso e o sinal do telefone havia ficado a quilômetros de distância. Naquele instante, o jovem rapaz cogitou retornar para o seu veículo e voltar para casa. Entretanto, logo após o jardim com grama alta e algumas flores da estação, a porta principal da casa se abriu lentamente, rangendo de um modo estridente. A brisa que caminhava por ali foi sugada para o interior da antiga construção. Entre o medo e a coragem, o jovem resolveu entrar, apesar de acreditar que estava diante de algum tipo de pegadinha real, daquelas que são voltadas para aterrorizar.
Ele se aproximou do pequeno portão de madeira, levantou a trava que o prendia e chegou até o último degrau da porta principal. Algo lhe dizia para sair correndo, porém, ele quis enfrentar a situação para não se arrepender depois. Então, levemente, empurrou a porta que estava agarrada ao chão. Quando pisou na casa, um calafrio passou pelo seu corpo, o fazendo respirar profundamente. A sala estava vazia, sem móveis, no chão uma poeira antiga e amarelada. Não parecia haver ninguém no local. Ele chamou pelo nome do amigo mais de três vezes, contudo, nenhuma resposta. Após passar pela sala, entrou em um corredor largo e branco. O piso era o mesmo, uma madeira sem verniz e corroída em várias partes. Como era final de tarde, a luz que entrava pelas janelas era fraca e alaranjada. Ao se aproximar do corredor, o rapaz notou que nas paredes laterais havia vários relevos, como decorações modernas, aliás, decorações que não eram condizentes com a época da casa em questão.
Curioso, ele seguiu quase sem fôlego. As paredes se tornaram a sua única preocupação. Ansioso por compreender, ele retirou do bolso uma pequena lanterna e, logo que iluminou os relevos, a surpresa o envolveu. Não se tratava de arquitetura moderna, cada relevo era um corpo moldado com detalhes incríveis, como a pele, unhas, cabelos e outras partes. Nas paredes, alguns corpos masculinos e outros femininos, como se fizessem parte delas. O branco pintado era reluzente, destacava as curvas musculares das pernas e braços, pescoços e cabeças. Em cada um deles, havia detalhes singulares da face, como desenhado a pincel: lábios, nariz e orelhas. Porém, em todos, os olhos estavam sempre fechados. O rapaz, analisou aquela estranha situação, seguiu adiante tocando os relevos para descobrir o material utilizado. Ao chegar no meio do corredor, notou mais de 50 esculturas de um lado e do outro. Ainda fascinado pela escultura que ele tocava, sentiu que se tratava de um rosto feminino.
Distraído, imaginou a beleza daquela mulher. Sua atenção foi desfocada quando ouviu passos no final do corredor. Assustado, ele apontou a lanterna e viu um homem alto, magro e com um semblante nada acolhedor. Ele vestia jeans e uma camisa branca com uma pintura central de uma caveira negra. Então, ele percebeu que aquele não era o seu amigo virtual. O perigo estava próximo e, com coragem, ele se posicionou na direção do estranho.
Assustado, ele apontou a lanterna e viu um homem alto, magro e com um semblante nada acolhedor. Ele vestia jeans e uma camisa branca com uma pintura central de uma caveira negra. Então, ele percebeu que aquele não era o seu amigo virtual. O perigo estava próximo e, com coragem, ele se posicionou na direção do estranho. O rapaz se manteve em silêncio e estava pronto para correr pelo mesmo caminho que fez ao entrar, todavia, o homem à sua frente disse:
— Seja bem-vindo ao nosso lar!
Após a frase ser dita, a porta principal se fechou bruscamente. A escuridão tomou cada centímetro como se fosse uma nuvem densa e viva, o local escureceu. O jovem rapaz manteve a sua lanterna acesa, apontando-a para todos os lados daquele corredor, porém, ele perdeu os sentidos assim que percebeu a vida em cada uma das esculturas, quando elas abriram os seus olhos diante dele. Naquele terrível instante, o mal se expandiu por meio de cada olhar focado em sua direção, o seu futuro estava marcado e ali a sua existência seria eternizada através de mais uma bela escultura realista.
Autora: Silvia Vanderss
Conto: Esculturas
Inédito
Palavras: 735
(Foto: Gerada por IA)











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