Economia Petróleo, Gás & Energia

Porto Nova Holanda, o futuro polo de descomissionamento do Brasil

Hugo Marques, superintendente do porto Nova Holanda, participou do 2.º Encontro Empresarial CDMEC

Por Assessoria

O 2.º Encontro Empresarial CDMEC recebeu Hugo Marques, superintendente do porto Nova Holanda, para apresentar um projeto que pode posicionar o Espírito Santo na vanguarda de um mercado ainda pouco explorado no Brasil: o descomissionamento de plataformas de petróleo. Segundo Hugo, o descomissionamento já é consolidado há quase 80 anos na Europa e nos Estados Unidos. No Brasil, o tema ganha urgência agora porque as plataformas instaladas nas décadas de 1980 e 1990 estão atingindo o fim da vida útil.

Já temos quase 39 plataformas registradas e aprovadas na ANP para descomissionamento, a grande maioria da Petrobras, mas também de operadoras europeias e americanas”, afirmou Hugo.

Por que a Baía de Vitória

(Foto: Divulgação)

O porto Nova Holanda pretende se instalar na Baía de Vitória. Hugo destacou que a localização, somada à infraestrutura portuária, industrial e metalmecânica do estado, coloca o Espírito Santo em posição estratégica para se tornar o próximo polo de descomissionamento do Brasil. Além de descomissionanento, que é a atividade principal do projeto, o Terminal prevê a fabricação de módulos, suporte ao suprimento de plataformas e base de testes de equipamentos submarinos, ampliando as frentes de negócios possíveis para fornecedores locais.
As aprovações regulatórias do projeto já avançaram junto à Marinha do Brasil, à Capitania dos Portos e à Prefeitura de Vila Velha. O processo segue em andamento junto à Seama e ao Iema, últimas etapas antes da licença de instalação. Um ponto chamou atenção do público: diferente da Petrobras, o porto Nova Holanda não segue ritos de licitação pública, por não ser uma empresa de capital misto.

Você se apresenta, diz o que você faz melhor. Nós vamos marcar reuniões, vamos conhecer as empresas”, explicou Hugo, citando sua experiência prévia na Vale, que adotava modelo semelhante de relacionamento direto com fornecedores.

(Foto: Divulgação)

Segundo ele, as empresas interessadas já podem se cadastrar no site do projeto, que reunirá o perfil de cada fornecedor para futuras tratativas comerciais. Hugo também alertou para um risco concreto: a concorrência de navios descomissionadores internacionais, capazes de realizar o serviço em alto mar sem passar por portos brasileiros.

Se a gente não correr atrás de ter infraestrutura portuária para receber plataformas, perdemos isso para outros países. É uma ameaça real para o Espírito Santo”, afirmou.

Para Hugo, a janela de oportunidade para o estado se posicionar nesse mercado está aberta, mas exige velocidade. Cada plataforma que for descomissionada fora do país representa receita, empregos e desenvolvimento industrial que deixam de ficar no Espírito Santo.

Haroldo Filho

Jornalista – DRT: 0003818/ES Coordenador-geral da ONG Educar para Crescer

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