Leilão de R$ 7,2 bilhões redefine controle de corredor logístico entre PR e SP

A rodovia Régis Bittencourt (BR-116/SP/PR) é um dos principais corredores logísticos do país
Por Kalrhen Braga
A Bolsa de Valores de São Paulo (B3), a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e o Ministério dos Transportes realizam nesta quinta-feira (23), a partir das 14 horas, o leilão de otimização contratual da rodovia Régis Bittencourt (BR-116/SP/PR), um dos principais corredores logísticos do país.
A disputa envolve a transferência do controle acionário da concessionária responsável por cerca de 400 quilômetros de extensão entre São Paulo e o Paraná. O novo contrato durará 15 anos e prevê R$ 7,2 bilhões em investimentos destinados à ampliação da capacidade da via, à modernização da infraestrutura e a melhorias operacionais. O critério de julgamento será o maior desconto ofertado sobre a tarifa básica de pedágio.
Três empresas disputam a licitação: Motiva, Grupo EPR e Arteris, atual operadora do trecho desde 2008. A Régis Bittencourt é considerada um dos ativos rodoviários mais atrativos do país e estratégica para o escoamento da produção agrícola e a logística entre ambos os estados.
Entre as concorrentes, a Motiva chega à disputa após vencer o releilão da rodovia Fernão Dias (BR-381) e é considerada a favorita por analistas do setor. Segundo o Bank of America, uma eventual vitória da companhia pode gerar cerca de R$ 200 milhões em capital para os acionistas, enquanto o Santander projeta um cenário ainda mais otimista, de até R$ 600 milhões. Ambos os bancos alertam, no entanto, que o retorno dependerá da capacidade de a empresa gerar eficiência operacional em um ambiente de juros elevados.
O Grupo EPR, plataforma formada pela Equipav e pela gestora Perfin, também é visto como concorrente forte, pois administra concessões rodoviárias em Minas Gerais e no Paraná. A Arteris, atual concessionária e uma das maiores administradoras do setor no Brasil, leva a vantagem de conhecer a operação, mas enfrenta, segundo o BTG Pactual, alta alavancagem financeira, fator que pode limitar sua agressividade nos lances. Para o mercado, o resultado do leilão não apenas definirá o futuro operador da BR-116, como também servirá de termômetro para avaliar o apetite do setor privado por novos leilões de infraestrutura no país.
Fonte: Gazeta do Povo





