Estudo sugere explicação para inteligência elevada dos polvos

Cientistas dizem que inteligência elevada dos polvos pode vir de característica peculiar no RNA ribossômico de espécies; entenda!
Por Augusto César
Há tempo a humanidade investiga de onde vem a inteligência dos polvos e lulas. De abrir potes, resolver labirintos a utilizar águas vivas como armas, esses moluscos são impressionantes quando o quesito é inteligência. Contudo, uma característica central desses animais deixa tudo mais complexo, eles não possuem um cérebro unificado.
Chamado de sistema nervoso ampliado, os polvos possuem uma inteligência elevada e um cérebro difuso em todo seu corpo. Conforme a revista Current Biology, a inteligência elevada desses animais pode ser decorrência da impressionante habilidade de produzir proteínas com extrema precisão. Embora ainda não haja uma resposta definitiva, os pesquisadores apontam que a adaptação só pôde ser vista nesses animais. No entanto esse estudo não começou hoje, na verdade ele começou por acaso há cinco anos.
Conforme o artigo, há cinco anos, Richard Han estava examinando moléculas chamadas RNA ribossômico (rRNA) em tecidos do polvo-de-duas-manchas-da-califórnia. Quando encontrou uma sequência de rRNA que se dividia em duas partes. Na época, o então estudante acreditou que tinha extraído o gene errado e seguiu sem dar muita atenção. Contudo, testes adicionais mostraram que aquele não era um episódio isolado. Havia uma produção dos ribossomos com cerca do dobro da produção humana. Ou seja, podiam aproveitar mais e melhor as proteínas investidas.
Por isso os cientistas decidiram coletar espécies de moluscos, algumas mais ativa, com sistemas nervosos desenvolvidos que permitem comportamentos complexos, criaturas de águas profundas com sistemas nervosos mais simples, adaptados para natação lenta e alimentação passiva. Em suma, em quase todos os polvos encontrados haviam quebras no rRNA, apenas com exceção do polvo-dumbo. Inclusive que provém de uma linhagem dispersa há 300 milhões de anos. Conforme a Smithsonian Magazine, as descobertas sugerem que a adaptação do rRNA pode estar ligada à evolução do grande sistema nervoso dos polvos de águas rasas.
Pois os seus cérebros, que estão espalhados pelo corpo, tiveram que se expandir em meio à pressão ambiental e a disputa de território. Assim, as células nervosas aprenderam métodos específicos para produzir neurônios duradouros e efetivos. Ao impedir isso, a quebra do rRNA “pode ajudar esses neurônios a funcionarem bem”.
De acordo com Amy Lee, coautora do estudo, “a grande surpresa é que o ribossomo, que é altamente conservado em toda a vida, pode de fato sofrer mudanças evolutivas que impactam sua função e podem até contribuir para novas inovações”.
Entretanto, as descobertas ainda são inconclusivas. É necessário algumas década para conseguir se extrair todas as informações possíveis. Aliás, é possível que dessa descoberta possamos aprender como produzir melhores proteínas e utilizá-las para recuperar pessoas de doenças neurais.
Fonte: Aventuras na História




