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Cidades-esponja: como a natureza pode ajudar a reduzir enchentes nas áreas urbanas

Jardins de chuva, pisos drenantes e telhados verdes estão entre as estratégias que ajudam a absorver a água e tornar as cidades mais preparadas para eventos extremos

Por Sara Tamayoci Nader

Quando uma cidade substitui áreas naturais por asfalto, concreto e construções, a água da chuva encontra menos espaço para entrar no solo. Como consequência, grandes volumes passam a escoar pelas ruas e aumentam o risco de alagamentos. É justamente para enfrentar esse problema que surgiu o conceito de cidades-esponja.
Em conteúdo publicado pela Universidade de Fortaleza (Unifor), o arquiteto urbanista Amando Candeira Costa Filho explicou como a proposta busca recuperar o ciclo natural da água dentro das áreas urbanas. A ideia consiste em criar espaços capazes de absorver, armazenar e, posteriormente, reutilizar parte da água das chuvas.

O que são cidades-esponja?
O conceito foi desenvolvido pelo arquiteto paisagista chinês Yu Kongjian. Em vez de tentar retirar rapidamente toda a água das cidades, a proposta procura criar condições para que o ambiente urbano absorva parte desse volume. Assim, áreas verdes, solos permeáveis e espaços planejados para receber água passam a fazer parte da infraestrutura da cidade. Além de ajudar no controle das enchentes, essas soluções podem criar áreas de lazer e aproximar a população da natureza.

Jardins de chuva ajudam a absorver a água
Uma das alternativas citadas pela Unifor são os jardins de chuva. Esses espaços utilizam vegetação e áreas permeáveis para receber parte da água que escorre pelas superfícies urbanas. Além disso, os pisos drenantes permitem que uma parcela maior da chuva entre no solo. Dessa maneira, o município pode reduzir a quantidade de água que corre diretamente pelas ruas durante períodos de chuva intensa.

Jardins de chuva e pisos drenantes podem aumentar a permeabilidade do solo e reduzir o escoamento da água pelas ruas (Foto: iStock)

Telhados verdes também entram na estratégia
Os telhados verdes aparecem como outra ferramenta para reter parte da água da chuva. Ao mesmo tempo, eles acrescentam vegetação às construções e podem colaborar para amenizar as altas temperaturas nas cidades. Por isso, a lógica das cidades-esponja não depende apenas de grandes obras. Soluções menores, aplicadas em bairros, residências e outros espaços, também podem contribuir para recuperar a permeabilidade do solo.

Parques podem funcionar como áreas de retenção
Outra estratégia consiste em preservar ou recuperar áreas próximas aos rios, incluindo suas várzeas. Em períodos de chuva, esses espaços podem receber água temporariamente sem causar os mesmos impactos de um alagamento em áreas ocupadas. O Parque Estadual do Cocó, em Fortaleza, foi citado pela Unifor como um exemplo dessa relação entre preservação ambiental e planejamento urbano. A área de mangue ajuda a reter parte da água e funciona como um amortecedor natural.

Por que esse modelo ganha importância?
As mudanças climáticas aumentam a preocupação com eventos extremos, como chuvas intensas e períodos prolongados de seca. Nesse contexto, depender somente de sistemas tradicionais de drenagem pode não ser suficiente. Segundo o professor entrevistado pela Unifor, esses sistemas normalmente transferem a água de um ponto para outro. Já o modelo das cidades-esponja procura trabalhar com o próprio ciclo da água e devolver espaços de infiltração à paisagem urbana. Além disso, essas soluções podem trazer outros benefícios. Mais áreas verdes ajudam a melhorar a qualidade dos espaços públicos e podem contribuir para amenizar o calor e reduzir a poluição do ar.
Embora grandes projetos exijam investimento e planejamento, a proposta também pode aparecer em intervenções menores. Pisos permeáveis, jardins de chuva e áreas verdes em residências são exemplos de medidas que podem ser aplicadas sem depender exclusivamente de megaprojetos. Dessa forma, as cidades-esponja representam uma mudança na maneira de pensar o espaço urbano: em vez de tratar a água apenas como um problema, o planejamento passa a criar condições para que ela faça parte da própria paisagem.

Fonte: Bons Fluidos

Luzimara Fernandes

Jornalista MTB 2358-ES

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