Como acordo entre EUA e Venezuela no setor do petróleo ameaça interesses da China

O regime de Xi Jinping mantém interesses na Venezuela mesmo com a destituição do aliado Nicolás Maduro
A China se manifestou nesta terça-feira (1.º) sobre o acordo em andamento que pode garantir aos EUA participação majoritária em projetos associados a mais de 65 bilhões de barris das vastas reservas de petróleo da Venezuela. O regime de Xi Jinping frisou que seus interesses no país devem ser salvaguardados, após alguns veículos de comunicação noticiarem que o megaprojeto poderia afetar campos operados por empresas chinesas, como a estatal Sinopec e a CNPC.
“Os direitos e interesses legítimos da China na Venezuela devem ser salvaguardados”, declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, em uma coletiva de imprensa. Guo respondia a uma pergunta sobre reportagens que indicavam que, como parte do novo acordo petrolífero promovido pelo presidente dos EUA, Donald Trump, uma empresa americana assumiria o controle de diversos campos venezuelanos anteriormente operados por empresas chinesas, incluindo a Sinopec e a CNPC.
Em uma das reportagens mencionadas, dois funcionários americanos afirmaram à agência Reuters nesta semana que a petrolífera North American Blue Energy Partners assumiria o controle de alguns campos de petróleo anteriormente controlados por cinco empresas chinesas e uma russa. O porta-voz chinês não confirmou essas mudanças de controle, afirmando apenas que Pequim havia “tomado conhecimento das reportagens”.
Guo pontuou que a cooperação entre a China e a Venezuela “é protegida pelo direito internacional e pelas leis de ambos os países” e reiterou que a cooperação econômica e comercial entre os países deve ser regida pelos princípios da igualdade e do benefício mútuo.
Durante anos, a China manteve interesses significativos no setor petrolífero venezuelano, onde empresas estatais como a CNPC e a Sinopec participaram em projetos de exploração e produção, no âmbito da estreita relação econômica desenvolvida entre o regime chavista e Pequim.
O que diz o acordo entre EUA e Venezuela
A Casa Branca ofereceu novos detalhes sobre o acordo anunciado na semana passada, confirmando a concessão por 100 anos à empresa privada North American Blue Energy Partners (NABEP) para explorar parte do petróleo venezuelano. Segundo o pacto entre a administração de Donald Trump e o regime liderado interinamente por Delcy Rodríguez, a NABEP terá direitos durante um século para perfurar 17 campos petrolíferos que abrigam cerca de 65 bilhões de barris de petróleo bruto, equivalentes a cerca de um quinto das reservas da Venezuela.
De acordo com a Casa Branca, o Departamento de Defesa dos EUA terá uma participação de 35% na empresa-mãe da NABEP. Por sua vez, o Departamento de Estado americano terá o direito de adquirir, a preço de produção, 20% do petróleo extraído para abastecer as reservas estratégicas americanas.
A NABEP, dirigida pelo empresário venezuelano Alejandro Betancourt, apresenta-se como a segunda maior produtora de petróleo bruto da Venezuela, com uma produção superior a 200 mil barris diários. Betancourt foi investigado na Espanha, Suíça e EUA por supostos crimes de lavagem de dinheiro e fraude fiscal em operações relacionadas com a estatal petrolífera venezuelana PDVSA, acusações que ele rejeita (Veja perfil do empresário aqui). A companhia anunciou que, com o novo acordo, busca elevar sua produção até superar um milhão de barris diários.
A administração Trump, que na semana passada classificou o acordo como “histórico”, sustenta que este permitirá aumentar a produção petrolífera e reduzir o preço da gasolina nos EUA, encarecida pela guerra com o Irã. Segundo a Casa Branca, a NABEP investirá cerca de US$ 100 bilhões para recuperar a deteriorada infraestrutura petrolífera venezuelana e pagará, durante os próximos 25 anos, cerca de US$ 200 bilhões em impostos às autoridades venezuelanas. Além disso, o governo americano terá direito de veto sobre as nomeações para o conselho de administração da NABEP.
Fonte: Gazeta do Povo






