Cultura

Autorretrato raro de Van Gogh será exibido pela primeira vez em 35 anos

Obra avaliada em até R$ 1,53 bilhão integra mostra em Paris após passar décadas guardada em coleção privada de família grega

Por Luiza Kellmann

A pintura “Autorretrato com Orelha Enfaixada e Cachimbo”, produzida por Vincent Van Gogh em 1889, será apresentada ao público pela primeira vez em 35 anos. Pertencente aos herdeiros do magnata grego Stavros Niarchos, a obra foi cedida para a exposição “Gustave Fayet, Collector-Designer: Icons of Modern Art”, na Fondation Louis Vuitton, em Paris. O evento ocorre entre nove de outubro e oito de março de 2027, reunindo peças que integraram a coleção do francês Gustave Fayet.
Pintada apenas três semanas após o artista mutilar a própria orelhaa tela é um dos dois únicos registros em que o pintor retratou o ferimento ainda em fase de cicatrização. Conforme o veículo Arte Que Acontece, a obra destaca deliberadamente a bandagem, possivelmente como um esforço do pintor para processar visualmente a automutilação.
O fundo dividido entre laranja e vermelho contrasta com o casaco verde-escuro, enquanto a escolha de se retratar fumando sugere um hábito que ele considerava fonte de consolo. Segundo o especialista Martin Bailey, a composição pode ter sido inspirada em um autorretrato de Gustave Courbet que o holandês admirou no Museu Fabre.

A história do quadro reflete as turbulências do século 20. Adquirido inicialmente por Gustave Fayet em 1902, o trabalho passou pelo marchand Paul Rosenberg antes de ser saqueado pelos nazistas em 1941. A obra chegou a fazer parte da coleção de Hermann Göring e foi levada para a Suíça ilegalmente.
Após ser recuperada em Zurique em 1945, a pintura retornou a Paul Rosenberg três anos depois. Antes de ser comprada pela família Stavros Niarchos na década de 1970, a peça pertenceu ao publicitário Albert Lasker e ao empresário Leigh Block. Na capital francesa, o autorretrato terá um posicionamento simbólico ao lado de “O Autorretrato com Paleta”, de Paul Gauguin, que também pertenceu à coleção de Gustave Fayet.
Esse arranjo aproxima as obras de dois artistas cuja relação pessoal foi marcada por episódios difíceis, incluindo o incidente que levou à lesão na orelha de Vincent Van Gogh. Após o encerramento da mostra em março, a expectativa é que o quadro retorne a um cofre de segurança, já que seu valor de mercado é estimado entre R$ 1,02 bilhão e R$ 1,53 bilhão.

Fonte: Aventuras na História

Luzimara Fernandes

Jornalista MTB 2358-ES

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