Internacional

Em declaração conjunta, Escócia, Gales e Irlanda do Norte pedem referendos de independência

A primeira-ministra da Irlanda do Norte, Michelle O”Neill; a presidente do partido norte-irlandês Sinn Féin, Mary Lou McDonald; o premiê galês, Rhun ap Iorwerth; e o primeiro-ministro da Escócia, John Swinney, em encontro em Cardiff, nesta segunda-feira

Por Fábio Galão

Os primeiros-ministros do País de Gales, da Escócia e da Irlanda do Norte divulgaram, nesta segunda-feira (14), um memorando de entendimento no qual pediram para que o governo britânico “facilite mudanças constitucionais” para a independência dos três países.
Caso referendos sejam realizados e confirmem o desejo das populações locais nesse sentido, isso na prática resultaria na dissolução do Reino Unido, já que apenas a Inglaterra permaneceria no bloco. Segundo informações do jornal The Telegraph, a declaração foi divulgada após uma reunião em Cardiff entre os primeiros-ministros do País de Gales, Rhun ap Iorwerth, da Escócia, John Swinney, e da Irlanda do Norte, Michelle O’Neill.

Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte possuem histórias, identidades e tradições políticas distintas. Cada uma de nossas nações tem o direito de determinar seu próprio futuro, por meios democráticos e em conformidade com a vontade de seu povo”, escreveram os três líderes, que argumentaram que “o cenário político nestas ilhas está mudando”. “Pela primeira vez, as populações destas ilhas contam com primeiros-ministros — na Escócia, no País de Gales e na Irlanda do Norte — que estão todos comprometidos com a independência em relação ao Reino Unido. Para quem acompanha a situação nestas ilhas e para quem observa de todo o mundo, não poderia haver sinal mais claro de que o tempo de Westminster está chegando ao fim”, afirmaram, citando a sede do Parlamento britânico.

Entre os pontos mencionados para justificar esse desejo de independência, os líderes do País de Gales, da Escócia e da Irlanda do Norte citaram o Brexit, a saída britânica da União Europeia, que “prejudicou nossas economias e limitou as oportunidades para o nosso povo”, argumentaram.

Acreditamos que o futuro de nossas nações está na União Europeia. Queremos trabalhar juntos para reconstruir e fortalecer essas relações europeias, criando maiores oportunidades de comércio, investimento, cultura e cooperação”, afirmaram no comunicado. “Nossas nações têm o direito à autodeterminação. Nenhum governo de Westminster tem o direito de bloquear a democracia ou de minar o princípio de que o nosso povo decidirá o seu próprio futuro. Exortamos o governo britânico a preparar-se e para planejar e facilitar mudanças constitucionais em cada jurisdição”, afirmaram.

O governo do premiê trabalhista do Reino Unido, Andy Burnham, ainda não se pronunciou sobre o assunto. Segundo informações da emissora BBC, na quarta-feira passada (9), o primeiro-ministro disse no Parlamento que referendos sobre independência do Reino Unido poderiam ser “considerados” na Escócia e na Irlanda do Norte (neste caso, para reunificação à Irlanda) “se houvesse um consenso claro e se a opinião pública tivesse mudado”.
O governo escocês enviou então uma carta a Burnham, pedindo uma reunião para discutir como tal mecanismo poderia ser implementado. Em resposta, Burnham disse que outro referendo – uma consulta foi realizada na Escócia em 2014, e a população decidiu que o país deveria permanecer no Reino Unido – está “fora de cogitação” por ora.

Em minhas declarações, eu estava simplesmente destacando que não há consenso para um referendo de independência na Escócia, nem uma base clara para sugerir que a maioria da população da Irlanda do Norte deseje, no momento, separar-se do Reino Unido”, afirmou Burnham.

Fonte: Gazeta do Povo

Luzimara Fernandes

Jornalista MTB 2358-ES

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