Mapa do João Calvino, escondido em Bíblia de 1599, localiza o suposto Jardim do Éden

Ilustração encontrada em exemplar centenário detalha a área onde estudiosos protestantes acreditavam estar situado o paraíso descrito no Gênesis
Por Luiza Kellmann
Um exemplar da Bíblia de Genebra impresso em 1599 contém um mapa detalhado que apresenta a visão de seus criadores sobre a possível localização geográfica do Jardim do Éden. O documento situa o paraíso bíblico em uma região específica do Oriente Médio, relacionando o relato religioso a referências geográficas conhecidas na época. Segundo o Daily Mail, a descoberta reflete o esforço histórico de teólogos para encontrar vestígios físicos do local onde Adão e Eva teriam vivido.
A Bíblia de Genebra foi produzida por estudiosos protestantes ingleses que fugiram da Inglaterra e buscaram refúgio na Suíça devido às perseguições em seu país de origem. Estima-se que cerca de 360.000 cópias tenham sido impressas entre 1560 e 1644. O mapa do Éden presente na Bíblia é uma cópia de uma representação criada pelo reformador protestante João Calvino, publicada pela primeira vez em 1554, em seu comentário sobre o Gênesis. A ilustração foi incluída posteriormente nas edições da Bíblia de Genebra.
Intitulado “A Situação do Jardim do Éden”, o mapa localiza o paraíso na chamada Grande Armênia, perto de montanhas que os estudiosos da época acreditavam representar o Monte Ararat, na atual Turquia. A representação também identifica pontos geográficos reais, como a Mesopotâmia, a Babilônia, o Golfo Pérsico e o Mar Cáspio. Conforme a análise apresentada pelo Daily Mail, o desenho parece situar o Éden próximo às nascentes do rio Eufrates, entre as montanhas.

A representação de João Calvino partia da descrição do Gênesis de um rio que atravessava o Éden antes de se dividir em quatro braços: Tigre, Eufrates, Pisom e Giom. Durante séculos, estudiosos buscaram identificar esses rios. Os dois primeiros eram geralmente associados ao Tigre e ao Eufrates, enquanto Pisom e Giom eram frequentemente relacionados ao Ganges e ao Nilo. Essa interpretação, porém, criava um problema geográfico, já que os quatro rios não poderiam ser localizados em um mesmo ponto.
João Calvino propôs uma solução para essa questão ao interpretar o termo bíblico traduzido como “nascentes” como uma referência que poderia indicar tanto o início quanto a foz de um rio, segundo o estudo de Justine Angelique Walden. A partir dessa leitura, Calvino argumentou que Pisom e Giom não seriam rios separados, mas nomes atribuídos às seções inferiores ou às saídas dos rios Tigre e Eufrates. A interpretação permitia, assim, relacionar a descrição bíblica a uma localização terrestre específica. Sobre o mapa, Justine Angelique Walden ponderou.
Estranhamente, o mapa do Éden mostrava a localização geral do Éden, mas não especificava o perímetro do jardim murado e, por isso, afirmava ambiguamente tanto a presença do paraíso quanto a sua ausência”.
A localização do Éden continua sendo objeto de interpretações distintas. Para os estudiosos que defendiam uma localização terrestre, o paraíso teria existido em algum ponto do mundo conhecido, mas seus vestígios teriam desaparecido. Justine Angelique Walden observou que o mapa indicava uma localização geral, mas não delimitava precisamente o jardim.
O Éden já fora precisamente localizável; agora, apenas vestígios de sua existência, como os quatro rios, restavam”, compartilhou a pesquisadora em seu relatório.
Outras hipóteses também foram apresentadas ao longo do tempo. Em 2025, o engenheiro Mahmood Jawaid sugeriu que o jardim poderia estar localizado na Etiópia, com base na paisagem fértil da região e na presença do Nilo Azul.
Fonte: Aventuras na História





