Japão lançará missão histórica para coletar amostras de lua de Marte

Missão da agência espacial japonesa pretende recolher material de Fobos e investigar a formação das luas de Marte e do Sistema Solar
Por Mariana Lima
O Japão se prepara para lançar uma missão espacial inédita com o objetivo de coletar amostras de Fobos, uma das duas luas de Marte. Com lançamento previsto para terça-feira (20), a iniciativa é conduzida pela Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (JAXA), com apoio de equipamentos e sistemas de comunicação da Nasa e de outras agências espaciais internacionais.
Batizada de Martian Moons eXploration (MMX), a missão terá duração prevista de cinco anos e pretende ampliar o conhecimento científico sobre os satélites naturais de Marte. Além de recolher material da superfície de Fobos, a espaçonave investigará características físicas do corpo celeste, incluindo sua topografia, estrutura interna, composição e gravidade. Segundo a equipe responsável pelo projeto, as observações e as análises das amostras poderão ajudar a esclarecer questões sobre a formação das luas marcianas e a evolução do Sistema Solar.
Uma missão para investigar Fobos

Apesar da importância científica das luas de Marte, esses corpos celestes ainda não foram completamente investigados. Yasuhiro Kawakatsu, gerente da missão MMX, destacou essa lacuna em um comunicado da agência espacial japonesa.
Apesar de sua potencial importância, as luas de Marte nunca foram totalmente investigadas”, afirmou o pesquisador. Ele também comparou esses satélites a algumas das montanhas mais importantes que ainda não foram escaladas no Sistema Solar, ressaltando o potencial científico da exploração.
A missão pretende realizar observações detalhadas de Fobos e analisar amostras coletadas diretamente de sua superfície. Com esses dados, a JAXA busca compreender melhor como se formaram as luas de Marte e quais processos contribuíram para a evolução do Sistema Solar. O projeto também está relacionado à investigação das condições que permitiram o surgimento da vida. De acordo com a agência japonesa, os resultados poderão contribuir para pesquisas sobre como a vida começou e para o desenvolvimento de futuras explorações espaciais.
A MMX terá de enfrentar obstáculos durante seus cinco anos de duração. Entre os principais desafios estão a superfície ainda inexplorada de Fobos, as condições gravitacionais diferentes das encontradas na Terra e na Lua e as variações extremas de temperatura no ambiente espacial.
Outro problema é o atraso de comunicação que pode chegar a 44 minutos no percurso de ida e volta. Essa demora representa uma dificuldade para as operações da espaçonave, que precisará atuar a grandes distâncias da Terra, repercute a Revista Galileu. A missão também prevê o estudo de Deimos, a outra lua de Marte. Na mitologia grega, Fobos e Deimos são irmãos gêmeos, filhos de Ares, equivalente ao deus romano Marte, e de Afrodite. Seus nomes representam, respectivamente, o medo e o terror.
Tecnologia para futuras viagens

Além dos objetivos científicos, a JAXA pretende utilizar a MMX para desenvolver tecnologias que permitam avançar na exploração espacial. Entre as capacidades previstas estão operações de pouso e trabalho na superfície de corpos celestes, coleta de amostras, comunicação a longas distâncias e viagens de ida e volta à esfera marciana.
As amostras de Fobos também podem ter uma aplicação futura. Segundo o jornal britânico The Guardian, os materiais coletados poderão fornecer informações úteis para avaliar a possibilidade de transformar a lua em um destino para uma futura base relacionada à exploração tripulada de Marte. Com a combinação de observações, coleta de material e desenvolvimento tecnológico, a missão busca ampliar o conhecimento sobre as luas marcianas e preparar o caminho para novas iniciativas de exploração do espaço profundo.
Fonte: Aventuras na História





