Internacional

Comissão de Israel pede que seja investigado financiamento do Catar para ajudar partidos árabes na eleição

Contagem de votos em Jerusalém: partido de Netanyahu alega que envelopes com dinheiro foram entregues para aumentar participação de eleitores que votaram em partidos árabes

Por Fábio Galão

O presidente da Comissão Eleitoral Central (CEC) de Israel, o juiz Noam Sohlberg, solicitou ao chefe do Shin Bet, David Zini, que investigue denúncias sobre uma possível “ingerência estrangeira” nas eleições parlamentares realizadas pelo país na terça-feira (27).
“Embora não possa atestar a veracidade dessas suspeitas, considero que — uma vez que envolvem entidades estrangeiras — há a obrigação de investigá-las a fundo”, afirma Sohlberg na carta enviada ao serviço de inteligência interna de Israel, segundo informações da agência EFE.
“É obrigatório garantir que as eleições sejam livres e isentas de qualquer forma de coação, influência indevida e corrupção, e que o eleitor, ao exercer seu direito de voto e expressar sua vontade política na cédula eleitoral, o faça como pessoa livre e de acordo com seu próprio critério. Uma eleição comprada distorce e deturpa os próprios fundamentos da autêntica existência democrática”, acrescentou.
O jornal israelense Haaretz afirmou que essas denúncias incluem a suspeita de que fundos provenientes do Catar tenham sido destinados a aumentar a participação eleitoral das comunidades árabes de Israel nas eleições. O governo do Catar nega a acusação. Com 91% dos votos apurados, a coalizão liderada pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o bloco de oposição, liderado pelo ex-general Gadi Eisenkot, mantêm-se com 53 e 48 assentos no Knesset (Parlamento israelense), respectivamente, distantes da maioria de 61 cadeiras necessária para governar.

Os partidos que representam as comunidades árabes de Israel somam 19 assentos, com uma votação recorde. O Likud, partido conservador de Netanyahu, afirmou na quarta-feira (28) ter apresentado “centenas de depoimentos e provas” aos serviços de segurança e à CEC em relação a supostas irregularidades, entre as quais menciona “milhares de envelopes” que, segundo sua versão, continham “dinheiro em espécie junto com cédulas do partido Raam” (formação árabe que obteria oito cadeiras, de acordo com os últimos dados da apuração).
A polícia de Israel, por sua vez, rejeitou nesta quinta-feira (29) a acusação do Likud. “Não há provas que sustentem isso. O dia das eleições transcorreu com poucos incidentes que afetassem a integridade do processo, mesmo em comparação com eleições anteriores”, declarou uma fonte policial em um comunicado à imprensa israelense.
Quando a apuração for encerrada, o presidente de Israel, Isaac Herzog, deverá convocar um dos lados para tentar formar um governo.
Caso nenhuma coalizão alcance maioria para governar, há três possibilidades: que algum dos lados consiga arregimentar partidos do outro para formar maioria no Knesset; que seja estabelecido um governo de minoria; ou convocação de novas eleições.

Fonte: Gazeta do Povo

Luzimara Fernandes

Jornalista MTB 2358-ES

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